SÓ FALTAVA AMOR – PARTE FINAL

A semana passou ensolarada e fazia muito calor. Na sexta-feira, uma nova tempestade caiu sobre a cidade de Itatiaia. Com a tempestade, veio o frio.

– Mãe, tá friozinho! Vamos alugar uns filmes de terror?

– Boa ideia, filha!

Laila e Bianca foram até a locadora e alugaram 4 filmes.

– Tem pipoca em casa?

– Tem. Mas vou fazer umas pizzas também. Quer?

– Oba!

Quando chegaram em casa, Laila pediu que Bianca tomasse banho, enquanto ela fazia as pizzas. Vendo que a filha estava demorando para voltar, Laila foi ao banheiro chamá-la.

– Bianca, sai logo desse banho. As pizzas estão quase prontas.

A menina não respondeu, então, Laila entrou no banheiro.

– Bianca?!

Ela foi até os quartos e a filha não estava.

– Onde essa menina se meteu? Bianca, pare de brincadeira. Apareça logo.

Laila olhou por toda a casa. Sobre um aparador na sala, ela encontrou um bilhete.

“Ela está comigo. Se quiser ter sua filha de volta, me encontre no endereço abaixo”.

– Meu Deus! Não! Minha filha não!

O endereço no bilhete era de uma pensão no centro da cidade. Laila vestiu um casaco e foi pra lá. A caminho da pensão, ela ligou para a delegacia.

– Duarte, é Laila. Minha filha foi sequestrada. Você tem que me ajudar.

– Calma Laila! Onde você está?

– Estou indo para a pensão da Jéssica. A mulher que seqüestrou minha filha pediu que eu a encontrasse lá. Por favor, me ajude! Ela é louca e muito perigosa.

– Fique tranquila, estou indo com uma viatura agora mesmo.

Assim que Laila chega, Duarte e vários policiais militares se encontram na frente da pensão.

– Eu vou entrar.

– Não, Laila! É perigoso.

– É minha filha!

– Eu sei. Eu vou falar com ela, e você fique aqui, por favor.

– Eu vou entrar e você não me impedir.

Várias pessoas se aglomeram em frente à pensão. Uma delas é Fernanda.

– Laila?! O que está havendo?

– Aquela louca pegou minha filha. A minha filhinha.

– De quem você está falando?

– De Augusta.

– Mas ela não estava presa?

– Estava. Não sei o que aconteceu.

– Você tem certeza? Você a viu?

– Não a vi, mas sei que é ela.

– Laila, eu vou entrar.

– Eu vou com você, Duarte. É a mim que ela quer. Se você for, ela pode machucar Bianca. Por favor, eu sei como lidar com ela.

– Por que você me chamou, afinal? Você sabe que não posso deixá-la entrar.

– Laila, deixe o delegado fazer o trabalho dele.

Laila concordou.

– Por favor, Duarte, traga minha vidinha de volta.

– Eu farei isso.

O delegado entrou. No corredor da pensão, Duarte falava com Augusta.

– O prédio está cercado. Melhor você se entregar.

– Onde está Laila? Eu a quero aqui, agora.

– Laila está lá fora, não permiti que ela entrasse. Por favor, saia com as mãos para cima.

– Não! Vocês vão atirar em mim.

– Se fizer o que estou pedindo, garanto que ninguém vai machucá-la.

Há um silêncio, e em seguida, ouve-se um tiro.

– Bianca! Eu vou lá!

– Não, Laila! Fique aqui.

– Ela atirou na minha filha! Desgraçada! Eu vou matá-la!

Laila consegue se soltar de Fernanda e de um policial e entra na pensão. Fernanda vai atrás dela.

– Augusta, estou aqui. Solte minha filha e me deixe entrar.

– Você não deveria ter chamado a polícia.

– Por favor, me deixe entrar.

Outro silêncio.

– Bianca? Você está bem? Fala com a mamãe.

– Mamãe, estou com medo.

– Eu sei, meu amor. Vai passar… Lembra? Tudo passa! Augusta, estou implorando, por favor, solte Bianca e eu faço o que você quiser.

A porta se abre.

– Entre, Laila, depois solto sua filha.

Laila obedece. Assim que Laila entra no quarto, Bianca é solta e a porta é fechada novamente.

– Mamãe.

– Oi, Bianca!

Quando Bianca vê Fernanda, ela corre para abraçá-la.

– Ela é má, e vai machucar a mamãe.

– Não vai. Ela só quer conversar.

Dentro do quarto, Laila tenta convencer Augusta a se entregar.

– Você não tem chance, Augusta. A pensão está cercada por vários policiais. Se entregue, será melhor pra você.

– Cala a boca!

Augusta dá uma violenta bofetada em Laila, que cai no chão.

– Você sabe o que eu passei na prisão? Aquilo é um inferno! A única coisa que me manteve viva, foi saber que um dia eu ia te encontrar novamente e matar você.

Augusta dá um chute na barriga de Laila.

– Eu fui presa por sua culpa.

– Minha culpa? Você matou uma mulher, por isso foi presa.

– Se você tivesse ficado comigo, eu não teria matado aquela vadia.

– Claro que não! Teria matado a mim.

Augusta se senta na cama.

– Você não entende, não é? Eu te amava! Você era a única mulher por quem eu seria capaz de mudar. E você me abandonou!

– Amava?!

Laila se levanta e se aproxima de Augusta. Com uma voz doce, ela diz:

– Eu também amava você, Augusta. E ainda amo. Você pode mudar agora, se quiser. Eu te ajudo. Podemos tentar ser felizes. Eu nunca te esqueci.

– Você está falando a verdade?

– Estou. Por favor, vamos tentar.

– Se eu sair daqui agora, vão me prender.

– Se você não machucar ninguém, e se entregar, você não vai passar muito tempo presa e eu vou te visitar todos os dias. Na prisão, você poderia receber visitas íntimas?

Surpresa, Augusta olhou para Laila e riu.

– Você ainda continua com esse fogo, não é mulher?

– Muito mais do que antes e ninguém conseguiu me satisfazer como você.

Augusta empurra Laila na cama e se deita sobre ela, beijando-a.

– Ah, como senti sua falta, Laila!

Laila percebe que Augusta tinha soltado a arma e a pega.

– Sai de cima de mim, sua porca nojenta.

Augusta tenta tirar a arma de Laila, mas não consegue.

– Se fizer isso de novo, eu atiro. Juro que atiro. Vai pra porta.

Augusta obedece e Laila se levanta da cama.

– Abre.

– Você não me ama? É mentira?

– Você usa tanto a violência, que é incapaz de pensar com inteligência. Continua a mesma burra. Claro que eu não amo você, eu odeio você, tenho nojo! Por mim, você pode morrer na prisão. Agora abre a droga dessa porta.

Vendo que Laila estava falando sério, Augusta abre a porta e é algemada. Antes que Duarte levasse Augusta, Laila falou:

– Espera Duarte. Fernanda, me faz um favor, cobre os olhos de Bianca.

Fernanda faz o que Laila pediu e em seguida, Laila, usando a arma de Augusta, bate na cabeça dela.

– Você nunca mais vai tocar em mim ou em minha filha. Eu juro que se você aparecer de novo, eu te mato.

Augusta é levada para a delegacia. Laila abraça sua filha.

– Mamãe, eu fiquei com tanto medo.

– Eu sei. Me perdoa.

– Você me salvou, não tenho nada para perdoar você. Eu te amo, mamãe.

– Também te amo, minha vidinha!

– Mamãe, você está sangrando, precisa ir ao médico.

– Eu estou bem, meu amor. Quero ir para casa. Fernanda, você poderia…

– Claro! Eu levo vocês. Mas Bianca tem razão, seria melhor você passar no hospital para fazer um curativo.

Depois do hospital, Fernanda as leva para casa. Laila dá um banho em sua filha e a coloca para dormir.

– Boa noite, minha vidinha.

– Boa noite, mamãe.

Laila volta para a sala.

– Como ela está?

– O susto já passou. Ela vai ficar bem.

– E você? Vai ficar bem também?

Laila se senta no sofá e chora. Fernanda a abraça.

– Ela pegou a minha filha! Colocou aquelas mãos imundas nela!

– Já passou. Acalme-se!

Fernanda abraça Laila até ela parar de chorar.

– Você quer comer alguma coisa?

– Não, obrigada. Se você está se sentindo melhor, vou voltar para o hotel.

– Pensei que você tivesse voltado para o Rio.

– E voltei. Mas por causa da obra, terei que revezar entre o Rio e aqui. Cheguei hoje à tarde.

– Quer almoçar conosco amanhã?

– Pode ser. Depois, posso te levar para buscar seu carro. A que horas quer que eu chegue?

– Pode vir mais cedo, assim você me ajuda com as cebolas.

Laila sorriu.

– Apesar de não gostar da piadinha, é bom ver você sorrindo.

Seus olhares se fixam e o beijo é inevitável.

– Até amanhã, pilota.

– Até amanhã. Fernanda…

– Sim?

– Obrigada por tudo.

Fernanda sai. Laila vai até o quarto de Bianca e a vê dormindo tranquilamente.

“Isso meu amor! Durma e esqueça tudo!”

– Droga! Estou horrível!

Laila está em frente ao espelho e seu olho está roxo e inchado.

– Está tudo bem, mamãe?

– Olha isso, Bianca! Estou parecendo um monstro!

– Ah, não está tão ruim!

– Como não? Estou parecendo uma personagem de filme de terror.

– Espera! Vou dar um jeito nisso.

Bianca abre a caixa de maquiagens da mãe e pega um pó compacto.

– Senta, mãe.

A menina passa o pó nos hematomas e pede para que a mãe se olhe no espelho.

– Melhorou?

– É.

Elas vão para a cozinha e tomam o café da manhã.

– Hoje teremos uma convidada para o almoço.

– Já sei! Fernanda.

– Como sabe?

– “Dãr”! Só podia ser, né mãe?

Às 11 horas, Fernanda chega à casa delas.

– Bom dia! Resolveu me ajudar com as cebolas?

– Bom dia! Isso mesmo!

– Sério?!

Fernanda entra com uma caixa nas mãos e vai direto para a cozinha. Abre a caixa e retira uma centrífuga.

– Pode passar as cebolas pra cá. Hoje estou preparada!

Laila e Bianca riem.

– Você vai usar uma centrífuga para cortar as cebolas?!

– Ora! E por que não?

Fernanda olha bem para o rosto de Laila.

– Você está com uma cara ótima! – Fernanda sorri.

– Humpft.

Elas almoçam e Fernanda faz questão de lavar a louça.

– Tem certeza que quer fazer isso?

– Tenho. Posso?

– Pode, mas… Promete não quebrar toda a minha louça?

– Garota, sou competente em tudo o que eu me proponho a fazer. Fique tranquila, você nunca vai ver uma louça tão bem lavada como esta vai ficar.

Fernanda conseguiu lavar as louças sem quebrar nada. Laila fez um café e tomaram na sala.

Fernanda levou Laila e Bianca para pegar o carro na cidade e voltaram para casa. A tarde passou agradável. Bianca e Fernanda conversavam, animadas. Laila as observava.

– Fernanda, você gosta de filmes de terror?

– Não são os meus preferidos.

– Ontem, mamãe e eu alugamos 4. Íamos assistir ontem, mas aconteceu aquilo. Quer assistir com a gente?

– Bianca!

– Quer assistir conosco? Vai ter pizza e pipoca. Diz que sim, diz que sim!

– Sim!

– “Yes”!

– Mas aviso que tenho medo.

– Não se preocupe, se você ficar com medo, seguro sua mão, tá bom?

– Combinado!

À noite, elas comeram pizza e pipoca. Bianca dormiu no sofá, com a cabeça nas pernas de Fernanda.

– Vou levá-la para a cama.

– Deixe que eu a levo.

Fernanda pegou Bianca no colo e a deitou na cama, com todo o cuidado para que ela não acordasse.

– Fernanda.

– Oi, Bianca.

– Volta aqui amanhã. Mamãe deixa.

– Volto. Agora durma. Boa noite.

– Boa noite, Fernanda. Boa noite, mamãe.

Laila e Fernanda voltam para a sala.

– Ela gosta de você.

– E eu dela. Gosto de meninas inteligentes.

– Quer continuar assistindo ao filme?

– Não. Já está tarde, melhor eu ir embora. Assim, você descansa.

– Está bem. Obrigada, de novo.

Fernanda agarra Laila e a aperta contra seu corpo. Elas se beijam. Um beijo louco, ardente, apaixonante! Laila leva Fernanda para o seu quarto e tranca a porta.

– Hoje estou muito necessitada. – Diz Laila, jogando Fernanda na cama.

– Acho que eu também.

Elas ficam nuas. Fernanda, deitada sobre Laila, diz:

– Espere. Naquele dia eu não tive chance de ver uma coisa e quero ver agora.

– Ver o que?

– Seu corpo.

Fernanda passa os olhos pelo corpo de Laila e começa a tocar, suavemente.

– Você é linda, Laila! Hoje você vai ser minha do jeito que eu gosto.

Laila se entrega às carícias de Fernanda.

– Seus gemidos me deixam louca. Ah, Laila! Você é uma delícia!

Fernanda beija todo o corpo de Laila. Boca, pescoço, seios, ventre, coxas…

– Que coxas gostosas!

Fernanda coloca Laila de bruços e a penetra. Laila grita, enlouquecida!

– Ah, que tesão louco!

Excitada como nunca havia ficado antes, Fernanda se delicia, tocando cada parte do corpo de Laila com um desejo incontrolável.

Laila, com sua língua, faz Fernanda gozar, gritar, gemer, se saciar!

– Nossa! Que loucura!

– É. Estávamos mesmo necessitadas. –Diz Fernanda, sorrindo.

Elas ficam se olhando.

– Laila, você é uma mulher…

– Apaixonante! É, eu sei.

– Não era isso o que eu ia dizer.

– Ia dizer o que?

– Que você é uma mulher… Apetitosa!

– Sei disso também. Bom, já que nossas necessidades foram saciadas, acho melhor você ir embora.

– Tem razão. Amanhã eu venho pegar você e Bianca para almoçar comigo.

– Fernanda… Não.

– Eu prometi a ela que viria.

– Eu sei. Mas para o bem dela, melhor que você não venha.

– É isso mesmo o que você quer?

– É sim. Não quero que ela se apegue a você e a ninguém.

– Está certo. Seja como você quiser.

Fernanda se levanta, se veste e Laila a acompanha até a porta.

– Obrigada pelo lindo dia que nos proporcionou. Adoramos!

– Eu também gostei muito. Obrigada.

Laila se deita na cama e pensa em Fernanda.

“Nem Bianca, nem eu, podemos nos apegar a ninguém. Nem a você, Fernanda. Nem a você”!

– Dona Norma, telefone para o doutor Raul e avise que o jantar desta noite está confirmado.

– Sim. Algo mais?

– Peça a Nina que venha até a minha sala. Agora.

Nina bate à porta. Fernanda está ao telefone e faz sinal para Nina se sentar.

– Você não está me ouvindo? Não vou a Itatiaia no próximo final de semana, por isso estou pedindo para você ir. Mas que droga, Fonseca! Leve a sua família com você, eu pago todas as despesas, não precisa se preocupar. Amanhã você passa aqui para pegar os projetos. Até logo.

– Você quer falar comigo?

– Andei vendo seus relatórios e quero te parabenizar. Está fazendo um ótimo trabalho.

– Nossa! Obrigada!

– Por que o espanto?

– Porque não esperava que você me agradecesse. Você é sempre tão formal, tão…

– Tão?

– Deixa pra lá.

– Tão dura? Era isso o que você ia dizer?

– É. Desculpe.

– Se eu posso criticar e punir, nada mais justo que eu reconheça quando um trabalho está sendo bem feito. Não foi só pra isso que te chamei aqui. Preciso que me faça um favor.

– Claro, Fernanda! O que quiser!

– Hoje à noite, vou ter um jantar com o dono de uma grande rede de supermercados. Fiquei sabendo que ele vai construir um supermercado na Barra e quero que ele feche o negócio comigo. Me informaram que ele sempre leva a esposa para esses jantares de negócios e gostaria que você me acompanhasse.

– Com certeza! Será um prazer!

– Obrigada. Passo em sua casa às 20 horas, esteja pronta. E por favor, use uma roupa discreta.

– Pode deixar.

Nina sai e vai para a sua sala.

– Bete, você não vai acreditar no que eu vou te contar!

– Fernanda te despediu? Esbravejou? Amaldiçoou você e sua família? Te expulsou da sala dela aos pontapés?

– Credo! Que horror! Não é nada disso, muito pelo contrário. Ela me deu os parabéns pelo meu trabalho e me convidou para jantar com ela esta noite.

– O que?! Impossível! Não pode ser! Acho que você ouviu errado.

– É verdade! Ai, Bete! Acho que Fernanda está me dando uma abertura e eu estou sentindo que posso conquistá-la.

Nina conta sobre o jantar para Bete, que fica surpresa, sem conseguir acreditar em nada do que estava ouvindo.

Em sua sala, Fernanda olha os projetos da construção do condomínio em Itatiaia e, ao ver que a árvore em que ela e Laila pararam, poderia ser derrubada, chamou um dos engenheiros e pediu para que ele refizesse o projeto, mantendo a árvore intacta.

Depois que o engenheiro saiu, ela se lembrou do corpo de Laila e sorriu.

“Temo que você tenha razão, Laila. Você é uma mulher apaixonante!”

– Você vai ficar com a vovó no final de semana.

– Oba! Você vai ficar com a gente?

– Não. Pretendo ir ao Rio. Preciso me divertir um pouco. Você se importa? Se quiser, eu fico com você.

– Pode ir, mãe. Você bem que poderia se encontrar com Fernanda.

– Por quê?

– Porque eu gosto dela. E você também.

– Isso não é assunto pra você, mocinha. Agora vai fazer o dever.

Laila pega um cartão em sua bolsa e telefona para um número.

– Oi, aqui é Laila, se lembra de mim?

– Claro! A pilota! Como vai, guria?

– Estou bem e você?

– Muito bem!

– Vocês vão tocar no bar no próximo final de semana?

– Vamos! Tocamos lá todos os finais de semana, exceto quando há casamentos.

– Então, podem me esperar! Vou ver vocês e tentar arranjar uma gatinha. Diz aí! Tem mulher bonita no bar, além de você?

Juliana dá gargalhada.

– Tem sim! Tu vais ficar boba com tantas mulheres bonitas.

Laila conversa mais um pouco com Juliana Farina e depois que desliga, faz outra ligação.

– Doca? Adivinha quem é?

– Lailinha, minha vida! Sua bandida! Sumiu e não deixou endereço. Quase morro de saudades.

– Sem drama, meu amigo! Quero saber se posso dormir em seu apartamento esse final de semana.

– Claro! Sozinha ou acompanhada?

– A princípio, sozinha. Se a noite render, durmo em um motel.

– Safada! Qual a programação? No lugar que você vai, deixam entrar uma bicha linda e gostosa?

– Não conheço o bar, mas acho que deixam sim.

– Qual é o bar?

Laila diz o nome do bar.

– Adoro! Amo a Juliana Farina de paixão! Se quiser companhia, eu vou junto com você. Mas me conta, menina! Como anda a sua vida, a Bibi, sua mãe…

O jantar foi um sucesso. Fernanda conseguiu conquistar o cliente e a Construtora Oedam vai construir o grande supermercado na Barra da Tijuca.

A caminho da casa de Nina, elas conversam.

– Obrigada, Nina. Você ajudou muito.

– Não tem do que agradecer, Fernanda. O que eu fiz, é muito pouco, perto do que você fez por mim.

– Pronto! Está entregue. Mais uma vez, obrigada.

Nina tenta beijar Fernanda.

– Opa! Nunca misturo negócios com prazer.

– Desculpe, eu não resisti. Fernanda, eu não consegui parar de pensar naquela noite. Você foi tão… Tão inacreditável! Quando lembro de você tocando meu corpo, eu fico excitada, molhada. Eu te desejo tanto! E acho que… Me apaixonei por você.

– Nina, nossa relação será apenas profissional e espero que nada atrapalhe isso, senão, serei obrigada a demiti-la da empresa. Não quero que isso aconteça e creio que você também não.

– Por favor, Fernanda, me dê uma chance de provar que posso te fazer feliz.

– Não. E se você insistir nisso, sinto muito, mas nem precisa aparecer amanhã na Construtora. Agora saia do carro.

Nina saiu, desconsolada, decepcionada.

Sábado de manhã, depois que Laila deixa Bianca na casa de sua mãe, ela vai para o apartamento de Doca.

– Oi, minha bicha preferida!

– Lailinha!

Eles se abraçam, felizes por se encontrarem. Conversam o dia todo, contam as novidades e Laila fala sobre Fernanda.

– Finalmente você encontrou uma mulher para balançar o seu coraçãozinho. Essa tal de Fernanda é poderosa!

– Pára com isso! Ela não balançou meu coração.

– Amiga, os seus olhos brilham quando você fala dela. Você tá apaixonadíssima!

– Não estou não. Ela é gostosa, só isso.

– Tá. Me engana que eu gosto.

À noite, os dois amigos fazem uma super produção.

– Como estou, Lailinha?

– Bicha, arrasou! E eu?

– Você está uma “goddess”! As peruas que se cuidem! Laila Conrado volta a atacar!

– Goddess?!

– Uma deusa, minha cara amiga!

Eles chegam ao bar. Doca cumprimenta várias pessoas.

– Você conhece todo mundo?

– Quase! Olha lá a minha musa! Vamos falar com ela. Juliana Farina, meu amor, minha paixão, minha estrela maior!

– Oi, meu amigo! Bom te ver aqui!

– Oi, Juliana! Eu vim!

– Fico muito feliz que tenha vindo. Vocês vieram juntos?

– Sim! Doca e eu somos amigos antigos.

– Ai, mona! Antigos? Que horror!

Doca leva Laila para conhecer o bar, enquanto Juliana Farina não começa a cantar.

– Vou pegar uma bebida pra mim. Você quer alguma coisa, Doca?

– Agora não. Antes, farei um reconhecimento do território, se é que me entende.

Laila sorri e vai para o bar. Pede uma bebida e quando se vira, percebe que uma mulher está olhando para ela. Laila vai até a mesa onde está a mulher.

– Boa noite! É impressão minha ou aquele olhar fatal era pra mim?

– Não é impressão. Foi pra você.

– Posso me sentar aqui?

– Por favor.

Uma mulata com um corpo escultural, se insinua para Laila.

A banda começa a tocar, e Juliana Farina, com sua voz aveludada, arranca aplausos, gritos e assovios da galera. Ela começa a cantar uma música romântica.

– Qual o seu nome?

– Fernanda.

– Como é?! Você disse Fernanda?

– Sim. E o seu?

– Eu mereço.

– O que disse?

– Laila. Meu nome é Laila. Quer dançar comigo?

Fernanda se esfregava no corpo de Laila de uma maneira excitante. Laila beijou a boca da mulher tentadora.

– Nossa! Você me deixou sem ar, Laila! Que delícia de beijo!

Laila passou a língua pelo pescoço de Fernanda e mordiscou sua orelha. A mulata gemeu.

– Você não quer sair daqui e ir para um lugar mais… Aconchegante?

– Não precisamos sair daqui, basta sermos discretas. Vi que tem uma boate lá em cima, vamos?

Elas sobem e encontram um lugar escuro. Laila encosta a mulata contra a parede.

– Vestidos facilitam tanto as coisas.

Laila passa sua mão pelas pernas de Fernanda e vai subindo.

– Ai, caramba! Você está sem calcinha?

– Uhum.

– Gostosa!

– Ai, Laila! Como você faz gostoso! Ai, ai! Hmmm…

Fernanda rebola, mexe e geme, e treme e… Goza!

– Uau! Você é fera, Laila! Que delícia! Quero mais!

– Mais tarde, ok? Vamos descer? Quero ver Juliana Farina cantando.

Elas descem e Fernanda vai para a mesa.

– Você não vai ficar aqui comigo?

– Vou ao banheiro, depois eu volto.

Laila entra no banheiro. Depois, procura por Doca.

– Oi!

– Onde você estava?

– Lá em cima, no escurinho com uma mulata… Nossa!

– Mas já? Não perdeu tempo, né amiga?

– Ela me quis e eu a fiz feliz! Acho que não vou dormir em seu apartamento hoje.

– Deixe de ser boba, pode levar a mulata pra lá e divirta-se!

– De jeito nenhum! Lembra do nosso combinado? Namorar em casa, sexo no motel.

– Está certa! Qual o nome da felizarda?

– Fernanda.

– O que?!

Doca dá gargalhada.

– Pára de rir, Doca. Não tem graça.

– Ah, tem sim!

Ele continua rindo e Laila volta para ficar com Fernanda. Em uma mesa, ela vê duas mulheres conversando. Ela se aproxima.

– Fernanda?!

– Laila?!

Fernanda se levanta e elas ficam se olhando, sem nada dizer. Até que a mulher que estava conversando com Fernanda fala:

– Estou atrapalhando o clima? Se quiserem, posso sair e deixar vocês a sós.

– Não está atrapalhando nada. Eu já estou indo.

Fernanda segura o braço de Laila.

– Espere. Quero falar com você.

Fernanda leva Laila para a parte de cima, onde tem uma sacada.

– Como você está? E Bianca?

– Estamos bem. E você?

– Bem também. Nunca imaginei te encontrar aqui.

– Nem eu. Você deixou sua namorada lá sozinha, isso é deselegante.

– Ela não é minha namorada. Acabei de conhecer.

– Mesmo assim, é deselegante. Vamos.

– Por que está fazendo isso?

– Isso o que? Eu não estou fazendo nada.

– Está sim! Está fugindo de mim. Por quê? Do que você tem medo?

– Pára com isso! Não tenho medo de nada. Eu vim aqui para me divertir e não para ficar numa sacada conversando com você.

– Está certo. Também vim para me divertir.

As duas descem as escadas e cada uma vai para uma mesa.

– Você demorou, Laila! Pensei que tivesse ido embora e me deixado aqui, sozinha e carente.

Laila parece nem escutar o que Fernanda diz. Ela fica olhando para a outra Fernanda e vê quando ela beija a mulher na boca. Laila também faz o mesmo. Beija a mulata e Fernanda vê.

– Vamos dançar. – Pede Laila.

Vendo Laila dançando, Fernanda também vai dançar com a mulher. Elas se olham, e beijam as mulheres que estão com elas.

A banda começa a tocar uma música e, antes de cantar, Juliana Farina diz:

– Vou oferecer esta música às minhas mais novas amigas. Laila e Fernanda, esta é para vocês.

“Despir”, é a música oferecida para elas.

– Nossa! Juliana ofereceu a música pra nós duas! Que amor!

– Cala a boca, garota! Não foi pra você que ela ofereceu, foi para a outra Fernanda.

– Outra Fernanda? Quem?

– Não interessa. Desculpe, eu fui grosseira com você. Me perdoa.

– Tudo bem. Mas eu não entendi nada.

– Não precisa entender. Vem cá, me dá um beijo bem gostoso.

Durante quase toda a noite, Laila e Fernanda trocaram olhares. Laila saiu com a mulata para o motel.

– Ah, Laila! Você é demais! Nossa! Ai… Que loucura!

Mesmo se deliciando com a mulata de corpo escultural, Laila não conseguiu tirar a outra Fernanda da cabeça.

Fernanda e a mulher também estavam em um motel.

– Ah, Fernanda! Que delícia! Você faz tão gostoso! Hmmm…

Fernanda só pensava em Laila.

Pela manhã, Laila leva Fernanda para casa e chega ao apartamento de Doca.

– Bom dia, minha gostosa! E aí? Como foi a sua noite?

– Prazerosa. E a sua?

– Não é Facebook, mas eu curti muito!

Laila e Doca tomam o café da manhã e ela se despede do amigo.

– Ah, amor! Fica! Vai embora amanhã!

– Não posso meu amigo! Ainda vou a Cabo Frio buscar Bianca e depois voltar para Itatiaia. A estrada é longa!

– E o helicóptero?

– O helicóptero não é meu, Doca. Bem que você poderia me visitar no próximo final de semana.

– Não dá amiga! Até o próximo mês estou cheio de Congressos para fazer. Mas prometo que quando acabar, eu vou tirar uns dias de férias na sua terrinha, tá bom? Manda um beijãozão para a minha Bibi! Amo-te!

– Também te amo! Ah! Antes que eu me esqueça, dei o número do seu telefone para a mulata. E pode esperar, ela vai ligar!

– Sua bandida!

Laila sai rindo e pega a estrada em direção a cabo Frio.

Duas semanas se passaram. Laila havia saído da loja para almoçar e uma pessoa a procura.

– Boa tarde! Laila está?

– Não, ela foi almoçar. Quem quer falar com ela?

– Meu nome é Fernanda. A senhora poderia passar um recado para ela?

– Claro!

Uma hora depois, Laila volta à loja.

– Laila, tenho um recado para você.

– Recado? De quem, dona Lisinha?

– Fernanda. Ela disse para você procurá-la no hotel, pois, quer falar com você.

– Fernanda?! Aqui? Dona Lisinha, eu posso…

– Vai minha filha! Acho que o assunto deve ser  muito importante.

– Obrigada!

Laila beija a senhora e vai para o hotel.

Dessa vez, Fernanda não estava sozinha. Pediu para que Nina a acompanhasse como sua assistente. Elas estavam no quarto de Fernanda.

– Você entendeu o que eu quero?

– Entendi, Fernanda, claro!

– Não pode haver nenhuma falha. O velho é duro na queda, e em hipótese alguma, pode saber que a maior interessada sou eu.

– Deixa comigo.

– Nina, eu vou sair. Se precisar comprar um vestido para o jantar desta noite, compre e mande colocar em meu nome.

– Aonde você vai?

– Resolver um assunto pessoal. Não se esqueça de levar o tablet para o seu quarto.

Fernanda sai e Nina continua em seu quarto.

– Hoje você não vai resistir à surpresa que estou preparando, Fernanda Oedam!

Laila chega ao hotel e se apresenta à recepção.

– Ah, sim! Senhorita Laila Conrado? A senhorita Fernanda nos avisou de sua chegada. Pode subir.

– Obrigada!

Laila bate à porta do quarto de Fernanda. Nina, enrolada em uma toalha e com os cabelos molhados, abre a porta.

– Pois não?

– Ah… Eu… Desculpe! Acho que errei de quarto.

– Quem você está procurando?

– Fernanda Oedam. Ela pediu que eu viesse.

– O quarto é este mesmo, mas ela não está. Quer deixar algum recado?

– Não. Obrigada.

Laila sai do hotel e volta para a loja.

– O que houve, minha filha? Por que esses olhinhos tão tristes?

– Não foi nada, dona Lisinha.

Laila não consegue se concentrar em seu trabalho.

“Pra que ela me chamou no hotel? Para ver aquela mulher? Por quê?”

– Laila?

– Sim, dona Lisinha!

– A cliente está falando com você. Não está ouvindo?

– Ah, desculpe! Pois não, senhora.

Quando a cliente sai, dona Lisinha fala com Laila.

– Pode ir para casa, minha filha. Sinto que você não está bem. Vai descansar.

– Me perdoe, dona Lisinha.

– Vai, filha!

Laila aceita a sugestão da dona da loja e vai embora.

Fernanda entra em seu quarto e se depara com uma cena inusitada

– O que é isso?!

Ela vê Nina vestida com lingerie sedutora e deitada na cama. No criado-mudo, havia champanhe e um vaso com rosas vermelhas.

– O que significa isso, Nina?

– Fiz pra você. Vem!

Fernanda, muito irritada, pega no braço de Nina e a joga para fora do quarto.

– Não faça isso, Fernanda! Por favor!

– Depois vamos conversar sobre essa palhaçada. Hoje preciso de você, então, antes que eu perca a cabeça, vai para o seu quarto. Espere!

Fernanda pega o balde com o champanhe e o vaso, e entrega a ela.

– Leve isso com você e faça bom proveito.

Fernanda sente um cheiro forte no quarto e abre as janelas.

– Que perfume enjoativo!

Ela pega o telefone e liga para a recepção.

– Eu estou esperando uma visita. Por favor, assim que ela chegar, pede para subir em meu quarto.

– A senhora está falando da senhorita Laila Conrado?

– Isso mesmo.

– Ela já esteve aqui, mas foi embora rapidamente.

– Deixou algum recado pra mim?

– Não, senhora. Nenhum.

– Obrigada.

Fernanda vai à loja.

– Ela não estava se sentindo bem e pedi que ela fosse embora.

– A senhora sabe para onde ela foi?

– Não sei. O que você fez a ela?

– Eu?! Não fiz nada.

– Eu dei o seu recado e ela saiu em seguida para te procurar no hotel. Quando voltou, estava muito chateada. Os olhinhos dela estavam tão tristes!

– Eu nem a vi. Eu a esperava no hotel depois das 17 horas. Não é nesse horário que ela sai da loja?

– É sim! Ela sai e pega Bianca na escola. Mas quando passei o seu recado, ela ficou bem agitada e pediu para sair, e eu deixei.

– Obrigada.

Fernanda sai da loja e vai para a casa de Laila, mas não a encontra.

“Já sei onde você está”.

– Oi, pilota!

– Oi.

– Posso me sentar ao seu lado?

– À vontade! A propriedade é sua.

Fernanda se senta.

– A dona da loja me disse que você voltou chateada do hotel.

– Impressão dela.

– Você viu Nina em meu quarto, não foi?

– Não foi pra isso que você me chamou lá?

– Não. Eu não sabia que você ia aparecer àquela hora. Pensei que fosse esperar sair do trabalho.

– Ah! Então cheguei na hora errada? Ou talvez na hora certa.

– Não foi isso o que eu quis dizer.

– O que foi então?

– Eu esperava você depois das 17 horas, porque queria te convidar para jantar comigo no hotel. E Nina nem deveria estar em meu quarto.

– Jantar com você e com a sua mulher? Pra que?

– Nina não é minha mulher, é minha assistente.

– Você costuma se hospedar com suas funcionárias no mesmo quarto?

– Nina está em outro quarto. Você a encontrou lá, porque tínhamos acabado de acertar algumas coisas do trabalho.

– Sua assistente trabalha só de toalha? Interessante!

– Você está com ciúmes?

Laila gargalhou.

– Não seja pretensiosa!

– E por que está tão zangada?

– Não estou zangada.

– Está sim! E morrendo de ciúmes.

Laila se levantou.

– Olha aqui, senhora Fernanda Oedam, não tenho nada haver com os seus romances. Venho aqui para ficar sozinha e pensar, sempre faço isso. Mas se não posso ter minha privacidade, então é melhor eu ir embora.

Fernanda também se levanta e agarra Laila.

– Solte-me!

– Você poderia calar a boca e me ouvir?

– Não.

Elas ficam no duelo de olhares… E se beijam.

Sem soltar Laila, Fernanda fala:

– Pedi para que fosse ao hotel, porque precisava falar algo muito importante. Só não sei como começar, nunca passei por isso.

– O que você quer?

– Eu quero…

Fernanda tenta encontrar as palavras.

– Eu gostaria… Eu pensei…

– Mas que droga! Fala logo!

– Laila Conrado… Você quer se casar comigo?

– O que?!

Laila dá gargalhada.

– Você bebeu? Cheirou cola? Bateu com a cabeça?

– Pare de zombar. Já está sendo tão difícil e você fica debochando? Se não quer, diga logo e te deixo em paz.

– Você está falando sério?

– Nunca falei tão sério em toda a minha vida.

– O que aconteceu com a mulher inteligente?

– Ela resolveu me abandonar e, sinceramente, não estou entendendo o que está acontecendo comigo.

– Não mesmo? Pois eu vou te explicar, mulher inteligente! Você está completamente apaixonada por mim… Louquinha! Você está me amando, Fernanda Oedam!

– Eu sabia! Não deveria ter dito nada! Agora você vai rir às minhas custas até a próxima encarnação.

– Tsc Tsc… Ainda não dei minha resposta. Sempre sonhei com um pedido de casamento romântico. Será que você seria capaz de realizar meu sonho?

– Diga qual é e eu verei se posso fazer.

– De joelhos, segurando minha mão.

– Como é?! Ficou louca?

– É assim ou não tem negócio. Isso, se você realmente estiver falando a verdade sobre querer se casar comigo. Se fosse eu a pedir alguém em casamento, eu ficaria de joelhos sem problema algum.

– E quem me garante que depois que eu pagar esse mico, sua resposta será sim?

– Tente!

Contrariada, Fernanda fica de joelhos e faz o pedido.

– Laila Conrado, você quer se casar comigo?

Laila ri.

– Sabia que um dia, eu ia ter você aos meus pés!

– Humpft.

Laila também se ajoelha e beija Fernanda.

– Sim, Fernanda Oedam! Eu aceito me casar com você. Mas antes, preciso te contar um segredo.

– Não vai me dizer que você já é casada?

– Não! Eu menti sobre o sonho bobo de ser pedida em casamento por alguém de joelhos. Eu só queria te ver assim, aos meus pés.

– Vou te fazer calar a boca do meu jeito.

Fernanda cala a boca de Laila com um beijo.

Elas voltam para a cidade. Laila e Fernanda pegam Bianca na escola. Quando a menina vê Fernanda, corre para abraçá-la.

– Hei, garotinha! Também estou aqui! Lembra? Sou sua mãe.

– Oi, mãe!

– Vamos para casa, preciso ter uma conversa com você.

– Eu não fiz nada! Eu juro!

– Você vai para o hotel jantar comigo?

– Vou. Até mais tarde.

Em casa, Laila conta a novidade para Bianca.

– “Yes”! Eu sabia que vocês iam ficar juntas! Foram feitas uma para a outra.

– Você não ficou zangada? Triste?

– Não, mamãe! Estou muito feliz! Eu te amo e amo Fernanda também. E vocês se amam!

– Isso mesmo! Fernanda e eu nos amamos muito. Você me deixou muito feliz. Te amo, minha vidinha!

– Te amo, mamãe!

Fernanda, Laila e Bianca estão no restaurante do hotel. Em outra mesa, Nina está jantando com um homem. A conversa não parecia amigável.

– Aquela não é a mulher da toalha?

– É. A mulher do lingerie.

– Hã?!

– Esquece!

Minutos depois, Nina sai da mesa e faz um sinal para Fernanda acompanhá-la.

– Com licença, eu já volto.

Elas vão para o quarto.

– Aquele homem é grosseiro e ignorante. Parece mais com um cavalo dando coices.

– Isso quer dizer que você não conseguiu nada.

– Esquece, Fernanda! Será impossível você conseguir alguma coisa dele. Sinto muito.

– Droga! Eu preciso daquela propriedade! Tenho que arranjar um jeito de conseguir isso.

Fernanda estava saindo, quando Nina a segurou.

– Espere! Preciso falar com você, te pedir desculpas sobre o que houve esta tarde.

– Depois falaremos sobre isso, Nina.

Quando Fernanda retorna ao restaurante, fica surpresa ao ver Laila e Bianca à mesa do homem que estava jantando com Nina. Laila e Bianca estavam rindo.

Fernanda se senta à sua mesa. Quando vê que Fernanda havia voltado, Laila e Bianca se despedem do homem com um abraço. Ele vai embora.

– Você conhece aquele homem?

– Você está falando do Seu Bartolomeu? Sim! Ele e meus pais são amigos há anos. Meu pai e ele costumavam pescar quase todos os dias depois do trabalho. Por quê?

– Laila Conrado! Acho que você me salvou!

– Salvei? Que bom! Mas do que?

– Ele está vendendo uma de suas propriedades e preciso comprar dele.

– Fale com ele!

– Já falei! Mas ele não quer vender pra mim. Disse que odeia Construtoras.

– Entendi! E você quer que eu o convença a vender pra você. Acertei?

– Acertou. Você faria isso por mim?

– Por que você quer outra fazenda, se já tem a de Lara?

– Porque tenho outros planos, outros projetos, e a fazenda do velho vai servir exatamente para o que eu preciso. Por favor, Laila, fale com ele!

– Para convencê-lo, eu teria que ter um argumento justo e convincente.

Fernanda fica olhando para Laila. Parecia querer esconder alguma coisa.

– O que você pretende construir na fazenda de Bartolomeu?

– Um condomínio de luxo.

– Outro?! Acho que você está me escondendo alguma coisa, Fernanda.

– Estou mesmo. Era para ser uma surpresa, mas se não tem outro jeito…

Depois de ouvir Fernanda, Laila pula no colo dela e a beija, no rosto.

– Obrigada! Você está me fazendo a mulher mais feliz do mundo! Não se preocupe! A fazenda de Bartolomeu será sua, ou eu não me chamo Laila Conrado.

No dia seguinte, Laila procura Bartolomeu. Depois de ouvir os argumentos de Laila, o velho Bartolomeu vende a fazenda para Fernanda.

Dois meses depois…

– Minha amiga, você está simplesmente… Divina!

– Sério Doca? Não estou parecendo uma camponesa idiota?

– Não, mamãe! Você está linda! Parece uma princesa!

– Ok! Vamos logo, antes que eu desista.

Fernanda e Laila se casam na fazenda que era de Lara. Uma grande festa comemora a união entre elas. Juliana Farina e Banda animam a festa.

– Venha comigo, Laila.

– Pra onde?

– Para a nossa árvore!

Quando elas chegam à árvore, na beira do riacho, Fernanda entrega a ela um papel.

– O que é isso?

– É meu presente de casamento para você.

Quando Laila lê o que está escrito, ela chora e abraça Fernanda.

– Esta fazenda é sua! É nossa!

– Obrigada, Fernanda! Pena que não posso fazer isso pelo meu pai, mas sei que ele está vendo e está muito feliz.

Elas se beijam e voltam para a festa. Juliana fala ao microfone.

– Laila e Fernanda, agora vou cantar uma música para vocês. Laila, ainda bem que estou cantando para você nessa encarnação, não é? Parabéns e muitas felicidades!

Juliana Farina começa a cantar “Despir”. Fernanda e Laila dançam.

– Sempre achei que faltava alguma coisa em minha vida, e agora, mesmo sem saber o que faltava, eu estou me sentindo completa.

– Você não sabe o que faltava para se sentir assim, Fernanda?

– Não. Você sabe?

– Sei.

– Diz, Laila!

– Só faltava o amor!

FIM

“Qualquer semelhança com nomes e acontecimentos, terá sido mera coincidência. Não são fatos reais”.

OBS: Apenas um nome é real, mas as ocorrências não fazem parte da realidade. Juliana Farina autorizou usar seu nome.

copyright© – Todos os direitos reservados

Plagio é crime e está previsto. no artigo 184 do código penal.

SÓ FALTAVA O AMOR – PARTE I

“Tinha dinheiro, trabalho, cargo, sucesso, mulheres, viagens, sexo, gastronomia… Tinha tudo! Mas…

– Você não pode me demitir!

– Posso sim! Vá até o Departamento de Pessoal para acertar suas contas. E espero não ter que ver a sua cara nunca mais.

– Isso não é justo! Fernanda, por favor…

– Adeus!

Fernanda Oedam é uma empresária de sucesso. Rígida e competente, não suporta pessoas que não correspondam às suas expectativas.

Com a aposentadoria de seu pai, Fernanda herdou a Construtora Oedam, uma das mais importantes do País, e há 2 anos, administra magistralmente, com pulso firme.

– Com licença, Fernanda.

– Entre, dona Norma.

Norma é secretária da empresa há 15 anos. Pessoa de confiança do pai de Fernanda, e agora, dela.

– O que houve com Camila? Ela saiu soltando fumaça pelas ventas.

– Eu a demiti.

– Demitiu?! Por quê?

– Porque ela é incompetente. E não suporto pessoas que misturam a vida pessoal com a profissional. A senhora trouxe os relatórios que pedi?

– Sim. Estão todos revisados, só falta você assinar.

Fernanda pega a pasta das mãos de Norma.

– Depois que eu ler tudo e constatar que está como pedi, eu te chamo. Obrigada.

Norma entendeu o recado e saiu da sala.

Depois de um dia cheio, Fernanda vai para o seu duplex, em um dos prédios construídos pela Construtora Oedam.

Toma banho, se veste, e sai para jantar em seu restaurante preferido. Bebe uma taça de vinho, enquanto aguarda sua amiga.

Uma linda mulher, com cabelos longos e castanhos, chega ao restaurante. Dá um beijo em Fernanda e se senta. Fernanda olha para o relógio.

– Ah, não, Fernanda! Sem neurose, por favor.

– Você está atrasada 40 minutos. Eu já estava desistindo de te esperar.

– Cheguei! Pronto! Você já pediu?

– Ainda não.

Elas olham o cardápio e fazem os pedidos. Depois de jantarem, elas saem em direção a uma boate.

– Fernanda, nem sei como te agradecer por me acompanhar a esta festa. Não conseguiria ir sozinha.

– Não se preocupe! Você fica me devendo.

Ao entrarem na boate, elas se dirigem a uma mesa, onde estão várias mulheres.

– Paula?! Eu não acredito que você veio!

– Nem eu, Nina! Nem eu.

As amigas se cumprimentam.

– Você não vai me apresentar à sua amiga?

– Ah, claro!

Paula apresenta Nina para Fernanda.

– Nina, elas já chegaram?

– Sim. Estão na pista de dança. Tem certeza que você quer ver isso? Digo… As duas juntas?

– Tenho. Preciso ver para tentar esquecer.

– Tudo bem. É você quem sabe.

Em seguida, duas mulheres chegam à mesa. Uma delas cumprimenta Paula.

– Oi, Paula. Como você está?

– Apesar das circunstâncias, estou bem. E você, Cláudia?

– Bem também. Paula, eu gostaria de te pedir um favor.

– Não precisa se preocupar. Não darei escândalos.

– Obrigada.

Paula e Cláudia namoraram durante 3 anos e pensavam em morar juntas. Até que Eliana apareceu e as separou.

Cláudia se senta ao lado de sua atual namorada. Eliana parecia fazer de tudo para provocar Paula.

– Amiga, finja que não está vendo.

– Ai que vontade eu tenho de matar essa garota.

– Mas é exatamente isso o que ela quer. Que você perca o controle e desça do salto. Paula, não dê esse gostinho a ela. Você é superior a isso.

– Obrigada, Nina. Onde está Fernanda?

– Não sei. Deve ter ido ao banheiro. Aliás, você e ela…

– Não! Fernanda é minha amiga há anos.

– Ela é solteira?

– Solteiríssima! Mas esquece, Nina! Fernanda não se apega a ninguém, só pega.

– Isso porque ela ainda não provou a doce Nina.

– Ok! Depois não diga que eu não avisei.

Do outro lado da boate, Fernanda conversa com uma mulher.

– Estamos conversando há alguns minutos e eu ainda não sei o seu nome.

– Lenise. E o seu?

– Fernanda. Você está sozinha ou acompanhada?

– Estou com meu namorado. A irmã dele é homossexual e está comemorando o aniversário aqui, por isso eu vim.

– Entendo. Então, aquele olhar, a insinuação… Foi imaginação minha?

– Não. – Respondeu a garota, com um sorriso tímido.

– Quer ir para um lugar mais calmo?

– Agora?!

– Sim! Agora!

Lenise procura o namorado.

– Amor, preciso ir embora. Menstruei e não tenho absorvente aqui.

– Caramba, Lenise! Como pôde deixar isso acontecer?

– Não tenho culpa! Adiantou! O que eu posso fazer?

– Minha irmã vai ficar furiosa se eu sair agora.

– Você não precisa ir, pego um táxi.

– Tem certeza? Se quiser…

– Não precisa. Quando eu chegar em casa, eu te ligo.

Enquanto isso, Fernanda se despede de Paula.

– Poxa, Fe! Você prometeu ficar comigo!

– Não. Eu prometi que traria você. Já trouxe, agora vou embora. Sua amiga te faz companhia.

– Fica, Fernanda! Nem tivemos tempo para conversar! – Diz, Nina.

– Preciso ir. Tchau.

Fernanda beija o rosto de Paula e vai embora com Lenise.

– Ai, Fernanda! Que delícia! Ah…

Fernanda e Lenise estão em um motel. Lenise delira com os toques e beijos de Fernanda em seu corpo. Depois de saciadas, Fernanda se levanta e vai para o chuveiro. Lenise a segue e entra no banho com ela.

– Quem é você? Fernanda, você me levou à loucura! Nunca fui tocada desse jeito! Você não deve ser deste mundo.

– Deixe de bobagens, garota!

– Você acredita em amor à primeira vista?

– Não.

– Pois, acredite! Estou completamente apaixonada por você!

Lenise beija a boca de Fernanda e elas fazem amor novamente.

Fernanda leva Lenise para casa.

– Pegue. É o número do meu telefone. Vou esperar você me ligar… Ansiosamente!

Fernanda sai, amassa o papel com o número de telefone e joga fora. Chega ao seu apartamento, se despe e se deita, nua, pegando no sono rapidamente.

– Bom dia, Fernanda! – Diz Norma, seguindo Fernanda, que anda pela empresa. – Sua mãe, sua irmã, doutor Fabrício e a doutora Gislene, telefonaram. Sua mãe quer saber se você vai viajar junto com sua irmã e disse que está morrendo de saudades. Sua irmã quer que você vá com ela escolher o vestido de noiva antes de viajar para a casa de seus pais. Doutor Fabrício disse que os documentos que você pediu já estão prontos, e doutora Gislene, disse que você faltou a 5 sessões e quer falar com você.

– Manoel, por favor, leve os projetos agora mesmo até minha mesa.

– Fernanda, preciso falar com você sobre as obras do Shopping, eles querem…

– Converse comigo quando eu estiver em minha sala.

– Mas eles…

– Você me ouviu, Janaína. Na minha sala.

Fernanda conversa com todos na empresa, fazendo cobranças. Depois se dirige à sua sala. Janaína e Manoel estão à porta, esperando-a.

– Já falo com vocês. Entre Norma, e feche a porta.

Fernanda se senta, abre seu notebook e envia um e.mail.

– Norma, telefone para as pessoas que me ligaram, na ordem dos recados que você me passou.

– Oi, mãe! Estou bem. Não vou viajar com Fabiana, mas estarei no casamento, fique tranquila. Que bobagem! Fabiana quer agradar a amiga, fazendo o vestido de noiva com ela. Sua preocupação é desnecessária! Tanto faz o vestido ser feito no Brasil ou na Europa. Está bem. Ok! Mãe preciso trabalhar, à noite te ligo. Beijo.

Norma faz uma nova ligação.

– Oi, Fabiana! Não prometi que iria com você escolher o vestido? Sempre cumpro minhas promessas. Quando você vai? Ok! Até lá! Beijos.

Outra ligação.

– Se os documentos estão prontos, por que ainda não estão em minha mesa? Até logo, doutor Fabrício.

Última ligação.

– Doutora, você sabe que sou uma mulher muito ocupada e tenho minhas prioridades. Hoje? Às 15 horas? Um momento, eu vou consultar minha agenda. – Fernanda olha para Norma. – Confirmado! Estarei em seu consultório às 15 horas.

A manhã passa rapidamente. Fernanda sai para almoçar e avisa Norma que não voltaria mais. Às 15 horas em ponto, Fernanda chega ao consultório da doutora Gislene.

– Como se sente, Fernanda?

– Muito bem! E você?

Gislene sorri.

– Sei o quanto deve ser desagradável para você ter que vir às consultas, mas é uma ordem judicial e deve ser cumprida.

– Outro dia te perguntei se a mãe da menina também está fazendo terapia. Já tem a resposta?

– Tenho. Ela não está fazendo terapia.

– Está vendo? A mulher é louca e não está em terapia. É ela quem precisa, não eu.

– Você não precisa se zangar comigo, só estou fazendo meu trabalho.

– Ok! Quer falar sobre o que?

– Fale o que quiser falar. Estou aqui para te ouvir.

– Certo. Bom… Na verdade, não tenho nada para falar. Quer perguntar alguma coisa?

– Fale sobre a sua família. Como é o relacionamento de vocês?

– Normal. Papai, mamãe, irmãzinha, futuro cunhado, não temos cachorros, nem gatos, somos ricos, trabalhamos… Enfim! O que mais quer saber?

– Se o bom humor é de família. – Diz a doutora, sorrindo.

– Todos tem um ótimo humor, menos eu. Detesto piadas, não assisto a programas humorísticos, nunca gostei de circo porque o palhaço é sem graça e acho que não temos muito sobre o que falar, não é, doutora?

– Você é casada? Tem filhos?

– Você já leu isso na ficha que preenchi, não foi?

– Foi. Mas gostaria que você falasse. Tem algum problema com isso?

– Problema eu teria se tivesse um marido que ficasse grudado no sofá, em frente à televisão, enquanto eu estivesse cuidando de um bebe chorão.

– Você não tem namorado?

– Não. Nem pretendo ter.

Fernanda olha para o relógio.

– Ainda temos bastante tempo, Fernanda. Fale-me o que você gosta de fazer.

– Trabalhar.

– É a única coisa que te dá prazer? Trabalhar?

– Tem outras coisas que me dão prazer, mas não sei se é conveniente eu falar.

– Experimente!

– Uma coisa que me dá muito prazer, é imaginar uma mulher bonita como você, na cama comigo. Eu tiraria a sua roupa devagar, tocaria seu corpo lentamente e beijaria você, do jeito que nunca foi beijada.

Gislene se mexe na cadeira.

– Imagine minha língua passeando por todo o seu corpo, fazendo-a tremer, gemer, gozar… Isso me dá muito prazer.

Desta vez, quem olha no relógio, é Gislene.

– Acho que podemos terminar esta sessão. Vou marcar para depois de amanhã, no mesmo horário. Está bem pra você?

– Sim. E pra você, doutora?

– Até logo, Fernanda.

Fernanda saí, dando risada.

– Que vaca! – Diz Gislene, irritada, mas sorrindo.

Depois de tomar um banho, Fernanda sai para jantar e vai para a mesma boate que esteve na noite passada. Olha para as lindas mulheres dançando e escolhe uma.

– Boa noite! É impressão minha ou você estava dançando pra mim?

– Fico feliz que tenha notado.

As duas saem da boate, diretamente para um motel.

– Ah, Fernanda! Ai, que gostoso! Mais…Assim…Ah…

Fernanda leva a mulher para casa, pega o número de telefone, amassa o papel e joga fora. Chegando ao seu apartamento, dorme tranquilamente.

– Dona Norma, entregue os documentos para o doutor Fabrício, eles estão assinados sobre minha mesa. Peça para que ele dê entrada ainda hoje.

No dia marcado, Fernanda chega ao consultório da doutora Gislene.

– Boa tarde, doutora!

– Boa tarde, Fernanda! Como você está?

– Muito bem e você?

– Ótima. Fale-me sobre o seu trabalho.

– É sobre isso mesmo que quer que eu fale?

Fernanda sorri.

– É, Fernanda. Parece-me que você gosta muito do que faz.

– Gosto muito. O que vai fazer esta noite?

– O que?!

– Gostaria de sair comigo para jantar?

– Fernanda, você precisa entender que sou sua terapeuta e você está aqui para cumprir…

– Uma ordem judicial. É,eu sei! Mas você janta… Não janta?

– Janto, claro! Mas…

– Então! Posso passar em sua casa para pegá-la às 20 horas.

– Você não está entendendo. Eu não posso sair com você.

– Por que não? Seu marido não deixa você sair com uma amiga para jantar e jogar conversa fora?

– Não sou casada. Mas a questão não é essa. Você é minha paciente! Não podemos…

– Deixo de ser. Você sabe que não tenho problema algum e pode me dar alta. Aí, podemos sair. É só um jantar inofensivo! Que mal há nisso?

Gislene escreve seu endereço em um papel e entrega à Fernanda.

– Estarei pronta às 20 horas.

Fernanda sorri, vitoriosa. No carro, ela fala em voz alta.

– Hoje é você quem será analisada, doutora. – Diz Fernanda, sorrindo.

Às 20 horas em ponto, Fernanda pega Gislene.

– Sempre ouvi falar que este restaurante tem a melhor comida da cidade, mas nunca tive oportunidade de vir.

– Janto aqui todas as noites. Não só a comida é de qualidade, mas o atendimento também.

O garçom chega à mesa e cumprimenta Fernanda, entregando-lhe o cardápio.

– O que vai beber, doutora?

– Um vinho. Deixo à sua escolha.

Fernanda pede o vinho ao garçom, que traz em seguida, servindo-as.

– Vamos brindar.

– Brindaremos a que?

– À nossa nova amizade e à minha alta.

– Ainda não te dei alta.

– Está jantando comigo como minha terapeuta? Você não disse que não poderia fazer isso?

– Posso sim. É uma análise fora do consultório. Quero ver como você se comporta.

– Sei. Tim-Tim!

Enquanto jantam, conversam sobre o que levou Fernanda a ter que fazer terapia e cumprir a ordem judicial.

– O que você faria se visse uma criança sendo espancada em um shopping ou em qualquer outro lugar? Eu não aguentei, tive que fazê-la parar.

– Você poderia ter resolvido isso de outra maneira.

– Como?

– Chamando a segurança do shopping, ligando para a polícia, tentando um diálogo com a mulher.

– Eu tentei. Mas ela me mandou calar a boca e disse que eu não deveria me meter em assuntos familiares. Pedi que ela parasse de bater na menina, que estava chorando, assustada. A mulher continuou gritando com a garotinha e batendo nela. Aí, não me segurei. Dei um empurrão na mulher, ela caiu dentro da fonte, e saiu gritando pelo shopping, dizendo que estava sendo agredida.

– Não havia testemunhas?

– Havia, e muitas! Mas parece que as pessoas tem medo de fazer o que é certo, não querem se envolver. Se elas tivessem dito o que a mulher estava fazendo com a menina, nós não estaríamos aqui jantando. Bom, há males que vem para o bem.

Depois do jantar, no carro, Fernanda tenta beijar Gislene.

– Não, Fernanda.

– Por que não? Você não quer?

– Não é isso. É que… Não está certo.

– O que não está certo, é você e eu querermos este beijo e ele não acontecer.

No motel…

– Nossa! Ai, Fernanda! Isso é tão bom…tão gostoso…tão… Ah…

Uma semana depois, Fernanda está no ateliê com sua irmã, para a escolha do vestido de noiva.

– Adorei esse. O que você acha, Fernanda?

– Você ficou linda com todos os vestidos que experimentou. Você só tem que lembrar de uma coisa.

– Do que?

– Você vai se casar na cidade mais fria do mundo e estes vestidos são para o clima brasileiro. Você vai congelar, irmãzinha.

– Ah, meu Deus! Esqueci desse detalhe!

– Tenha calma, Fabiana! Já sei qual vestido você vai usar. Espere, eu já volto.

A amiga de Fabiana sai. Minutos depois, volta com outro vestido de noiva.

– É este! Amei! O que achou, Fe?

– Linda! Muito linda!

– Você teve sorte, Fabiana! Este vestido foi criado há dois dias e ninguém ainda o tinha visto. Exclusivo para você, minha amiga.

– Sério? E quando posso levá-lo?

– Teremos que fazer alguns ajustes. Amanhã você volta para provar e ficando bom, te entrego em dois dias.

– Perfeito! Você vai ao meu casamento, não vai?

– Vou tentar. Farei o possível para ir.

Depois que saem do ateliê, Fernanda e sua irmã vão se encontrar com Christian, o noivo de Fabiana.

– Como vai, Fernanda?

– Estou bem e você, cunhado?

– Ansioso para casar com sua irmã.

– Oh, que lindo! Te amo, Chris!

O casal se beija, apaixonado.

– Vocês vão fazer o que?

– Vamos para o hotel. Por quê? Vai nos convidar para algum evento?

– Pensei em jantarmos juntos esta noite.

– Ótima ideia, maninha! No restaurante de sempre?

– Sim. Às 20 horas estarei lá, esperando por vocês.

No jantar, Fernanda lhes entregou o presente de casamento. Passagens de avião, e hospedagem, para o Caribe.

– Ah, meu Deus! Eu não acredito! Ah, Fe! Obrigada! – Disse Fabiana, abraçando a irmã.

– Obrigado, Fernanda. Sabia do sonho de Fabiana, mas não poderia dar-lhe esse presente de lua-de-mel.

– Vocês merecem! Quero que sejam muito felizes.

– Nós seremos, Fe! Nós seremos.

Após o jantar, Fernanda leva sua irmã e seu cunhado ao hotel e vai para casa.

No dia seguinte, ela recebe a ligação da doutora Gislene.

– Já falei com o promotor sobre sua alta. Está livre de mim, Fernanda.

– Que bom! Fico feliz!

– Fica feliz em se ver livre de mim?

– Não! Estou falando sobre a alta.

– Ah, fiquei preocupada. Você tem algum compromisso para esta noite?

– Sim. Vou ficar com minha irmã enquanto ela está no Brasil. Na próxima semana ela viaja para Londres e ficaremos algum tempo sem nos ver.

– Que pena. Pensei em repetirmos aquela noite maravilhosa. O jantar, o vinho… E todo o resto.

– Vamos deixar para outra ocasião. Até que minha irmã viaje, estarei com ela todas as noites.

– Está certo. Você tem meu telefone, quando quiser e puder, me ligue. Vou esperar.

Fernanda desliga o telefone e pensa:

“Vai esperando, doutora. Vai esperando!”

Londres – Casamento de Fabiana e Christian

– Parabéns, minha irmã! Desejo a você toda a felicidade do mundo. E se esse cara não te fizer feliz, fale comigo.

– Obrigada, mana! Te amo!

Festa, dança, boa comida, os noivos e suas famílias felizes… E uma linda mulher britânica, na cama, com Fernanda.

De volta ao Brasil, a rotina de Fernanda foi cortada por um convite especial.

– Claro que eu aceito!

– Obrigada, Fernanda! Você não imagina como me deixa feliz. Pensei que você não fosse aceitar ser minha madrinha de casamento.

– Por que pensou isso?

– Porque você não gosta dessas coisas de tradição, clichês.

– Realmente eu não curto isso, mas se é para a felicidade geral da nação… Você sabe que minha irmã se casou, não é? Fui madrinha dela também. Só faço isso por quem eu amo e respeito. Depois de Fabiana e de você, a lista acabou, não serei mais madrinha de ninguém.

– Você deveria se casar também.

– Isso está fora de cogitação. Prezo muito pela minha liberdade.

– Até que apareça a mulher que vai te fazer tremer na base, aquela que vai tirar o seu sono, te deixar nas nuvens e te enlouquecer de paixão!

– Lara, eu amo você. Por que está me rogando praga?

Lara dá gargalhadas.

– Não é praga. É fato! Ninguém consegue viver sem amor, Fernanda!

– E quem te disse que eu vivo sem amor? Eu me amo loucamente, sou completamente apaixonada por mim.

– Você é uma comédia, amiga!

– Diga-me onde e como será esse grande evento.

– Na fazenda, em Itatiaia.

– A fazenda de seu pai? Pensei que ele fosse contra a sua condição sexual e que a tivesse deserdado.

– Realmente ele era contra, mas meu pai faleceu há 3 meses e deixou a herança pra mim. Afinal, eu era a sua única filha.

– E sua mãe? Como ela está?

– Você sabe o quanto minha mãe sofreu por causa das traições de meu pai. Para ela, a morte dele foi uma libertação.

– E o que ela diz sobre você se casar com uma mulher?

– Ela não diz nada. Não sei se aceita ou não, mas estará presente no casamento.

– Vai ser bom rever sua mãe. Gosto muito dela.

– E ela de você. Sempre me pergunta como você está, se já se casou, se tem filhos.

– Diz pra ela que desse mal jamais vou sofrer.

Elas dão gargalhada.

– Fernanda, um dia antes do casamento, um helicóptero virá buscar você e 5 amigos, para levá-los à fazenda. Chegue com 15 minutos de antecedência, está bem?

– Sem problemas. É só me avisar o horário, e onde devo estar para pegar o helicóptero, que estarei lá.

– Obrigada, amiga! Agora preciso ir. Quero comprar algumas coisas para decorar a fazenda e deixá-la linda para o dia mais feliz de minha vida.

As amigas se despedem. À noite, Fernanda vai jantar e quando está saindo do restaurante, alguém a espera.

– Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé.

– O que está fazendo aqui?

– Vim te ver, já que não me ligou. Sabia que iria encontrá-la aqui. Gosto de pessoas que valorizam a rotina, isso me facilita muito a vida.

– O que quer, doutora?

– Você.

– Olha, aquela noite foi interessante, proveitosa, mas esqueci de te avisar uma coisa… Eu não costumo sair mais de uma vez com uma única mulher.

– É assim que você me trata depois do que eu fiz por você?

– Se você está falando sobre a minha alta, creio que estamos quites. Você me deu o que eu queria, e eu te dei o que você queria.

– Você não tem sensibilidade alguma, é incapaz de perceber o que faz com as pessoas. Você as usa e depois joga fora, como se elas fossem um lixo.

– Está me analisando? Este é o seu diagnóstico? Tudo bem. Faça as suas anotações e me enviei pelo correio. Adeus, doutora. Seja feliz!

Fernanda sai, entra em seu carro e vai para casa. Gislene chora.

Um dia antes de ir para a fazenda de Lara, Fernanda vai à boate e encontra Nina.

– Oi, mulher linda! Como vai?

– Olá! Nos conhecemos?

– Sou a Nina, amiga de Paula. Fomos apresentadas, não se lembra?

– Ah, claro! Desculpe-me.

Elas conversam e alguém se aproxima.

– Oi, meu amor! Fiquei louca te procurando, senti a sua falta. Por que não me telefonou?

– Você é…

– Lenise! Nos conhecemos aqui, fomos para o motel, você me deixou em casa… Não acredito que você não se lembra de mim!

– Lembro! Tudo bem com você?

– Agora que te encontrei, sim, tudo bem. Quem é ela?

– Uma amiga. Nina.

– Oi, Nina! Desculpe, mas você terá que nos dar licença. Fernanda e eu temos muito que conversar.

– Claro! Fiquem à vontade.

– Não. Fica, Nina.

– Amor, preciso muito falar com você a sós.

– Garota… Não temos nada para conversar, ok? Aquela noite foi interessante, proveitosa, mas foi… Acabou.

– Como assim? Do que você está falando?

– Eu que não estou entendendo do que você está falando.

– Estou falando sobre nós! Eu te amo! Foi amor à primeira vista! Desde aquela noite eu não consigo parar de pensar em você…

– Hei! Pode ir parando por aqui. Foi só uma transa. Esquece, ok?

– Só uma transa?! Eu terminei um namoro de 2 anos para ficar com você e é assim que você me trata?

– Terminou porque quis. Aliás, você fez um grande favor para o seu namorado. Ele vai ser mais feliz sem você. Você o traiu, saiu com uma mulher que nunca tinha visto na vida e vem com essa conversa de amor à primeira vista? Me poupe, garota! Nina, vamos sair daqui.

– Claro! Com prazer.

– Não, por favor! Não faz isso comigo, Fernanda. Não…

Fernanda entra em seu carro com Nina.

– Desculpe fazer você passar por esta situação constrangedora.

– Eu até me diverti.

– Quer ir para onde?

– Você manda!

Fernanda dá um sorriso malicioso.

– Ai, que delícia! Você faz tão gostoso, Fernanda! Hmmm… Assim…Isso… Ah…

Fernanda leva Nina de volta à boate, pois, seu carro estava lá.

– Obrigada pela linda noite. Adorei!

Nina abre a sua bolsa.

– Olha, nem adianta me passar o número de seu telefone, porque eu não vou ligar.

Nina tira um batom e passa nos lábios.

– Não vou te dar meu telefone. Boa noite, Fernanda!

Nina entra na boate e Fernanda vai embora.

– Menos uma para me dar problema.

Quinze minutos antes do voo, Fernanda estava no heliporto. Um homem aproximou-se dela.

– Bom dia! O voo vai atrasar um pouco. Se quiser, poderá aguardar no escritório.

– Qual o motivo do atraso?

– A pessoa que vai pilotar está presa no trânsito, mas já está chegando.

– Espero que a falta de responsabilidade com o horário, não interfira na capacidade de seu piloto em conduzir o helicóptero.

– Peço desculpas pelo incômodo. Gostaria de ir ao escritório e tomar um café, enquanto aguarda?

Fernanda aceita o convite e aguarda por 40 minutos. Da janela do escritório, ela vê 5 pessoas chegando ao heliporto.

– Alguma daquelas pessoas é o piloto?

O homem olha pela janela.

– Não.

– Obrigada pelo café.

Fernanda sai do escritório, indo em direção às pessoas que acabaram de chegar, e as cumprimenta.

– Bom dia!

– Bom dia, guria! Pensamos que estávamos atrasados.

– Vocês também estão atrasados.

– Tu vais voar conosco?

– Se o piloto chegar, sim.

– Então fique feliz, porque o piloto chegou.

Fernanda e as 5 pessoas olharam em direção ao escritório e viram uma pessoa vestida com roupas de pilotagem e com um capacete.

– Bom dia! Desculpem-me pelo atraso. Podem se acomodar, pois, já vamos zarpar.

O helicóptero levanta voo rumo à Itatiaia.

No Brasil Colonial, o local era habitado pelos índios Tamoios, Puris e Coroados. Em 1937, sob o governo de Getúlio Vargas, Itatiaia foi fundada como primeiro Parque Nacional Brasileiro. Sua economia já passou pela indústria cafeeira, exploração de carvão e atualmente é baseada no turismo.

Localizada na divisa dos estados do RJ e MG, Itatiaia é um dos poucos destinos onde o visitante encontra montanhas, com ótimos lugares para a prática da escalada em rocha e florestas úmidas, com deliciosas cachoeiras. O Parque é dividido em duas partes: a alta, onde encontramos as montanhas, com destaque para o Pico das Agulhas Negras e a baixa, onde predominam as cachoeiras ideais para banho. Um ótimo roteiro para quem gosta de caminhadas.

A temperatura média anual varia entre 15ºC e 27ºC. No inverno pode variar entre 3ºC a 20ºC e no verão entre 25ºC a 28ºC. Para quem vai para parte alta do Parque recomenda-se a temporada entre abril e setembro. Nessa época do ano o clima é seco, apesar de muito frio (geadas são comuns nesse período). Na parte baixa não existe estação seca. O verão é ideal para os banhos de cachoeira, devido às águas geladas.

Itatiaia-RJ – a 170 km do Rio de Janeiro e a 230 km de São Paulo. (fonte: http://www.google.com)

O helicóptero pousa no lindo gramado da fazenda.

– Com licença, senhor. Quero avisá-lo que farei uma reclamação formal à Compania na qual o senhor trabalha. Além do atraso, sua pilotagem foi de uma total insegurança, que colocou em risco a vida dos passageiros.

O piloto retira o capacete, e lindos cabelos negros e longos, voam ao vento. Fernanda fica surpresa ao ver que o piloto é uma mulher.

– Tem toda razão. Peço desculpas pelo atraso. Entretanto, o voo que a senhora achou inseguro, foi devido aos ventos fortes. Mas chegamos sãos e salvos. A senhora quer me dizer mais alguma coisa?

– Você é uma mulher?!

– Sim! De corpo, alma e cabelos. Tem algum preconceito sobre mulheres que pilotam?

– Não. Tenho conceito formado sobre pessoas que não cumprem horários.

– Está certo. Faça a sua reclamação formal. Para isso, vai precisar de meu nome. Laila Conrado, ao seu dispor. Tenha um lindo dia, senhora!

Laila anda em direção á casa e Fernanda a observa.

– Linda mulher! Só precisa ser domada. E eu, terei um imenso prazer em fazer isso, Laila Conrado.

CONTINUA…

23

OBS: Apenas um nome é real, mas as ocorrências não fazem parte da

realidade. Juliana Farina autorizou usar seu nome.

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Plagio é crime e está previsto. no artigo 184 do código penal.

SEDUZA-ME

  

Acabo de perder minha mãe. Minha única família! Minha única amiga. Estou sozinha agora.
Meu marido se separou de mim para ficar com uma jovem, que poderia ser minha filha, nossa filha. Mas nem filhos nós tivemos.
Só existe uma coisa que preenche esse espaço vazio em meu coração: meu trabalho.
Dinah, uma colega, sempre tenta me seduzir com viagens exóticas. Constantemente, ela entra em sites de agência de viagens e tem o sonho de fazer um cruzeiro. Sempre me diz:
– Vamos amiga! Será uma viagem inesquecível!
Não sei por que ela me chama de amiga. Não somos amigas, apenas colegas de trabalho.
Uma vez, Dinah não estava em sua mesa, e vi um site aberto em seu computador. A propaganda era sedutora:
“Você, que se sente só, que não tem ninguém, venha viajar conosco em um cruzeiro inesquecível!”
Vi os preços, destino, fotos do navio e isso me chamou a atenção. Peguei o número de telefone que constava no site e telefonei para a agência. Em duas semanas eu estaria de férias. Marquei a viagem e claro, não falei para Dinah. Nada tenho contra ela, ao contrário, até gosto dela, mas estou sozinha e quero continuar sozinha comigo mesma.
E lá estava eu, a bordo de um luxuoso navio. Do Rio para Santos, de Santos para o Rio. Quatro dias e quatro noites.

Primeiro dia:
Almoço com o comandante. Ele em uma mesa com alguns convidados e os passageiros espalhados pelas mesas do grande salão do restaurante.
Primeira noite:
Jantar com o comandante. Idem.

Música ao vivo, de qualidade.
Pessoas rodopiando pelo salão. Alguns homens distintos me convidaram para dançar. Recusei.
Eu, sentada à mesa, depois de dispensar os elegantes cavalheiros, observei que uma mulher morena, com cabelos longos, pretos, lisos, presos com um rabo de cavalo, estava me olhando e… Sorrindo! Quem será? Talvez uma colega da faculdade? Não estou reconhecendo.
Em certo momento, a mulher levantou a taça em um brinde. E continuou sorrindo para mim. Desviei o olhar. Aquele sorriso começava a me incomodar. Mas olhei novamente e lá estava ela… Sorrindo! Pude ver que seus olhos eram verdes.
Levantei-me e fui em direção à minha cabine. Na passagem entre o salão e o corredor que leva às cabines, a mulher sorridente impediu o meu caminho.
– Com licença, por favor.
Falei um tanto irritada. Ela sorriu… De novo!
– Você não me ouviu?
– Ouvi. Por quê?
– Por que o que? Por que peço licença?
– Não. Por que vai embora?
– Porque estou cansada e vou dormir.
– Sozinha?
– Sim. Sozinha.
– Um desperdício!
– O que?
– Bem, pensei em sentarmos, tomarmos uma bebida, conversarmos… Ainda é cedo para dormir. Está uma linda noite!
A mulher tinha um sorriso irônico, mas encantador!
– Olha…
– Por favor! Só uma conversa! Você está sozinha, eu também. Por que não?
Pensei durante algum tempo e ela falou:
– E então? Vamos?
– Não sei. Eu estou cansada e, para falar a verdade, estou sozinha por opção.
Bom, não era bem essa a verdade, mas tudo bem! Ela não me conhecia mesmo!
– Faremos o seguinte, nos sentamos, bebemos, conversamos e se você não gostar, prometo que deixo você ir. O que me diz?
– Está bem. Mas não vamos demorar.
Fomos para o bar.
– O que quer beber? – Perguntou-me.
– Um dry martini.
O barman anotou nossos pedidos e fomos para fora, onde havia mesas e cadeiras.
O céu estava lindo! Estrelas brilhantes e uma lua cheia, branca!
– Concordo. – Disse ela.
– Concorda com o que? Não falei nada!
– Seu olhar e seu sorriso dizem tudo! Você está pensando em como as estrelas e a lua deixam o céu ainda mais bonito. Não é isso?
– Sim! Mas como…
Ela sorriu e falou:
– Ainda não nos apresentamos. Muito prazer, meu nome é Helena.
– É um prazer conhecê-la, Helena. Meu nome é Raquel.
– Raquel! Lindo nome!
O barman nos trouxe as bebidas e sentamo-nos à mesa.
– Diga-me, Raquel! Em que trabalha?
Contei-lhe sobre meu trabalho, sobre a morte de minha mãe, sobre meu ex-marido, e a conversa fluiu leve, descontraída, agradável. Ela me ouvia atenta, e às vezes, soltava aquele sorriso… Lindo!
Depois ela começou a falar sobre sua vida. Helena me pareceu ser uma mulher inteligente, culta.
Tomei um… dois… três martinis. Estava gostando de conversar com Helena. Ela me contou algumas histórias que me fizeram rir. Nossa! Há quanto tempo eu não ria, não sorria! Estava me sentindo bem e… Tonta.
– Helena… Desculpe-me… É… Bem… Estou adorando nossa conversa, mas… Eu…
– Tudo bem, já entendi. Vou te acompanhar até a cabine.
– Não precisa! Eu posso…
Falei, me levantando, e se ela não me segurasse, com certeza, eu iria me estatelar no chão.
Quando ela me segurou, nossos rostos ficaram tão perto, e o olhar dela era tão… tão… Opa! Eu devo estar ficando maluca ou estou mais bêbada do que eu pensava.
Helena me levou até a cabine, abriu a porta, me deitou na cama e ficou me olhando de um jeito que eu não entendia. Ela sorriu, e seu sorriso me fez sentir arrepios. Eu sorri também. Então, ela foi se aproximando devagar, e nossos lábios estavam próximos! Fechei meus olhos, entreabri a boca e… Ela me beijou. Um beijo que me fez tremer, e uma sensação avassaladora tomou conta de meu corpo.
Era claro que eu não estava em meu juízo perfeito… Eu estava me deixando ser beijada por uma mulher! E um beijo tão gostoso!
Entreguei-me por completo. Um desejo enorme tomou conta de mim, e ela sentiu isso.
De repente, me vi nua, e ela sobre meu corpo, tomando, possuindo, invadindo… Ah! Deixei-me levar por esse caminho desconhecido, mas tão delicioso.
Suas mãos me tocavam suavemente, sua boca percorria cada canto de meu corpo e parecia conhecer bem o caminho. Eu gemia a cada toque, a cada beijo, e eu queria mais e mais!
Nossos ruídos de prazer se misturaram ao som do barulho do mar.
Mãos atrevidas, corpos suados, sussurros… Ah! Eu estava entorpecida! Movimentos mágicos, sem censura, sem medo, sem pudor… Simplesmente… Amor!
Adormeci, com o olhar penetrante de Helena.
No dia seguinte, acordei me sentindo leve, feliz! Tomei um banho, me vesti e fui para o restaurante, na esperança de encontrar Helena e tomarmos o nosso café da manhã, juntas.
Helena não estava no restaurante. Pensei que ela ainda pudesse estar dormindo. Tomei o café. Nossa! Há tempos eu não sentia tanta fome!
Andei pelo convés, passando pela piscina, fui até a academia, voltei ao restaurante… Nada de Helena. É… Talvez ela ainda esteja dormindo.
Hora do almoço e Helena não apareceu. Anoiteceu e Helena parecia ter sumido.
Jantar, música, dança e… Uma flor feita de papel colocada em minha mesa. Olhei para ver de quem era aquela mão me ofertando a flor. Era ela! Helena!
Meu coração começou a disparar, fiquei nervosa, não sabia o que dizer. Eu me sentia como uma adolescente tola. A única coisa que consegui dizer foi:
– Onde você se meteu o dia todo?
Ela me deu aquele sorriso torto, sedutor, lindo! E com certeza, eu corei. Eu não tinha outra coisa melhor para falar? Desculpei-me:
– Desculpe-me! Eu…
– Nada a desculpar. – Disse-me, dando um beijo no canto da minha boca. – Já jantou?
– Ainda não. – Falei, tentando disfarçar meus arrepios.
Jantamos, bebemos vinho, dançamos… Com tantos homens no salão, eu preferi dançar com ela. Senti-me envergonhada por dançar com uma mulher, mas com Helena, o tempo parecia parar, as pessoas pareciam não existir, era somente ela e eu.
As horas passaram agradáveis, e eu tentava controlar minha excitação. Sentir Helena tão próxima de mim, me abraçando, me tocando, sentindo sua respiração em meu ouvido, me deixava tonta.
Voltamos à minha cabine e o ritual de prazer se repetiu. Desta vez, não quis me embriagar de vinho, queria me embriagar de Helena.
No dia seguinte, a mesma coisa. Helena sumiu e nos encontramos à noite, no jantar. Eu precisava perguntar. E… Perguntei:
– Você dorme o dia todo?
– Não.
– Desculpe perguntar, mas por que você some? Eu ando por todo o navio e não te acho.
– Você procura por mim? Gostei de saber disso. – Disse, sorrindo.
– Não! Eu apenas fico passeando e… Bem, eu… Não vejo você. Fiquei curiosa em saber como você consegue sumir dentro de um navio.
– Eu não sumo.
– Ah, some sim! Não vai me dizer?
– Não. Ainda não. – Ela dá um sorriso debochado. – Gostaria de ir mais cedo para a sua cabine hoje. – Desta vez, o sorriso foi sedutor, convidativo.
Não pensei duas vezes, fomos naquele mesmo instante para a cabine. A minha cabine.
Paixão, tremores, suores, sussurros e gemidos… Não quero que acabe! Não quero! Eu quero mais! Eu quero para sempre!

Último dia:
Onde estará Helena? Preciso vê-la, preciso tê-la.
Última noite:
De volta ao Rio de Janeiro. De volta para casa. Sem Helena… Sem Helena!

Dias se passaram, eu estava de volta ao meu trabalho. Não sentia vontade de fazer nada, não queria falar com ninguém, não queria nada, apenas… Encontrar Helena.
Três semanas depois, no final da tarde, fim de expediente, eu saí do trabalho e fui para o estacionamento pegar meu carro. Era sexta-feira e teria um feriado prolongado pela frente. Eu estaria sozinha por 4 dias. Quatro longos dias!
Abri a porta do carro e ouvi alguém chamando meu nome.
– Raquel? Senhorita Raquel?
Olhei para ver quem era. Era um homem alto, magro, cabelos grisalhos, com um sorriso simpático nos lábios.
– Com licença. A senhora é Senhorita Raquel?
– Sim, sou eu. E o senhor, quem é?
– Vim buscá-la.
– Veio me buscar? Para ir aonde?
O homem me entregou uma flor feita de papel.
– A pessoa que me mandou buscá-la disse para lhe entregar isso, que a senhora entenderia.
Meu coração disparou, minhas mãos ficaram trêmulas e suadas. De repente, fiquei sem ar.
– A senhora está bem?
– Não! Bem não! Eu estou ótima! Vamos! Leve-me aonde tem que me levar.
Entrei em um carro preto, e o simpático homem me levou até a marina. Desci do carro, e ele me acompanhou até um veleiro. Quando vi a pessoa que me esperava, eu quis gritar, correr, voar!
– Oi!
– Oi!
Entrei no veleiro e nos beijamos. Ah! Esse beijo que me leva às alturas, que me leva ao céu, que me leva ao paraíso!
Encontrei! Encontrei Helena! Na verdade, ela me encontrou.
– Podemos ir senhorita Helena? – Perguntou outro homem, era o capitão.
– Sim, por favor!
Conversamos, e Helena me explicou tudo. Seu sumiço durante o dia era porque ela é chef de cozinha do navio. Demorou a me encontrar, porque saiu em nova viagem. Encontrou-me através das informações que eu mesma lhe fornecera em nossa primeira noite.

Na cama, à meia luz, nossos corpos nus.
Beijos indecentes…
Carícias… Ousadas… Atrevidas…
Estremeço… Entonteço…
Envolvente… Atraente… Irresistivelmente…
– Helena!

FIM

   

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Quando acontece

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Há às vezes na vida, entre milhões de decisões o aparecimento de encruzilhada. É o destino estendendo o livre-arbítrio. Ele nunca ira lhe lança apenas um caminho em um terreno que há mil possibilidades de alcançar o lugar certo, ele vai lhe testar para ver se merece chegar lá. Se for forte o bastante alcançará. Só não esqueça que não há voltas.

Tudo o que o destino faz é indicar os caminhos e as consequências, e esperar que você escolha sabiamente.

Tudo é questão de vontade.

Durante toda minha vida, fui obrigada a manter em segredo o que eu sentia.

Mas foda-se. Olha o que eu estava disposta a fazer agora.

Não me importava ser o que era e sentir o que eu sentia. A maioria das pessoas que eu conhecia, sempre alternavam entre mentiras e enganos e isso era o que eu não queria para mim. E quando estava com ela, desejava ser o que eu era.

Ela era naturalmente encantadora, tinha traços lindos e delicados, o cabelo loiro dourado e umas pernas longas. Seus lábios eram rosados. E seus olhos cor caramelo eram luminescentes. E suas bochechas estavam ruborizadas por causa da raiva.

-Se acredita que dizer que me ama vai mudar as coisas agora, vá em frente. Mas te garanto que isso só irá piorar as coisas. Depois de uns dias estaremos sangrando novamente, a situação seguirá sendo exatamente a mesma. Não pode mudar o que aconteceu. – eu a ouvi dizer. Sua voz era fria. Ele a ouvia atentamente. – Você é um idiota! – ela lhe deu as costas. Ele a agarrou pelo braço. Preparei-me para qualquer coisa.

-Não vá. Vamos conversar. – ele insistiu.

-Não creio que temos algo a mais para conversar. Acabou! –

-Você vai se arrepender! – sua praga não funcionou. Ela saiu da sala dando de ombro comigo.

Em seus olhos envolventes brilhava as lágrimas.

-Desculpa. – ela disse.

Oh, bem. Eu iria chegar nela e lhe contar a verdade. A verdade sobre me sentir atraída em um absoluto impossível por ela. Essa era uma linha de pensamento muito construtiva. Mas me faltava coragem. E aquele momento não era apropriado. Ou talvez fosse.

-Me leva pra casa? – ela pediu.

-Claro! – abri a porta do carro.

Ela permaneceu em silencio o caminho todo, até parar na porta de sua casa.

-Obrigada. –

-Você vai ficar bem? – perguntei.

-Eu não sei. Se importar de passar a noite comigo? – ela me olhou tristonha.

-Claro que não. – dei um sorriso consolador.

Deus ela estava chorando? Por um homem idiota? Ah, mas talvez não fosse por ele absolutamente, mas, por ela mesma. O problema era ela.

Odiava esta onde estava. Mas não queria abandonar sua casa, e deixa-la sozinha. Eu estava tentando apoia-la, literalmente, estendendo a mão pousando em seu ombro.

A imagem dessa cozinha frágil e muito organizada – olhei a minha volta – chorando, me partia o coração. Jurei a mim mesma cuidar dela até meu ultimo suspiro.

Sua cama era muito confortável. Fiz o possível para manter certa distância de seu corpo, mas às vezes ela que se aproximava.

Éramos amigas há poucos meses, mais havia uma ligação enorme entre a gente. Uma intimidade intensa.

E está noite tudo resultava muito claro dentro de mim, um brilhante brilho que me cravava em ambos os olhos, um rugido soando em meu coração, um incrível cheiro bombardeando meu nariz.

Ela virou-se para mim. Com o polegar limpei sua lagrima.

O pensamento de beija-la penetrou minha mente e permaneceu ali como um eco. Aproximei-me bruscamente dela. O desespero me fez voltar bruscamente para a realidade como nenhuma outra coisa poderia ter feito.

-O que foi? – ela perguntou.

-Nada. – passei a mão no cabelo, me sentindo zonza.

Ela me abraçou. Meu corpo ficou tenso. Não conseguia respirar. Completei abraçando-a.

Com um toque quis lhe transmitir consolo, calidez e empatia.

Minha mente estava emaranhada.

– Sinto muito. – eu disse.

– Oh, não, é melhor assim. Quero dizer, esperava muito dele, e ele não tinha nada a me oferecer, além do que já me deu… Um belo par de galhos. – ela riu de si mesma. Permaneci séria, imaginando a razão de um cara trair uma mulher como ela. Incrivelmente linda. Inteligente, humilde, simpática… tudo que me faria a pessoa mais feliz do mundo.

Era hora de mover-me, pensei.

– Sei o que sente, Ju. Não pelas mesmas razões… Mas entendo todo esse assunto da separação. –

-Já namorou? – ela perguntou. Pensei alguns segundos antes de afirmar. – Porque terminaram? –

– Duvidas. Insegurança. Desconfiança… – respirei tão profundo que ela me olhou preocupada. – Mais não da minha parte. –

-Intendo!- ela sorriu tristonha. – Qual o nome dele? – perguntou um pouco sem interesse, mais atenta a minha resposta. Mais permaneci em silencio. Me olhou grilada – Porque quando é exposto perguntas sobre sua intimidade ou seus sentimentos, se recusa a das respostas ou explicações? –

-Porque não vejo necessidade de expor certas coisas. E realmente acho que não quer saber sobre minha vida intima ou sentimental. –

-Porque acha isso? –

-Porque não é uma coisa sã de se ouvir. – sorri tensamente. Ela se afastou e me olhou furiosa.

Ela franziu o cenho me olhando séria. E assim também fiquei.

Quando o silêncio se prolongou, eu baixei o olhar.

— O que foi? — perguntou. Quando não levantei o olhar, ela pressentiu minha luta para que mudássemos de assunto. —O que aconteceu? – sua voz ressoou. Somente sua voz, sua clara e encantadora voz. Permaneci em um silêncio absurdo.

Naquele momento acho que até meu coração havia dado uma trégua em suas batidas para não incomodar meu silêncio de desespero e agonia. Aquela agonia era profunda.

-Nada. – eu disse.

-Evidente, que aconteceu algo. – Piscou os olhos.

A vontade bateu a porta, e eu estava louca para deixá-la entrar.

Sentei-me na beira da cama tentando encontrar espaço suficiente entre nós.

— Nunca imaginei… — clareou seus pensamentos— nunca imaginei que existisse algo que não pudesse falar comigo. Segredos… sei lá. Sempre te contei tudo. –

Quando ela deixou de falar, eu estava gelada até os ossos.

-Não se trata de segredo. Trata-se de respostas. Respostas que é impossível de saber sua reação. – sacudi a cabeça.

– Meu Deus, o que seria tão ruim ao ponto da minha reação ser… –

-O nome dela é Amanda. – disse com a voz estrangulada. Fechei a boca assim que me dei conta do que tinha revelado.

Ela respirou fundo.

No transcurso daquele caminho que eu havia escolhido, eu havia sido ferida muitas, muitas vezes. Mas nada, nenhuma ferida havia me doído uma fração da dor que senti ao lhe responder aquilo.

Ela levantou-se cambaleando, e se encostou contra uma das paredes de seu quarto.

— Dela?! – limpou a garganta. – Mulher?! Amanda? Está de brincadeira? Você é gay?–

— Terminou com as perguntas? Ou quer seguir dando voltas ao assunto um momento mais, perguntando todo tipo de significados a respeito do que estou falando? – perguntei. — Sim. Eu sou lésbica. Mas… — levantei-me estendendo a mão para lhe tocar o braço, mas ela se afastou —Juliana…

— Não me toque…

As palavras se fecharam em um golpe em meu ouvido.

– Essa era a reação que eu temia! – eu disse abrindo a porta com um puxão. A raiva bateu contra mim mesma.

-Espera! – Ela agarrou meu braço. – Me desculpa. Senta aqui, por favor. Vamos conversar. –

Pensei varias vezes antes de decidir ficar. Talvez não devesse. Talvez realmente fosse melhor ir. Mas ela parecia querer se redimir com sua atitude.

-Olha, sei que devia ter lhe contar isso antecipadamente, mais nunca tive uma oportunidade, e não encontrei motivos para entrar em um assunto tão serio, quanto minha opção sexual. – eu disse.

Houve um instante de silêncio, e logo ela irrompeu em um profundo, sincero e belo sorriso.

— Sabia que isso me agrada? – ela disse. -Por mais de uma razão. –

Eu realmente não estava entendendo nada. Mais aquela conversa verdadeiramente foi o começo de tudo o que se seguiu…

(Alguns meses depois.)

Quando estava amanhecendo, justo antes de o sol começar a aparecer no céu, fechei os olhos com força, forçando-me a dormi. Mais uma tentativa em vão. A dor em meu peito expandia-se através de todo meu corpo como um incêndio sobre em um canavial.

Eu ainda não entendia porque doía tanto. Era obvio que esconder um sentimento era doloroso, até mesmo brutal ao coração, mais não ao ponto de maltratar meu corpo e pensamentos, me tirando noites de sono, que poderia ser tranquilas. Ou seria?!

-Não consegue dormir? – disse ela baixinho em meu ouvido sem abrir os olhos. Eu a olhei entre meu ombro.

Deus! Amava o som baixo de sua voz. Amava tudo nela.

-Não. – disse virando-me frente a ela, meu coração deu um salto.

-O que te incomoda? –

Ela abriu os olhos, e o olhar que eu havia conhecido há alguns meses se concentrou em mim. Uma tristeza, do tipo que me fazia desejar não ter nascido, eliminou qualquer expressão em meu rosto.

Ao ver seus olhos tão abertos e quentes naquele rosto formoso e perfeito, senti uma vontade de confessa-lhe todas as coisas que sentia por ela.

-Juliana… – pronunciei seu nome com dificuldade, quereria dizer muito mais coisas, mas, talvez meu silêncio fosse o ideal. Eu mesma não compreendia meus sentimentos, mas sabia o que desejava fazer. O que precisava ser feito. Não existiam muitas palavras, eu estava cheia de atitude a oferecer-lhe.

Ela me olhou. Seu olhar não havia condenação. Simplesmente havia uma genuína preocupação.

Ela levantou o braço e pôs a mão em minha bochecha.

O brilho em seus olhos e o tremor de sua adorável voz me partiu pela metade. Logo comecei a me distanciar. Seu rosto lindo, seus deliciosos lábios, seus olhos desesperados. O golpe da fragrância natural dela, tudo aquilo fez querer chorar, gritar, morrer.

Com os olhos alagados de lágrimas e meu coração dolorido, respirando agitadamente abri a boca para falar.

Mais não saiu nenhum som.

Ela limpou as minhas bochechas úmidas com mãos enquanto eu tentava acalmar um incêndio sem controle dentro de mim. A sua ternura foi o que mais me surpreendeu.

Nossos olhos se encontraram. Merda, ela era perfeita.

-Que se dane. – meu tom de voz estava ofegante. Desejava tê-la apertada contra meu corpo nu.

Enquanto cortava a distância entre nós, os olhos dela aumentavam, mas eu não ia retroceder.

Olhava fixamente a boca dela. Naquele momento de silêncio, com uma explosiva vibração de paixão entrelaçando nossos perfumes no ar, ela era tudo, abrangendo simplesmente tudo.

Seus olhos baixaram em meus lábios deslizando um dedo por minha bochecha.

Senti uma doce e atordoante sensação de sufocamento.

Eu a desejava. E desejava mais ainda ascender seus desejos.

Eu a olhava fixamente com admiração.

Com uma expressão de desejo nos olhos, eu acariciei meus lábios nos seus. Eu a olhei nos olhos, aproximando meus lábios dos dela novamente, acariciei-a, e como não ouve nem um impedimentos, mais sim, uma resposta, estendi a língua e lambi sua boca. Continuei beijando-a até que ela se agitou na cama e me apertou com as mãos tão firmemente que o estranho eco de emoção estalou outra vez.

Eu desejava ir tão mais longe… Mas eu precisava ser cuidadosa.

Acaricie lhe o estômago e os quadris. Quando ela se retorceu, lambi seu pescoço e passei os lábios entre seios.

Perambulei pelo interior de sua perna nua e sutilmente, inexoravelmente ela abriu suas coxas ainda mais. Quando meus dedos roçaram suas calcinhas, um disparo de eletricidade dissipou em seu sexo, disparando através de seu corpo com um quente estremecimento. Ela estava totalmente molhada, isso me deixou ofegando.

Juliana me olhou, desnorteada. Tomei a iniciativa e tirei sua blusa, soltando cada um de seus botões frontais despindo-a. Seus peitos eram perfeitamente proporcionados, seus mamilos eram rosados…

Lambi meus lábios, pensando em mim abrindo caminho a beijos por suas coxas para em seguida passar minha língua, para cima e para baixo pelo lugar onde morro por estar.

A respiração dela foi como um disparo em meu ouvido.

O som de seus gemidos acendeu meu corpo e a minha necessidade.

-Por favor… – ela disse. Foi mais um gemido que uma palavra. Separai suas coxas, e abri suas pernas com meu corpo.

Dei-lhe a oportunidade de dizer não ou de desviar-se ou de deter as coisas por completo entre a gente. Mas nada ela fez.

Sobressaltou-se quando comecei a abrir caminho para baixo beijando seu estômago e mais à frente sua virilha.

Voltei até seu umbigo onde me movi a seu redor, de um lado a outro com rápidas passadas de minha língua. Penetrando-o com a língua. Oferecendo um adiantamento da atenção que a seguir ela receberia mais abaixo.

Acariciei seu sexo por cima do algodão que a cobria. Meus dedos deslizaram sob o elástico puxando sua calcinha para baixar, pelas coxas, e atirei-a Deus sabia onde.

Minha língua perambulou seu sexo, agiu e quente. A sensação de seu sexo na minha boca era muito vívida, junto com dois de meus dedos enterrados firmemente dentro dela.

As suaves carícias de minha língua pareciam suspensas e ardentes sobre seu corpo, fazendo com que ela se esforçasse para senti, transformando cada passada de meus lábios e minha língua em uma fonte, tanto de prazer como de frustração.

Gemeu tão alto que ecoou pelo quarto.

Ela gozou intensamente.

Cobri seu sexo com a boca, chupando-a, sugando-a. Ela gozou novamente, só que desta vez mais forte e devastadora. Continuei sugando-a, aguentando suas sacudidas e curvações.

Parei somente quando ela puxou meu rosto até o seu, onde o som de lábios contra lábios se elevou junto com os gemidos dela enquanto a acariciava.

Juliana virou o rosto expondo a suave pele que cobria seu pescoço. Tracei beijos delicados por todo musculo.

Eu permaneci em silêncio. Até que ela disse:

-Eu te amo. -seu tom de voz era muito profundo, mais que o normal.

Deus, a palavra era tão simples, entretanto, vinda dela, significava tanta coisa.

É claro que ela já havia me dito aquilo varias vezes. Só que naquele instante era diferente, intenso. Na realidade, era mais significativa a forma de como ela expressava o que sentia por mim do que dizer algo repetidas vezes, que não parecia ter valor algum. Como não havia antes. Não, da forma que eu queria. Que eu precisava.

Havia certa vulnerabilidade em seu olhar profundo. Ou talvez não. Talvez fosse ela que se sentisse vulnerável. E aquelas palavras tinha provocado esse estado.

Aposto que mais tarde, muito mais tarde, refletirei essas três palavras como sendo meu precipício.

Deitei ao seu lado, sem palavras, sem folego, paralisada.

-Eu sei… É estranho. Talvez você não intenda… Nem eu intendo. Simplesmente me apaixonei, a cada dia mais, e quando vi, já era amor. Só não sabia como te dizer, e nem como expressar isso.

Acariciei ambas as bochechas com os meus polegares.

Sustentei seu rosto entre minhas palmas baixando a boca até a sua.

— Amo você. —ela repetiu. Apertei-a contra mim e simplesmente ficamos ali agarradas.

Enquanto eu deslizava os dedos sobre suas bochechas, do nariz até os lábios, via-a com os olhos e a conhecia com o coração.

Minha respiração se prendeu na garganta quando ela me acariciou os seios.

Fez-me rodar e montou-me sobre meus quadris…

Enquanto eu soltava o ar pela boca, senti as pulsações entre minhas coxas, estava úmida, desesperada por fosse o que quer que ela fosse fazer.

Meu mamilo estava tenso contra seu polegar que se movia em círculos. Senti a suavidade de seus lábios ao beijá-la profunda e lentamente.

Deixou a cabeça cair sobre meu peito e beijou meu mamilo.

A umidade que eu sentia entre as pernas era avassaladora.

Meti-me dentro de seus braços, segurando-a com força, aspirando profundamente seu perfume.

Inclinei a cabeça e a beijei, beijei-a e beijei um pouco mais.

Quando deslizei meus braços ao redor da nuca dela, ambas perderam o controle, fechamos os olhos.

Cravei minhas unhas em sua nuca quando ela puxou minha calcinha fazendo-a descer por minhas coxas.

A visão de sua língua rosada provocando meu peito me paralisou, especialmente quando seus olhos encontraram com os meus enquanto rodeava meu mamilo.

Deixei-me ir completamente, me sentia até mesmo aliviada.

Gemi perdidamente.

Ela se impulsionou para cima de mim e falou em meu ouvido:

— Eu gosto desse som. –

Os dedos dela se afundaram em meu cabelo.

Deslocando-se para meus lábios, beijou-me com mais força do que antes. Eu estava completamente excitada, cada ato dela fazia com que meu sexo se umedecesse rapidamente.

Apoderou-se de minha boca e acariciou-me o sexo. Com profundos arremessos da sua língua em minha boca, eu joguei a cabeça para trás, perdendo-me completamente nela.
Arquei os quadris, eu estava sem ar e desesperada para falar.

Seu dedo do meio deslizou para dentro de mim. Viu suas coxas estendidas e seus dedos deslizando-se dentro e fora de mim.

Tremiam-me os ombros, e minhas coxas se sacudiam convulsivamente.

Ela respirou profundamente.

A atrai para mim, sugando um mamilo dentro da boca e acariciando o outro com o polegar enquanto eu ofegava.

Ela gemeu, e a ouvi lamber os lábios.

Sorriu acariciando-me enquanto eu tinha o orgasmo. Quando finalmente ela se aquietou, parecia envergonhada. Eu sabia que ela não havia estado com ninguém em muito tempo, e nunca com alguém como eu, e jamais feito aquilo.

Fiquei quieta e ela também. Ambas estávamos ofegando.

Ela franziu o cenho. E quando inalei profundamente sua embriagadora fragrância, eu levantei os olhos para os dela.

Manteve o olhar fixo nos meus enquanto voltava a acomodar-se sobre seu travesseiro.

E enquanto ela deitava com uns quinze centímetros de distância entre mim, senti uma saudade como se ela tivesse abandonado o país.

Ficando de lhttps://i2.wp.com/25.media.tumblr.com/tumblr_mc3k2cn5O51qj1d10o1_500.jpgado, apoiei a cabeça na parte interior do braço e a contemplei enquanto ela olhava fixamente o teto.

— Juliana… — meus olhos percorreram seu corpo e retornaram a seus olhos.

— Eu também te amo… muito— falar mais iria arruinar o que havíamos acabado de compartilhar.

Ela me olhou. Sorriu e roçou minha bochecha.

Tomei sua mão entre as minhas e beijei sua palma.

Agora ela estava ofegante e ruborizada. Uma fina película de suor cobria uma porção do seu rosto.

Ficamos só Deus sabia quanto tempo ali deitadas lado a lado, encarando uma a outra com um sorriso felicíssimo nos lábios.

Autora: Anna Karoline

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Tensões e conflitos de um Fim

Vida de sapatão não é nada fácil, principalmente quando o assunto é ”fim de relacionamento”, na maioria dos casos fica difícil  sair  ilesa, geralmente uma das partes ainda gosta, e quando rola uma traição?! A sapa pira!Foi mulher, amiga, confidente, companheira e de repete se depara com ”acabou”, ”Você é especial mas…”, sem  falar quando a cabeça da pobre amiga do brejo é enfeitada, sapa sofredora, só no sofrimento…

Vamos analisar as situações,se ela colocou as cartas na mesa, vai doer, porém olhe pelo lado positivo da coisa,  ela foi honesta,  foi sincera, jogou limpo, e quando amamos uma sapa e de repente somos contempladas com um belo par de antenas, nesse caso quem tem o crânio enfeitado é sempre a ultima a saber, fim de relacionamento não deveria existir, isso frusta a mente de qualquer ser mortal.

Pior mesmo é quando enchemos a cara para afogar as mágoas no primeiro bar que aparece, choramos, sofremos, saímos com os amigos, ficamos com outra ou outras (Dependendo da sapatão, é claro!Rs…), mesmo com tudo isso não conseguimos tirar a bendita sapa da cabeça, aquele sentimento ainda te consome como uma praga consumindo uma lavoura.  Oh minha santa caminhoneira das estradas virgens! Nem com reza braba você consegue esquecer essa mulher!

O que fazer amiga do brejo?! Eis a questão!

Quem que nunca passou por essa situação que atire a primeira pedra, pense e reflita em tudo que rolou entre vocês, independente se rolou traição, se esse sentimento  existe e você sofre com ausência dessa sapa, não abra espaço para  o orgulho, vá a luta independente de quem errou, deixe as magoas de lado e de espaço para o amor, mesmo se ela terminou com você reconquiste-a e reinvente, lembre-se respeite o espaço dela sem exageros para a sapa não se sentir sufocada, essa vida é um risco e devemos ariscar, ainda mais quando se trata de sentimento.
E viva o amor! Rs…

Por:  Lú Vieira

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Quando você se descobre… Lésbica!

Conversei com muitas garotas que mantinham muitas dúvidas dentro si sobre suas vontades e desejos por outras pessoas, no caso outras meninas, algumas outras muito decididas. Algumas muito novas e outras mais velhas.

Pensei comigo sobre o que eu senti no primeiro momento e comparei com as histórias que ouvi: A partir do momento em que você começa a sentir-se diferente das outras garotas (ou igual a sua amiga com tendências homossexuais), muitas emoções lhe invadem: confusão, dúvida, medo, vergonha, recusa, desespero. Não importa por quanto tempo você sinta isso, mas uma hora sente.  

Perguntas surgem, tais como: “eu devo me assumir agora?” “eu devo contar aos meus pais?” “EU TENHO ALGUM PROBLEMA?”.

Preocupo-me com a falta de atenção que recebemos quando saímos de nossos armários, o desprezo e a decepção nos olhos das pessoas que esperávamos apoio.

Sorte daquelas que já se entendem um pouco mais, daquelas mais desimpedidas, porque não é fácil quando se sabe que uma hora o mundo vai saber e o que vão dizer e sorte daquelas que não se importam com a opinião alheia.

Antes de mais nada: aceite-se! Antes de pensar em qualquer coisa: acostume-se com essa ideia, de que seu caminho vai mudar, seus sonhos pré-planejados… Aqueles de antes de você se descobrir não serão mais os mesmos. E depois quando conseguir forças suficientes, ou pelo menos, achar que chegou a hora certa, mostre ao mundo quem você é e em hipótese alguma, envergonhe-se. A culpa não é sua, não há porque se isolar e isolar o mundo de você.

 Tempos difíceis não são eternos, tempos bons também não!

Todos tem seu tempo, repire e sinta-o chegar!

 SER MULHER É INCRÍVEL, AMAR OUTRA MULHER… É MÁGICO!

Por: Flora Beatriz