SÓ FALTAVA AMOR – PARTE FINAL

A semana passou ensolarada e fazia muito calor. Na sexta-feira, uma nova tempestade caiu sobre a cidade de Itatiaia. Com a tempestade, veio o frio.

– Mãe, tá friozinho! Vamos alugar uns filmes de terror?

– Boa ideia, filha!

Laila e Bianca foram até a locadora e alugaram 4 filmes.

– Tem pipoca em casa?

– Tem. Mas vou fazer umas pizzas também. Quer?

– Oba!

Quando chegaram em casa, Laila pediu que Bianca tomasse banho, enquanto ela fazia as pizzas. Vendo que a filha estava demorando para voltar, Laila foi ao banheiro chamá-la.

– Bianca, sai logo desse banho. As pizzas estão quase prontas.

A menina não respondeu, então, Laila entrou no banheiro.

– Bianca?!

Ela foi até os quartos e a filha não estava.

– Onde essa menina se meteu? Bianca, pare de brincadeira. Apareça logo.

Laila olhou por toda a casa. Sobre um aparador na sala, ela encontrou um bilhete.

“Ela está comigo. Se quiser ter sua filha de volta, me encontre no endereço abaixo”.

– Meu Deus! Não! Minha filha não!

O endereço no bilhete era de uma pensão no centro da cidade. Laila vestiu um casaco e foi pra lá. A caminho da pensão, ela ligou para a delegacia.

– Duarte, é Laila. Minha filha foi sequestrada. Você tem que me ajudar.

– Calma Laila! Onde você está?

– Estou indo para a pensão da Jéssica. A mulher que seqüestrou minha filha pediu que eu a encontrasse lá. Por favor, me ajude! Ela é louca e muito perigosa.

– Fique tranquila, estou indo com uma viatura agora mesmo.

Assim que Laila chega, Duarte e vários policiais militares se encontram na frente da pensão.

– Eu vou entrar.

– Não, Laila! É perigoso.

– É minha filha!

– Eu sei. Eu vou falar com ela, e você fique aqui, por favor.

– Eu vou entrar e você não me impedir.

Várias pessoas se aglomeram em frente à pensão. Uma delas é Fernanda.

– Laila?! O que está havendo?

– Aquela louca pegou minha filha. A minha filhinha.

– De quem você está falando?

– De Augusta.

– Mas ela não estava presa?

– Estava. Não sei o que aconteceu.

– Você tem certeza? Você a viu?

– Não a vi, mas sei que é ela.

– Laila, eu vou entrar.

– Eu vou com você, Duarte. É a mim que ela quer. Se você for, ela pode machucar Bianca. Por favor, eu sei como lidar com ela.

– Por que você me chamou, afinal? Você sabe que não posso deixá-la entrar.

– Laila, deixe o delegado fazer o trabalho dele.

Laila concordou.

– Por favor, Duarte, traga minha vidinha de volta.

– Eu farei isso.

O delegado entrou. No corredor da pensão, Duarte falava com Augusta.

– O prédio está cercado. Melhor você se entregar.

– Onde está Laila? Eu a quero aqui, agora.

– Laila está lá fora, não permiti que ela entrasse. Por favor, saia com as mãos para cima.

– Não! Vocês vão atirar em mim.

– Se fizer o que estou pedindo, garanto que ninguém vai machucá-la.

Há um silêncio, e em seguida, ouve-se um tiro.

– Bianca! Eu vou lá!

– Não, Laila! Fique aqui.

– Ela atirou na minha filha! Desgraçada! Eu vou matá-la!

Laila consegue se soltar de Fernanda e de um policial e entra na pensão. Fernanda vai atrás dela.

– Augusta, estou aqui. Solte minha filha e me deixe entrar.

– Você não deveria ter chamado a polícia.

– Por favor, me deixe entrar.

Outro silêncio.

– Bianca? Você está bem? Fala com a mamãe.

– Mamãe, estou com medo.

– Eu sei, meu amor. Vai passar… Lembra? Tudo passa! Augusta, estou implorando, por favor, solte Bianca e eu faço o que você quiser.

A porta se abre.

– Entre, Laila, depois solto sua filha.

Laila obedece. Assim que Laila entra no quarto, Bianca é solta e a porta é fechada novamente.

– Mamãe.

– Oi, Bianca!

Quando Bianca vê Fernanda, ela corre para abraçá-la.

– Ela é má, e vai machucar a mamãe.

– Não vai. Ela só quer conversar.

Dentro do quarto, Laila tenta convencer Augusta a se entregar.

– Você não tem chance, Augusta. A pensão está cercada por vários policiais. Se entregue, será melhor pra você.

– Cala a boca!

Augusta dá uma violenta bofetada em Laila, que cai no chão.

– Você sabe o que eu passei na prisão? Aquilo é um inferno! A única coisa que me manteve viva, foi saber que um dia eu ia te encontrar novamente e matar você.

Augusta dá um chute na barriga de Laila.

– Eu fui presa por sua culpa.

– Minha culpa? Você matou uma mulher, por isso foi presa.

– Se você tivesse ficado comigo, eu não teria matado aquela vadia.

– Claro que não! Teria matado a mim.

Augusta se senta na cama.

– Você não entende, não é? Eu te amava! Você era a única mulher por quem eu seria capaz de mudar. E você me abandonou!

– Amava?!

Laila se levanta e se aproxima de Augusta. Com uma voz doce, ela diz:

– Eu também amava você, Augusta. E ainda amo. Você pode mudar agora, se quiser. Eu te ajudo. Podemos tentar ser felizes. Eu nunca te esqueci.

– Você está falando a verdade?

– Estou. Por favor, vamos tentar.

– Se eu sair daqui agora, vão me prender.

– Se você não machucar ninguém, e se entregar, você não vai passar muito tempo presa e eu vou te visitar todos os dias. Na prisão, você poderia receber visitas íntimas?

Surpresa, Augusta olhou para Laila e riu.

– Você ainda continua com esse fogo, não é mulher?

– Muito mais do que antes e ninguém conseguiu me satisfazer como você.

Augusta empurra Laila na cama e se deita sobre ela, beijando-a.

– Ah, como senti sua falta, Laila!

Laila percebe que Augusta tinha soltado a arma e a pega.

– Sai de cima de mim, sua porca nojenta.

Augusta tenta tirar a arma de Laila, mas não consegue.

– Se fizer isso de novo, eu atiro. Juro que atiro. Vai pra porta.

Augusta obedece e Laila se levanta da cama.

– Abre.

– Você não me ama? É mentira?

– Você usa tanto a violência, que é incapaz de pensar com inteligência. Continua a mesma burra. Claro que eu não amo você, eu odeio você, tenho nojo! Por mim, você pode morrer na prisão. Agora abre a droga dessa porta.

Vendo que Laila estava falando sério, Augusta abre a porta e é algemada. Antes que Duarte levasse Augusta, Laila falou:

– Espera Duarte. Fernanda, me faz um favor, cobre os olhos de Bianca.

Fernanda faz o que Laila pediu e em seguida, Laila, usando a arma de Augusta, bate na cabeça dela.

– Você nunca mais vai tocar em mim ou em minha filha. Eu juro que se você aparecer de novo, eu te mato.

Augusta é levada para a delegacia. Laila abraça sua filha.

– Mamãe, eu fiquei com tanto medo.

– Eu sei. Me perdoa.

– Você me salvou, não tenho nada para perdoar você. Eu te amo, mamãe.

– Também te amo, minha vidinha!

– Mamãe, você está sangrando, precisa ir ao médico.

– Eu estou bem, meu amor. Quero ir para casa. Fernanda, você poderia…

– Claro! Eu levo vocês. Mas Bianca tem razão, seria melhor você passar no hospital para fazer um curativo.

Depois do hospital, Fernanda as leva para casa. Laila dá um banho em sua filha e a coloca para dormir.

– Boa noite, minha vidinha.

– Boa noite, mamãe.

Laila volta para a sala.

– Como ela está?

– O susto já passou. Ela vai ficar bem.

– E você? Vai ficar bem também?

Laila se senta no sofá e chora. Fernanda a abraça.

– Ela pegou a minha filha! Colocou aquelas mãos imundas nela!

– Já passou. Acalme-se!

Fernanda abraça Laila até ela parar de chorar.

– Você quer comer alguma coisa?

– Não, obrigada. Se você está se sentindo melhor, vou voltar para o hotel.

– Pensei que você tivesse voltado para o Rio.

– E voltei. Mas por causa da obra, terei que revezar entre o Rio e aqui. Cheguei hoje à tarde.

– Quer almoçar conosco amanhã?

– Pode ser. Depois, posso te levar para buscar seu carro. A que horas quer que eu chegue?

– Pode vir mais cedo, assim você me ajuda com as cebolas.

Laila sorriu.

– Apesar de não gostar da piadinha, é bom ver você sorrindo.

Seus olhares se fixam e o beijo é inevitável.

– Até amanhã, pilota.

– Até amanhã. Fernanda…

– Sim?

– Obrigada por tudo.

Fernanda sai. Laila vai até o quarto de Bianca e a vê dormindo tranquilamente.

“Isso meu amor! Durma e esqueça tudo!”

– Droga! Estou horrível!

Laila está em frente ao espelho e seu olho está roxo e inchado.

– Está tudo bem, mamãe?

– Olha isso, Bianca! Estou parecendo um monstro!

– Ah, não está tão ruim!

– Como não? Estou parecendo uma personagem de filme de terror.

– Espera! Vou dar um jeito nisso.

Bianca abre a caixa de maquiagens da mãe e pega um pó compacto.

– Senta, mãe.

A menina passa o pó nos hematomas e pede para que a mãe se olhe no espelho.

– Melhorou?

– É.

Elas vão para a cozinha e tomam o café da manhã.

– Hoje teremos uma convidada para o almoço.

– Já sei! Fernanda.

– Como sabe?

– “Dãr”! Só podia ser, né mãe?

Às 11 horas, Fernanda chega à casa delas.

– Bom dia! Resolveu me ajudar com as cebolas?

– Bom dia! Isso mesmo!

– Sério?!

Fernanda entra com uma caixa nas mãos e vai direto para a cozinha. Abre a caixa e retira uma centrífuga.

– Pode passar as cebolas pra cá. Hoje estou preparada!

Laila e Bianca riem.

– Você vai usar uma centrífuga para cortar as cebolas?!

– Ora! E por que não?

Fernanda olha bem para o rosto de Laila.

– Você está com uma cara ótima! – Fernanda sorri.

– Humpft.

Elas almoçam e Fernanda faz questão de lavar a louça.

– Tem certeza que quer fazer isso?

– Tenho. Posso?

– Pode, mas… Promete não quebrar toda a minha louça?

– Garota, sou competente em tudo o que eu me proponho a fazer. Fique tranquila, você nunca vai ver uma louça tão bem lavada como esta vai ficar.

Fernanda conseguiu lavar as louças sem quebrar nada. Laila fez um café e tomaram na sala.

Fernanda levou Laila e Bianca para pegar o carro na cidade e voltaram para casa. A tarde passou agradável. Bianca e Fernanda conversavam, animadas. Laila as observava.

– Fernanda, você gosta de filmes de terror?

– Não são os meus preferidos.

– Ontem, mamãe e eu alugamos 4. Íamos assistir ontem, mas aconteceu aquilo. Quer assistir com a gente?

– Bianca!

– Quer assistir conosco? Vai ter pizza e pipoca. Diz que sim, diz que sim!

– Sim!

– “Yes”!

– Mas aviso que tenho medo.

– Não se preocupe, se você ficar com medo, seguro sua mão, tá bom?

– Combinado!

À noite, elas comeram pizza e pipoca. Bianca dormiu no sofá, com a cabeça nas pernas de Fernanda.

– Vou levá-la para a cama.

– Deixe que eu a levo.

Fernanda pegou Bianca no colo e a deitou na cama, com todo o cuidado para que ela não acordasse.

– Fernanda.

– Oi, Bianca.

– Volta aqui amanhã. Mamãe deixa.

– Volto. Agora durma. Boa noite.

– Boa noite, Fernanda. Boa noite, mamãe.

Laila e Fernanda voltam para a sala.

– Ela gosta de você.

– E eu dela. Gosto de meninas inteligentes.

– Quer continuar assistindo ao filme?

– Não. Já está tarde, melhor eu ir embora. Assim, você descansa.

– Está bem. Obrigada, de novo.

Fernanda agarra Laila e a aperta contra seu corpo. Elas se beijam. Um beijo louco, ardente, apaixonante! Laila leva Fernanda para o seu quarto e tranca a porta.

– Hoje estou muito necessitada. – Diz Laila, jogando Fernanda na cama.

– Acho que eu também.

Elas ficam nuas. Fernanda, deitada sobre Laila, diz:

– Espere. Naquele dia eu não tive chance de ver uma coisa e quero ver agora.

– Ver o que?

– Seu corpo.

Fernanda passa os olhos pelo corpo de Laila e começa a tocar, suavemente.

– Você é linda, Laila! Hoje você vai ser minha do jeito que eu gosto.

Laila se entrega às carícias de Fernanda.

– Seus gemidos me deixam louca. Ah, Laila! Você é uma delícia!

Fernanda beija todo o corpo de Laila. Boca, pescoço, seios, ventre, coxas…

– Que coxas gostosas!

Fernanda coloca Laila de bruços e a penetra. Laila grita, enlouquecida!

– Ah, que tesão louco!

Excitada como nunca havia ficado antes, Fernanda se delicia, tocando cada parte do corpo de Laila com um desejo incontrolável.

Laila, com sua língua, faz Fernanda gozar, gritar, gemer, se saciar!

– Nossa! Que loucura!

– É. Estávamos mesmo necessitadas. –Diz Fernanda, sorrindo.

Elas ficam se olhando.

– Laila, você é uma mulher…

– Apaixonante! É, eu sei.

– Não era isso o que eu ia dizer.

– Ia dizer o que?

– Que você é uma mulher… Apetitosa!

– Sei disso também. Bom, já que nossas necessidades foram saciadas, acho melhor você ir embora.

– Tem razão. Amanhã eu venho pegar você e Bianca para almoçar comigo.

– Fernanda… Não.

– Eu prometi a ela que viria.

– Eu sei. Mas para o bem dela, melhor que você não venha.

– É isso mesmo o que você quer?

– É sim. Não quero que ela se apegue a você e a ninguém.

– Está certo. Seja como você quiser.

Fernanda se levanta, se veste e Laila a acompanha até a porta.

– Obrigada pelo lindo dia que nos proporcionou. Adoramos!

– Eu também gostei muito. Obrigada.

Laila se deita na cama e pensa em Fernanda.

“Nem Bianca, nem eu, podemos nos apegar a ninguém. Nem a você, Fernanda. Nem a você”!

– Dona Norma, telefone para o doutor Raul e avise que o jantar desta noite está confirmado.

– Sim. Algo mais?

– Peça a Nina que venha até a minha sala. Agora.

Nina bate à porta. Fernanda está ao telefone e faz sinal para Nina se sentar.

– Você não está me ouvindo? Não vou a Itatiaia no próximo final de semana, por isso estou pedindo para você ir. Mas que droga, Fonseca! Leve a sua família com você, eu pago todas as despesas, não precisa se preocupar. Amanhã você passa aqui para pegar os projetos. Até logo.

– Você quer falar comigo?

– Andei vendo seus relatórios e quero te parabenizar. Está fazendo um ótimo trabalho.

– Nossa! Obrigada!

– Por que o espanto?

– Porque não esperava que você me agradecesse. Você é sempre tão formal, tão…

– Tão?

– Deixa pra lá.

– Tão dura? Era isso o que você ia dizer?

– É. Desculpe.

– Se eu posso criticar e punir, nada mais justo que eu reconheça quando um trabalho está sendo bem feito. Não foi só pra isso que te chamei aqui. Preciso que me faça um favor.

– Claro, Fernanda! O que quiser!

– Hoje à noite, vou ter um jantar com o dono de uma grande rede de supermercados. Fiquei sabendo que ele vai construir um supermercado na Barra e quero que ele feche o negócio comigo. Me informaram que ele sempre leva a esposa para esses jantares de negócios e gostaria que você me acompanhasse.

– Com certeza! Será um prazer!

– Obrigada. Passo em sua casa às 20 horas, esteja pronta. E por favor, use uma roupa discreta.

– Pode deixar.

Nina sai e vai para a sua sala.

– Bete, você não vai acreditar no que eu vou te contar!

– Fernanda te despediu? Esbravejou? Amaldiçoou você e sua família? Te expulsou da sala dela aos pontapés?

– Credo! Que horror! Não é nada disso, muito pelo contrário. Ela me deu os parabéns pelo meu trabalho e me convidou para jantar com ela esta noite.

– O que?! Impossível! Não pode ser! Acho que você ouviu errado.

– É verdade! Ai, Bete! Acho que Fernanda está me dando uma abertura e eu estou sentindo que posso conquistá-la.

Nina conta sobre o jantar para Bete, que fica surpresa, sem conseguir acreditar em nada do que estava ouvindo.

Em sua sala, Fernanda olha os projetos da construção do condomínio em Itatiaia e, ao ver que a árvore em que ela e Laila pararam, poderia ser derrubada, chamou um dos engenheiros e pediu para que ele refizesse o projeto, mantendo a árvore intacta.

Depois que o engenheiro saiu, ela se lembrou do corpo de Laila e sorriu.

“Temo que você tenha razão, Laila. Você é uma mulher apaixonante!”

– Você vai ficar com a vovó no final de semana.

– Oba! Você vai ficar com a gente?

– Não. Pretendo ir ao Rio. Preciso me divertir um pouco. Você se importa? Se quiser, eu fico com você.

– Pode ir, mãe. Você bem que poderia se encontrar com Fernanda.

– Por quê?

– Porque eu gosto dela. E você também.

– Isso não é assunto pra você, mocinha. Agora vai fazer o dever.

Laila pega um cartão em sua bolsa e telefona para um número.

– Oi, aqui é Laila, se lembra de mim?

– Claro! A pilota! Como vai, guria?

– Estou bem e você?

– Muito bem!

– Vocês vão tocar no bar no próximo final de semana?

– Vamos! Tocamos lá todos os finais de semana, exceto quando há casamentos.

– Então, podem me esperar! Vou ver vocês e tentar arranjar uma gatinha. Diz aí! Tem mulher bonita no bar, além de você?

Juliana dá gargalhada.

– Tem sim! Tu vais ficar boba com tantas mulheres bonitas.

Laila conversa mais um pouco com Juliana Farina e depois que desliga, faz outra ligação.

– Doca? Adivinha quem é?

– Lailinha, minha vida! Sua bandida! Sumiu e não deixou endereço. Quase morro de saudades.

– Sem drama, meu amigo! Quero saber se posso dormir em seu apartamento esse final de semana.

– Claro! Sozinha ou acompanhada?

– A princípio, sozinha. Se a noite render, durmo em um motel.

– Safada! Qual a programação? No lugar que você vai, deixam entrar uma bicha linda e gostosa?

– Não conheço o bar, mas acho que deixam sim.

– Qual é o bar?

Laila diz o nome do bar.

– Adoro! Amo a Juliana Farina de paixão! Se quiser companhia, eu vou junto com você. Mas me conta, menina! Como anda a sua vida, a Bibi, sua mãe…

O jantar foi um sucesso. Fernanda conseguiu conquistar o cliente e a Construtora Oedam vai construir o grande supermercado na Barra da Tijuca.

A caminho da casa de Nina, elas conversam.

– Obrigada, Nina. Você ajudou muito.

– Não tem do que agradecer, Fernanda. O que eu fiz, é muito pouco, perto do que você fez por mim.

– Pronto! Está entregue. Mais uma vez, obrigada.

Nina tenta beijar Fernanda.

– Opa! Nunca misturo negócios com prazer.

– Desculpe, eu não resisti. Fernanda, eu não consegui parar de pensar naquela noite. Você foi tão… Tão inacreditável! Quando lembro de você tocando meu corpo, eu fico excitada, molhada. Eu te desejo tanto! E acho que… Me apaixonei por você.

– Nina, nossa relação será apenas profissional e espero que nada atrapalhe isso, senão, serei obrigada a demiti-la da empresa. Não quero que isso aconteça e creio que você também não.

– Por favor, Fernanda, me dê uma chance de provar que posso te fazer feliz.

– Não. E se você insistir nisso, sinto muito, mas nem precisa aparecer amanhã na Construtora. Agora saia do carro.

Nina saiu, desconsolada, decepcionada.

Sábado de manhã, depois que Laila deixa Bianca na casa de sua mãe, ela vai para o apartamento de Doca.

– Oi, minha bicha preferida!

– Lailinha!

Eles se abraçam, felizes por se encontrarem. Conversam o dia todo, contam as novidades e Laila fala sobre Fernanda.

– Finalmente você encontrou uma mulher para balançar o seu coraçãozinho. Essa tal de Fernanda é poderosa!

– Pára com isso! Ela não balançou meu coração.

– Amiga, os seus olhos brilham quando você fala dela. Você tá apaixonadíssima!

– Não estou não. Ela é gostosa, só isso.

– Tá. Me engana que eu gosto.

À noite, os dois amigos fazem uma super produção.

– Como estou, Lailinha?

– Bicha, arrasou! E eu?

– Você está uma “goddess”! As peruas que se cuidem! Laila Conrado volta a atacar!

– Goddess?!

– Uma deusa, minha cara amiga!

Eles chegam ao bar. Doca cumprimenta várias pessoas.

– Você conhece todo mundo?

– Quase! Olha lá a minha musa! Vamos falar com ela. Juliana Farina, meu amor, minha paixão, minha estrela maior!

– Oi, meu amigo! Bom te ver aqui!

– Oi, Juliana! Eu vim!

– Fico muito feliz que tenha vindo. Vocês vieram juntos?

– Sim! Doca e eu somos amigos antigos.

– Ai, mona! Antigos? Que horror!

Doca leva Laila para conhecer o bar, enquanto Juliana Farina não começa a cantar.

– Vou pegar uma bebida pra mim. Você quer alguma coisa, Doca?

– Agora não. Antes, farei um reconhecimento do território, se é que me entende.

Laila sorri e vai para o bar. Pede uma bebida e quando se vira, percebe que uma mulher está olhando para ela. Laila vai até a mesa onde está a mulher.

– Boa noite! É impressão minha ou aquele olhar fatal era pra mim?

– Não é impressão. Foi pra você.

– Posso me sentar aqui?

– Por favor.

Uma mulata com um corpo escultural, se insinua para Laila.

A banda começa a tocar, e Juliana Farina, com sua voz aveludada, arranca aplausos, gritos e assovios da galera. Ela começa a cantar uma música romântica.

– Qual o seu nome?

– Fernanda.

– Como é?! Você disse Fernanda?

– Sim. E o seu?

– Eu mereço.

– O que disse?

– Laila. Meu nome é Laila. Quer dançar comigo?

Fernanda se esfregava no corpo de Laila de uma maneira excitante. Laila beijou a boca da mulher tentadora.

– Nossa! Você me deixou sem ar, Laila! Que delícia de beijo!

Laila passou a língua pelo pescoço de Fernanda e mordiscou sua orelha. A mulata gemeu.

– Você não quer sair daqui e ir para um lugar mais… Aconchegante?

– Não precisamos sair daqui, basta sermos discretas. Vi que tem uma boate lá em cima, vamos?

Elas sobem e encontram um lugar escuro. Laila encosta a mulata contra a parede.

– Vestidos facilitam tanto as coisas.

Laila passa sua mão pelas pernas de Fernanda e vai subindo.

– Ai, caramba! Você está sem calcinha?

– Uhum.

– Gostosa!

– Ai, Laila! Como você faz gostoso! Ai, ai! Hmmm…

Fernanda rebola, mexe e geme, e treme e… Goza!

– Uau! Você é fera, Laila! Que delícia! Quero mais!

– Mais tarde, ok? Vamos descer? Quero ver Juliana Farina cantando.

Elas descem e Fernanda vai para a mesa.

– Você não vai ficar aqui comigo?

– Vou ao banheiro, depois eu volto.

Laila entra no banheiro. Depois, procura por Doca.

– Oi!

– Onde você estava?

– Lá em cima, no escurinho com uma mulata… Nossa!

– Mas já? Não perdeu tempo, né amiga?

– Ela me quis e eu a fiz feliz! Acho que não vou dormir em seu apartamento hoje.

– Deixe de ser boba, pode levar a mulata pra lá e divirta-se!

– De jeito nenhum! Lembra do nosso combinado? Namorar em casa, sexo no motel.

– Está certa! Qual o nome da felizarda?

– Fernanda.

– O que?!

Doca dá gargalhada.

– Pára de rir, Doca. Não tem graça.

– Ah, tem sim!

Ele continua rindo e Laila volta para ficar com Fernanda. Em uma mesa, ela vê duas mulheres conversando. Ela se aproxima.

– Fernanda?!

– Laila?!

Fernanda se levanta e elas ficam se olhando, sem nada dizer. Até que a mulher que estava conversando com Fernanda fala:

– Estou atrapalhando o clima? Se quiserem, posso sair e deixar vocês a sós.

– Não está atrapalhando nada. Eu já estou indo.

Fernanda segura o braço de Laila.

– Espere. Quero falar com você.

Fernanda leva Laila para a parte de cima, onde tem uma sacada.

– Como você está? E Bianca?

– Estamos bem. E você?

– Bem também. Nunca imaginei te encontrar aqui.

– Nem eu. Você deixou sua namorada lá sozinha, isso é deselegante.

– Ela não é minha namorada. Acabei de conhecer.

– Mesmo assim, é deselegante. Vamos.

– Por que está fazendo isso?

– Isso o que? Eu não estou fazendo nada.

– Está sim! Está fugindo de mim. Por quê? Do que você tem medo?

– Pára com isso! Não tenho medo de nada. Eu vim aqui para me divertir e não para ficar numa sacada conversando com você.

– Está certo. Também vim para me divertir.

As duas descem as escadas e cada uma vai para uma mesa.

– Você demorou, Laila! Pensei que tivesse ido embora e me deixado aqui, sozinha e carente.

Laila parece nem escutar o que Fernanda diz. Ela fica olhando para a outra Fernanda e vê quando ela beija a mulher na boca. Laila também faz o mesmo. Beija a mulata e Fernanda vê.

– Vamos dançar. – Pede Laila.

Vendo Laila dançando, Fernanda também vai dançar com a mulher. Elas se olham, e beijam as mulheres que estão com elas.

A banda começa a tocar uma música e, antes de cantar, Juliana Farina diz:

– Vou oferecer esta música às minhas mais novas amigas. Laila e Fernanda, esta é para vocês.

“Despir”, é a música oferecida para elas.

– Nossa! Juliana ofereceu a música pra nós duas! Que amor!

– Cala a boca, garota! Não foi pra você que ela ofereceu, foi para a outra Fernanda.

– Outra Fernanda? Quem?

– Não interessa. Desculpe, eu fui grosseira com você. Me perdoa.

– Tudo bem. Mas eu não entendi nada.

– Não precisa entender. Vem cá, me dá um beijo bem gostoso.

Durante quase toda a noite, Laila e Fernanda trocaram olhares. Laila saiu com a mulata para o motel.

– Ah, Laila! Você é demais! Nossa! Ai… Que loucura!

Mesmo se deliciando com a mulata de corpo escultural, Laila não conseguiu tirar a outra Fernanda da cabeça.

Fernanda e a mulher também estavam em um motel.

– Ah, Fernanda! Que delícia! Você faz tão gostoso! Hmmm…

Fernanda só pensava em Laila.

Pela manhã, Laila leva Fernanda para casa e chega ao apartamento de Doca.

– Bom dia, minha gostosa! E aí? Como foi a sua noite?

– Prazerosa. E a sua?

– Não é Facebook, mas eu curti muito!

Laila e Doca tomam o café da manhã e ela se despede do amigo.

– Ah, amor! Fica! Vai embora amanhã!

– Não posso meu amigo! Ainda vou a Cabo Frio buscar Bianca e depois voltar para Itatiaia. A estrada é longa!

– E o helicóptero?

– O helicóptero não é meu, Doca. Bem que você poderia me visitar no próximo final de semana.

– Não dá amiga! Até o próximo mês estou cheio de Congressos para fazer. Mas prometo que quando acabar, eu vou tirar uns dias de férias na sua terrinha, tá bom? Manda um beijãozão para a minha Bibi! Amo-te!

– Também te amo! Ah! Antes que eu me esqueça, dei o número do seu telefone para a mulata. E pode esperar, ela vai ligar!

– Sua bandida!

Laila sai rindo e pega a estrada em direção a cabo Frio.

Duas semanas se passaram. Laila havia saído da loja para almoçar e uma pessoa a procura.

– Boa tarde! Laila está?

– Não, ela foi almoçar. Quem quer falar com ela?

– Meu nome é Fernanda. A senhora poderia passar um recado para ela?

– Claro!

Uma hora depois, Laila volta à loja.

– Laila, tenho um recado para você.

– Recado? De quem, dona Lisinha?

– Fernanda. Ela disse para você procurá-la no hotel, pois, quer falar com você.

– Fernanda?! Aqui? Dona Lisinha, eu posso…

– Vai minha filha! Acho que o assunto deve ser  muito importante.

– Obrigada!

Laila beija a senhora e vai para o hotel.

Dessa vez, Fernanda não estava sozinha. Pediu para que Nina a acompanhasse como sua assistente. Elas estavam no quarto de Fernanda.

– Você entendeu o que eu quero?

– Entendi, Fernanda, claro!

– Não pode haver nenhuma falha. O velho é duro na queda, e em hipótese alguma, pode saber que a maior interessada sou eu.

– Deixa comigo.

– Nina, eu vou sair. Se precisar comprar um vestido para o jantar desta noite, compre e mande colocar em meu nome.

– Aonde você vai?

– Resolver um assunto pessoal. Não se esqueça de levar o tablet para o seu quarto.

Fernanda sai e Nina continua em seu quarto.

– Hoje você não vai resistir à surpresa que estou preparando, Fernanda Oedam!

Laila chega ao hotel e se apresenta à recepção.

– Ah, sim! Senhorita Laila Conrado? A senhorita Fernanda nos avisou de sua chegada. Pode subir.

– Obrigada!

Laila bate à porta do quarto de Fernanda. Nina, enrolada em uma toalha e com os cabelos molhados, abre a porta.

– Pois não?

– Ah… Eu… Desculpe! Acho que errei de quarto.

– Quem você está procurando?

– Fernanda Oedam. Ela pediu que eu viesse.

– O quarto é este mesmo, mas ela não está. Quer deixar algum recado?

– Não. Obrigada.

Laila sai do hotel e volta para a loja.

– O que houve, minha filha? Por que esses olhinhos tão tristes?

– Não foi nada, dona Lisinha.

Laila não consegue se concentrar em seu trabalho.

“Pra que ela me chamou no hotel? Para ver aquela mulher? Por quê?”

– Laila?

– Sim, dona Lisinha!

– A cliente está falando com você. Não está ouvindo?

– Ah, desculpe! Pois não, senhora.

Quando a cliente sai, dona Lisinha fala com Laila.

– Pode ir para casa, minha filha. Sinto que você não está bem. Vai descansar.

– Me perdoe, dona Lisinha.

– Vai, filha!

Laila aceita a sugestão da dona da loja e vai embora.

Fernanda entra em seu quarto e se depara com uma cena inusitada

– O que é isso?!

Ela vê Nina vestida com lingerie sedutora e deitada na cama. No criado-mudo, havia champanhe e um vaso com rosas vermelhas.

– O que significa isso, Nina?

– Fiz pra você. Vem!

Fernanda, muito irritada, pega no braço de Nina e a joga para fora do quarto.

– Não faça isso, Fernanda! Por favor!

– Depois vamos conversar sobre essa palhaçada. Hoje preciso de você, então, antes que eu perca a cabeça, vai para o seu quarto. Espere!

Fernanda pega o balde com o champanhe e o vaso, e entrega a ela.

– Leve isso com você e faça bom proveito.

Fernanda sente um cheiro forte no quarto e abre as janelas.

– Que perfume enjoativo!

Ela pega o telefone e liga para a recepção.

– Eu estou esperando uma visita. Por favor, assim que ela chegar, pede para subir em meu quarto.

– A senhora está falando da senhorita Laila Conrado?

– Isso mesmo.

– Ela já esteve aqui, mas foi embora rapidamente.

– Deixou algum recado pra mim?

– Não, senhora. Nenhum.

– Obrigada.

Fernanda vai à loja.

– Ela não estava se sentindo bem e pedi que ela fosse embora.

– A senhora sabe para onde ela foi?

– Não sei. O que você fez a ela?

– Eu?! Não fiz nada.

– Eu dei o seu recado e ela saiu em seguida para te procurar no hotel. Quando voltou, estava muito chateada. Os olhinhos dela estavam tão tristes!

– Eu nem a vi. Eu a esperava no hotel depois das 17 horas. Não é nesse horário que ela sai da loja?

– É sim! Ela sai e pega Bianca na escola. Mas quando passei o seu recado, ela ficou bem agitada e pediu para sair, e eu deixei.

– Obrigada.

Fernanda sai da loja e vai para a casa de Laila, mas não a encontra.

“Já sei onde você está”.

– Oi, pilota!

– Oi.

– Posso me sentar ao seu lado?

– À vontade! A propriedade é sua.

Fernanda se senta.

– A dona da loja me disse que você voltou chateada do hotel.

– Impressão dela.

– Você viu Nina em meu quarto, não foi?

– Não foi pra isso que você me chamou lá?

– Não. Eu não sabia que você ia aparecer àquela hora. Pensei que fosse esperar sair do trabalho.

– Ah! Então cheguei na hora errada? Ou talvez na hora certa.

– Não foi isso o que eu quis dizer.

– O que foi então?

– Eu esperava você depois das 17 horas, porque queria te convidar para jantar comigo no hotel. E Nina nem deveria estar em meu quarto.

– Jantar com você e com a sua mulher? Pra que?

– Nina não é minha mulher, é minha assistente.

– Você costuma se hospedar com suas funcionárias no mesmo quarto?

– Nina está em outro quarto. Você a encontrou lá, porque tínhamos acabado de acertar algumas coisas do trabalho.

– Sua assistente trabalha só de toalha? Interessante!

– Você está com ciúmes?

Laila gargalhou.

– Não seja pretensiosa!

– E por que está tão zangada?

– Não estou zangada.

– Está sim! E morrendo de ciúmes.

Laila se levantou.

– Olha aqui, senhora Fernanda Oedam, não tenho nada haver com os seus romances. Venho aqui para ficar sozinha e pensar, sempre faço isso. Mas se não posso ter minha privacidade, então é melhor eu ir embora.

Fernanda também se levanta e agarra Laila.

– Solte-me!

– Você poderia calar a boca e me ouvir?

– Não.

Elas ficam no duelo de olhares… E se beijam.

Sem soltar Laila, Fernanda fala:

– Pedi para que fosse ao hotel, porque precisava falar algo muito importante. Só não sei como começar, nunca passei por isso.

– O que você quer?

– Eu quero…

Fernanda tenta encontrar as palavras.

– Eu gostaria… Eu pensei…

– Mas que droga! Fala logo!

– Laila Conrado… Você quer se casar comigo?

– O que?!

Laila dá gargalhada.

– Você bebeu? Cheirou cola? Bateu com a cabeça?

– Pare de zombar. Já está sendo tão difícil e você fica debochando? Se não quer, diga logo e te deixo em paz.

– Você está falando sério?

– Nunca falei tão sério em toda a minha vida.

– O que aconteceu com a mulher inteligente?

– Ela resolveu me abandonar e, sinceramente, não estou entendendo o que está acontecendo comigo.

– Não mesmo? Pois eu vou te explicar, mulher inteligente! Você está completamente apaixonada por mim… Louquinha! Você está me amando, Fernanda Oedam!

– Eu sabia! Não deveria ter dito nada! Agora você vai rir às minhas custas até a próxima encarnação.

– Tsc Tsc… Ainda não dei minha resposta. Sempre sonhei com um pedido de casamento romântico. Será que você seria capaz de realizar meu sonho?

– Diga qual é e eu verei se posso fazer.

– De joelhos, segurando minha mão.

– Como é?! Ficou louca?

– É assim ou não tem negócio. Isso, se você realmente estiver falando a verdade sobre querer se casar comigo. Se fosse eu a pedir alguém em casamento, eu ficaria de joelhos sem problema algum.

– E quem me garante que depois que eu pagar esse mico, sua resposta será sim?

– Tente!

Contrariada, Fernanda fica de joelhos e faz o pedido.

– Laila Conrado, você quer se casar comigo?

Laila ri.

– Sabia que um dia, eu ia ter você aos meus pés!

– Humpft.

Laila também se ajoelha e beija Fernanda.

– Sim, Fernanda Oedam! Eu aceito me casar com você. Mas antes, preciso te contar um segredo.

– Não vai me dizer que você já é casada?

– Não! Eu menti sobre o sonho bobo de ser pedida em casamento por alguém de joelhos. Eu só queria te ver assim, aos meus pés.

– Vou te fazer calar a boca do meu jeito.

Fernanda cala a boca de Laila com um beijo.

Elas voltam para a cidade. Laila e Fernanda pegam Bianca na escola. Quando a menina vê Fernanda, corre para abraçá-la.

– Hei, garotinha! Também estou aqui! Lembra? Sou sua mãe.

– Oi, mãe!

– Vamos para casa, preciso ter uma conversa com você.

– Eu não fiz nada! Eu juro!

– Você vai para o hotel jantar comigo?

– Vou. Até mais tarde.

Em casa, Laila conta a novidade para Bianca.

– “Yes”! Eu sabia que vocês iam ficar juntas! Foram feitas uma para a outra.

– Você não ficou zangada? Triste?

– Não, mamãe! Estou muito feliz! Eu te amo e amo Fernanda também. E vocês se amam!

– Isso mesmo! Fernanda e eu nos amamos muito. Você me deixou muito feliz. Te amo, minha vidinha!

– Te amo, mamãe!

Fernanda, Laila e Bianca estão no restaurante do hotel. Em outra mesa, Nina está jantando com um homem. A conversa não parecia amigável.

– Aquela não é a mulher da toalha?

– É. A mulher do lingerie.

– Hã?!

– Esquece!

Minutos depois, Nina sai da mesa e faz um sinal para Fernanda acompanhá-la.

– Com licença, eu já volto.

Elas vão para o quarto.

– Aquele homem é grosseiro e ignorante. Parece mais com um cavalo dando coices.

– Isso quer dizer que você não conseguiu nada.

– Esquece, Fernanda! Será impossível você conseguir alguma coisa dele. Sinto muito.

– Droga! Eu preciso daquela propriedade! Tenho que arranjar um jeito de conseguir isso.

Fernanda estava saindo, quando Nina a segurou.

– Espere! Preciso falar com você, te pedir desculpas sobre o que houve esta tarde.

– Depois falaremos sobre isso, Nina.

Quando Fernanda retorna ao restaurante, fica surpresa ao ver Laila e Bianca à mesa do homem que estava jantando com Nina. Laila e Bianca estavam rindo.

Fernanda se senta à sua mesa. Quando vê que Fernanda havia voltado, Laila e Bianca se despedem do homem com um abraço. Ele vai embora.

– Você conhece aquele homem?

– Você está falando do Seu Bartolomeu? Sim! Ele e meus pais são amigos há anos. Meu pai e ele costumavam pescar quase todos os dias depois do trabalho. Por quê?

– Laila Conrado! Acho que você me salvou!

– Salvei? Que bom! Mas do que?

– Ele está vendendo uma de suas propriedades e preciso comprar dele.

– Fale com ele!

– Já falei! Mas ele não quer vender pra mim. Disse que odeia Construtoras.

– Entendi! E você quer que eu o convença a vender pra você. Acertei?

– Acertou. Você faria isso por mim?

– Por que você quer outra fazenda, se já tem a de Lara?

– Porque tenho outros planos, outros projetos, e a fazenda do velho vai servir exatamente para o que eu preciso. Por favor, Laila, fale com ele!

– Para convencê-lo, eu teria que ter um argumento justo e convincente.

Fernanda fica olhando para Laila. Parecia querer esconder alguma coisa.

– O que você pretende construir na fazenda de Bartolomeu?

– Um condomínio de luxo.

– Outro?! Acho que você está me escondendo alguma coisa, Fernanda.

– Estou mesmo. Era para ser uma surpresa, mas se não tem outro jeito…

Depois de ouvir Fernanda, Laila pula no colo dela e a beija, no rosto.

– Obrigada! Você está me fazendo a mulher mais feliz do mundo! Não se preocupe! A fazenda de Bartolomeu será sua, ou eu não me chamo Laila Conrado.

No dia seguinte, Laila procura Bartolomeu. Depois de ouvir os argumentos de Laila, o velho Bartolomeu vende a fazenda para Fernanda.

Dois meses depois…

– Minha amiga, você está simplesmente… Divina!

– Sério Doca? Não estou parecendo uma camponesa idiota?

– Não, mamãe! Você está linda! Parece uma princesa!

– Ok! Vamos logo, antes que eu desista.

Fernanda e Laila se casam na fazenda que era de Lara. Uma grande festa comemora a união entre elas. Juliana Farina e Banda animam a festa.

– Venha comigo, Laila.

– Pra onde?

– Para a nossa árvore!

Quando elas chegam à árvore, na beira do riacho, Fernanda entrega a ela um papel.

– O que é isso?

– É meu presente de casamento para você.

Quando Laila lê o que está escrito, ela chora e abraça Fernanda.

– Esta fazenda é sua! É nossa!

– Obrigada, Fernanda! Pena que não posso fazer isso pelo meu pai, mas sei que ele está vendo e está muito feliz.

Elas se beijam e voltam para a festa. Juliana fala ao microfone.

– Laila e Fernanda, agora vou cantar uma música para vocês. Laila, ainda bem que estou cantando para você nessa encarnação, não é? Parabéns e muitas felicidades!

Juliana Farina começa a cantar “Despir”. Fernanda e Laila dançam.

– Sempre achei que faltava alguma coisa em minha vida, e agora, mesmo sem saber o que faltava, eu estou me sentindo completa.

– Você não sabe o que faltava para se sentir assim, Fernanda?

– Não. Você sabe?

– Sei.

– Diz, Laila!

– Só faltava o amor!

FIM

“Qualquer semelhança com nomes e acontecimentos, terá sido mera coincidência. Não são fatos reais”.

OBS: Apenas um nome é real, mas as ocorrências não fazem parte da realidade. Juliana Farina autorizou usar seu nome.

copyright© – Todos os direitos reservados

Plagio é crime e está previsto. no artigo 184 do código penal.

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SÓ FALTAVA O AMOR – PARTE I

“Tinha dinheiro, trabalho, cargo, sucesso, mulheres, viagens, sexo, gastronomia… Tinha tudo! Mas…

– Você não pode me demitir!

– Posso sim! Vá até o Departamento de Pessoal para acertar suas contas. E espero não ter que ver a sua cara nunca mais.

– Isso não é justo! Fernanda, por favor…

– Adeus!

Fernanda Oedam é uma empresária de sucesso. Rígida e competente, não suporta pessoas que não correspondam às suas expectativas.

Com a aposentadoria de seu pai, Fernanda herdou a Construtora Oedam, uma das mais importantes do País, e há 2 anos, administra magistralmente, com pulso firme.

– Com licença, Fernanda.

– Entre, dona Norma.

Norma é secretária da empresa há 15 anos. Pessoa de confiança do pai de Fernanda, e agora, dela.

– O que houve com Camila? Ela saiu soltando fumaça pelas ventas.

– Eu a demiti.

– Demitiu?! Por quê?

– Porque ela é incompetente. E não suporto pessoas que misturam a vida pessoal com a profissional. A senhora trouxe os relatórios que pedi?

– Sim. Estão todos revisados, só falta você assinar.

Fernanda pega a pasta das mãos de Norma.

– Depois que eu ler tudo e constatar que está como pedi, eu te chamo. Obrigada.

Norma entendeu o recado e saiu da sala.

Depois de um dia cheio, Fernanda vai para o seu duplex, em um dos prédios construídos pela Construtora Oedam.

Toma banho, se veste, e sai para jantar em seu restaurante preferido. Bebe uma taça de vinho, enquanto aguarda sua amiga.

Uma linda mulher, com cabelos longos e castanhos, chega ao restaurante. Dá um beijo em Fernanda e se senta. Fernanda olha para o relógio.

– Ah, não, Fernanda! Sem neurose, por favor.

– Você está atrasada 40 minutos. Eu já estava desistindo de te esperar.

– Cheguei! Pronto! Você já pediu?

– Ainda não.

Elas olham o cardápio e fazem os pedidos. Depois de jantarem, elas saem em direção a uma boate.

– Fernanda, nem sei como te agradecer por me acompanhar a esta festa. Não conseguiria ir sozinha.

– Não se preocupe! Você fica me devendo.

Ao entrarem na boate, elas se dirigem a uma mesa, onde estão várias mulheres.

– Paula?! Eu não acredito que você veio!

– Nem eu, Nina! Nem eu.

As amigas se cumprimentam.

– Você não vai me apresentar à sua amiga?

– Ah, claro!

Paula apresenta Nina para Fernanda.

– Nina, elas já chegaram?

– Sim. Estão na pista de dança. Tem certeza que você quer ver isso? Digo… As duas juntas?

– Tenho. Preciso ver para tentar esquecer.

– Tudo bem. É você quem sabe.

Em seguida, duas mulheres chegam à mesa. Uma delas cumprimenta Paula.

– Oi, Paula. Como você está?

– Apesar das circunstâncias, estou bem. E você, Cláudia?

– Bem também. Paula, eu gostaria de te pedir um favor.

– Não precisa se preocupar. Não darei escândalos.

– Obrigada.

Paula e Cláudia namoraram durante 3 anos e pensavam em morar juntas. Até que Eliana apareceu e as separou.

Cláudia se senta ao lado de sua atual namorada. Eliana parecia fazer de tudo para provocar Paula.

– Amiga, finja que não está vendo.

– Ai que vontade eu tenho de matar essa garota.

– Mas é exatamente isso o que ela quer. Que você perca o controle e desça do salto. Paula, não dê esse gostinho a ela. Você é superior a isso.

– Obrigada, Nina. Onde está Fernanda?

– Não sei. Deve ter ido ao banheiro. Aliás, você e ela…

– Não! Fernanda é minha amiga há anos.

– Ela é solteira?

– Solteiríssima! Mas esquece, Nina! Fernanda não se apega a ninguém, só pega.

– Isso porque ela ainda não provou a doce Nina.

– Ok! Depois não diga que eu não avisei.

Do outro lado da boate, Fernanda conversa com uma mulher.

– Estamos conversando há alguns minutos e eu ainda não sei o seu nome.

– Lenise. E o seu?

– Fernanda. Você está sozinha ou acompanhada?

– Estou com meu namorado. A irmã dele é homossexual e está comemorando o aniversário aqui, por isso eu vim.

– Entendo. Então, aquele olhar, a insinuação… Foi imaginação minha?

– Não. – Respondeu a garota, com um sorriso tímido.

– Quer ir para um lugar mais calmo?

– Agora?!

– Sim! Agora!

Lenise procura o namorado.

– Amor, preciso ir embora. Menstruei e não tenho absorvente aqui.

– Caramba, Lenise! Como pôde deixar isso acontecer?

– Não tenho culpa! Adiantou! O que eu posso fazer?

– Minha irmã vai ficar furiosa se eu sair agora.

– Você não precisa ir, pego um táxi.

– Tem certeza? Se quiser…

– Não precisa. Quando eu chegar em casa, eu te ligo.

Enquanto isso, Fernanda se despede de Paula.

– Poxa, Fe! Você prometeu ficar comigo!

– Não. Eu prometi que traria você. Já trouxe, agora vou embora. Sua amiga te faz companhia.

– Fica, Fernanda! Nem tivemos tempo para conversar! – Diz, Nina.

– Preciso ir. Tchau.

Fernanda beija o rosto de Paula e vai embora com Lenise.

– Ai, Fernanda! Que delícia! Ah…

Fernanda e Lenise estão em um motel. Lenise delira com os toques e beijos de Fernanda em seu corpo. Depois de saciadas, Fernanda se levanta e vai para o chuveiro. Lenise a segue e entra no banho com ela.

– Quem é você? Fernanda, você me levou à loucura! Nunca fui tocada desse jeito! Você não deve ser deste mundo.

– Deixe de bobagens, garota!

– Você acredita em amor à primeira vista?

– Não.

– Pois, acredite! Estou completamente apaixonada por você!

Lenise beija a boca de Fernanda e elas fazem amor novamente.

Fernanda leva Lenise para casa.

– Pegue. É o número do meu telefone. Vou esperar você me ligar… Ansiosamente!

Fernanda sai, amassa o papel com o número de telefone e joga fora. Chega ao seu apartamento, se despe e se deita, nua, pegando no sono rapidamente.

– Bom dia, Fernanda! – Diz Norma, seguindo Fernanda, que anda pela empresa. – Sua mãe, sua irmã, doutor Fabrício e a doutora Gislene, telefonaram. Sua mãe quer saber se você vai viajar junto com sua irmã e disse que está morrendo de saudades. Sua irmã quer que você vá com ela escolher o vestido de noiva antes de viajar para a casa de seus pais. Doutor Fabrício disse que os documentos que você pediu já estão prontos, e doutora Gislene, disse que você faltou a 5 sessões e quer falar com você.

– Manoel, por favor, leve os projetos agora mesmo até minha mesa.

– Fernanda, preciso falar com você sobre as obras do Shopping, eles querem…

– Converse comigo quando eu estiver em minha sala.

– Mas eles…

– Você me ouviu, Janaína. Na minha sala.

Fernanda conversa com todos na empresa, fazendo cobranças. Depois se dirige à sua sala. Janaína e Manoel estão à porta, esperando-a.

– Já falo com vocês. Entre Norma, e feche a porta.

Fernanda se senta, abre seu notebook e envia um e.mail.

– Norma, telefone para as pessoas que me ligaram, na ordem dos recados que você me passou.

– Oi, mãe! Estou bem. Não vou viajar com Fabiana, mas estarei no casamento, fique tranquila. Que bobagem! Fabiana quer agradar a amiga, fazendo o vestido de noiva com ela. Sua preocupação é desnecessária! Tanto faz o vestido ser feito no Brasil ou na Europa. Está bem. Ok! Mãe preciso trabalhar, à noite te ligo. Beijo.

Norma faz uma nova ligação.

– Oi, Fabiana! Não prometi que iria com você escolher o vestido? Sempre cumpro minhas promessas. Quando você vai? Ok! Até lá! Beijos.

Outra ligação.

– Se os documentos estão prontos, por que ainda não estão em minha mesa? Até logo, doutor Fabrício.

Última ligação.

– Doutora, você sabe que sou uma mulher muito ocupada e tenho minhas prioridades. Hoje? Às 15 horas? Um momento, eu vou consultar minha agenda. – Fernanda olha para Norma. – Confirmado! Estarei em seu consultório às 15 horas.

A manhã passa rapidamente. Fernanda sai para almoçar e avisa Norma que não voltaria mais. Às 15 horas em ponto, Fernanda chega ao consultório da doutora Gislene.

– Como se sente, Fernanda?

– Muito bem! E você?

Gislene sorri.

– Sei o quanto deve ser desagradável para você ter que vir às consultas, mas é uma ordem judicial e deve ser cumprida.

– Outro dia te perguntei se a mãe da menina também está fazendo terapia. Já tem a resposta?

– Tenho. Ela não está fazendo terapia.

– Está vendo? A mulher é louca e não está em terapia. É ela quem precisa, não eu.

– Você não precisa se zangar comigo, só estou fazendo meu trabalho.

– Ok! Quer falar sobre o que?

– Fale o que quiser falar. Estou aqui para te ouvir.

– Certo. Bom… Na verdade, não tenho nada para falar. Quer perguntar alguma coisa?

– Fale sobre a sua família. Como é o relacionamento de vocês?

– Normal. Papai, mamãe, irmãzinha, futuro cunhado, não temos cachorros, nem gatos, somos ricos, trabalhamos… Enfim! O que mais quer saber?

– Se o bom humor é de família. – Diz a doutora, sorrindo.

– Todos tem um ótimo humor, menos eu. Detesto piadas, não assisto a programas humorísticos, nunca gostei de circo porque o palhaço é sem graça e acho que não temos muito sobre o que falar, não é, doutora?

– Você é casada? Tem filhos?

– Você já leu isso na ficha que preenchi, não foi?

– Foi. Mas gostaria que você falasse. Tem algum problema com isso?

– Problema eu teria se tivesse um marido que ficasse grudado no sofá, em frente à televisão, enquanto eu estivesse cuidando de um bebe chorão.

– Você não tem namorado?

– Não. Nem pretendo ter.

Fernanda olha para o relógio.

– Ainda temos bastante tempo, Fernanda. Fale-me o que você gosta de fazer.

– Trabalhar.

– É a única coisa que te dá prazer? Trabalhar?

– Tem outras coisas que me dão prazer, mas não sei se é conveniente eu falar.

– Experimente!

– Uma coisa que me dá muito prazer, é imaginar uma mulher bonita como você, na cama comigo. Eu tiraria a sua roupa devagar, tocaria seu corpo lentamente e beijaria você, do jeito que nunca foi beijada.

Gislene se mexe na cadeira.

– Imagine minha língua passeando por todo o seu corpo, fazendo-a tremer, gemer, gozar… Isso me dá muito prazer.

Desta vez, quem olha no relógio, é Gislene.

– Acho que podemos terminar esta sessão. Vou marcar para depois de amanhã, no mesmo horário. Está bem pra você?

– Sim. E pra você, doutora?

– Até logo, Fernanda.

Fernanda saí, dando risada.

– Que vaca! – Diz Gislene, irritada, mas sorrindo.

Depois de tomar um banho, Fernanda sai para jantar e vai para a mesma boate que esteve na noite passada. Olha para as lindas mulheres dançando e escolhe uma.

– Boa noite! É impressão minha ou você estava dançando pra mim?

– Fico feliz que tenha notado.

As duas saem da boate, diretamente para um motel.

– Ah, Fernanda! Ai, que gostoso! Mais…Assim…Ah…

Fernanda leva a mulher para casa, pega o número de telefone, amassa o papel e joga fora. Chegando ao seu apartamento, dorme tranquilamente.

– Dona Norma, entregue os documentos para o doutor Fabrício, eles estão assinados sobre minha mesa. Peça para que ele dê entrada ainda hoje.

No dia marcado, Fernanda chega ao consultório da doutora Gislene.

– Boa tarde, doutora!

– Boa tarde, Fernanda! Como você está?

– Muito bem e você?

– Ótima. Fale-me sobre o seu trabalho.

– É sobre isso mesmo que quer que eu fale?

Fernanda sorri.

– É, Fernanda. Parece-me que você gosta muito do que faz.

– Gosto muito. O que vai fazer esta noite?

– O que?!

– Gostaria de sair comigo para jantar?

– Fernanda, você precisa entender que sou sua terapeuta e você está aqui para cumprir…

– Uma ordem judicial. É,eu sei! Mas você janta… Não janta?

– Janto, claro! Mas…

– Então! Posso passar em sua casa para pegá-la às 20 horas.

– Você não está entendendo. Eu não posso sair com você.

– Por que não? Seu marido não deixa você sair com uma amiga para jantar e jogar conversa fora?

– Não sou casada. Mas a questão não é essa. Você é minha paciente! Não podemos…

– Deixo de ser. Você sabe que não tenho problema algum e pode me dar alta. Aí, podemos sair. É só um jantar inofensivo! Que mal há nisso?

Gislene escreve seu endereço em um papel e entrega à Fernanda.

– Estarei pronta às 20 horas.

Fernanda sorri, vitoriosa. No carro, ela fala em voz alta.

– Hoje é você quem será analisada, doutora. – Diz Fernanda, sorrindo.

Às 20 horas em ponto, Fernanda pega Gislene.

– Sempre ouvi falar que este restaurante tem a melhor comida da cidade, mas nunca tive oportunidade de vir.

– Janto aqui todas as noites. Não só a comida é de qualidade, mas o atendimento também.

O garçom chega à mesa e cumprimenta Fernanda, entregando-lhe o cardápio.

– O que vai beber, doutora?

– Um vinho. Deixo à sua escolha.

Fernanda pede o vinho ao garçom, que traz em seguida, servindo-as.

– Vamos brindar.

– Brindaremos a que?

– À nossa nova amizade e à minha alta.

– Ainda não te dei alta.

– Está jantando comigo como minha terapeuta? Você não disse que não poderia fazer isso?

– Posso sim. É uma análise fora do consultório. Quero ver como você se comporta.

– Sei. Tim-Tim!

Enquanto jantam, conversam sobre o que levou Fernanda a ter que fazer terapia e cumprir a ordem judicial.

– O que você faria se visse uma criança sendo espancada em um shopping ou em qualquer outro lugar? Eu não aguentei, tive que fazê-la parar.

– Você poderia ter resolvido isso de outra maneira.

– Como?

– Chamando a segurança do shopping, ligando para a polícia, tentando um diálogo com a mulher.

– Eu tentei. Mas ela me mandou calar a boca e disse que eu não deveria me meter em assuntos familiares. Pedi que ela parasse de bater na menina, que estava chorando, assustada. A mulher continuou gritando com a garotinha e batendo nela. Aí, não me segurei. Dei um empurrão na mulher, ela caiu dentro da fonte, e saiu gritando pelo shopping, dizendo que estava sendo agredida.

– Não havia testemunhas?

– Havia, e muitas! Mas parece que as pessoas tem medo de fazer o que é certo, não querem se envolver. Se elas tivessem dito o que a mulher estava fazendo com a menina, nós não estaríamos aqui jantando. Bom, há males que vem para o bem.

Depois do jantar, no carro, Fernanda tenta beijar Gislene.

– Não, Fernanda.

– Por que não? Você não quer?

– Não é isso. É que… Não está certo.

– O que não está certo, é você e eu querermos este beijo e ele não acontecer.

No motel…

– Nossa! Ai, Fernanda! Isso é tão bom…tão gostoso…tão… Ah…

Uma semana depois, Fernanda está no ateliê com sua irmã, para a escolha do vestido de noiva.

– Adorei esse. O que você acha, Fernanda?

– Você ficou linda com todos os vestidos que experimentou. Você só tem que lembrar de uma coisa.

– Do que?

– Você vai se casar na cidade mais fria do mundo e estes vestidos são para o clima brasileiro. Você vai congelar, irmãzinha.

– Ah, meu Deus! Esqueci desse detalhe!

– Tenha calma, Fabiana! Já sei qual vestido você vai usar. Espere, eu já volto.

A amiga de Fabiana sai. Minutos depois, volta com outro vestido de noiva.

– É este! Amei! O que achou, Fe?

– Linda! Muito linda!

– Você teve sorte, Fabiana! Este vestido foi criado há dois dias e ninguém ainda o tinha visto. Exclusivo para você, minha amiga.

– Sério? E quando posso levá-lo?

– Teremos que fazer alguns ajustes. Amanhã você volta para provar e ficando bom, te entrego em dois dias.

– Perfeito! Você vai ao meu casamento, não vai?

– Vou tentar. Farei o possível para ir.

Depois que saem do ateliê, Fernanda e sua irmã vão se encontrar com Christian, o noivo de Fabiana.

– Como vai, Fernanda?

– Estou bem e você, cunhado?

– Ansioso para casar com sua irmã.

– Oh, que lindo! Te amo, Chris!

O casal se beija, apaixonado.

– Vocês vão fazer o que?

– Vamos para o hotel. Por quê? Vai nos convidar para algum evento?

– Pensei em jantarmos juntos esta noite.

– Ótima ideia, maninha! No restaurante de sempre?

– Sim. Às 20 horas estarei lá, esperando por vocês.

No jantar, Fernanda lhes entregou o presente de casamento. Passagens de avião, e hospedagem, para o Caribe.

– Ah, meu Deus! Eu não acredito! Ah, Fe! Obrigada! – Disse Fabiana, abraçando a irmã.

– Obrigado, Fernanda. Sabia do sonho de Fabiana, mas não poderia dar-lhe esse presente de lua-de-mel.

– Vocês merecem! Quero que sejam muito felizes.

– Nós seremos, Fe! Nós seremos.

Após o jantar, Fernanda leva sua irmã e seu cunhado ao hotel e vai para casa.

No dia seguinte, ela recebe a ligação da doutora Gislene.

– Já falei com o promotor sobre sua alta. Está livre de mim, Fernanda.

– Que bom! Fico feliz!

– Fica feliz em se ver livre de mim?

– Não! Estou falando sobre a alta.

– Ah, fiquei preocupada. Você tem algum compromisso para esta noite?

– Sim. Vou ficar com minha irmã enquanto ela está no Brasil. Na próxima semana ela viaja para Londres e ficaremos algum tempo sem nos ver.

– Que pena. Pensei em repetirmos aquela noite maravilhosa. O jantar, o vinho… E todo o resto.

– Vamos deixar para outra ocasião. Até que minha irmã viaje, estarei com ela todas as noites.

– Está certo. Você tem meu telefone, quando quiser e puder, me ligue. Vou esperar.

Fernanda desliga o telefone e pensa:

“Vai esperando, doutora. Vai esperando!”

Londres – Casamento de Fabiana e Christian

– Parabéns, minha irmã! Desejo a você toda a felicidade do mundo. E se esse cara não te fizer feliz, fale comigo.

– Obrigada, mana! Te amo!

Festa, dança, boa comida, os noivos e suas famílias felizes… E uma linda mulher britânica, na cama, com Fernanda.

De volta ao Brasil, a rotina de Fernanda foi cortada por um convite especial.

– Claro que eu aceito!

– Obrigada, Fernanda! Você não imagina como me deixa feliz. Pensei que você não fosse aceitar ser minha madrinha de casamento.

– Por que pensou isso?

– Porque você não gosta dessas coisas de tradição, clichês.

– Realmente eu não curto isso, mas se é para a felicidade geral da nação… Você sabe que minha irmã se casou, não é? Fui madrinha dela também. Só faço isso por quem eu amo e respeito. Depois de Fabiana e de você, a lista acabou, não serei mais madrinha de ninguém.

– Você deveria se casar também.

– Isso está fora de cogitação. Prezo muito pela minha liberdade.

– Até que apareça a mulher que vai te fazer tremer na base, aquela que vai tirar o seu sono, te deixar nas nuvens e te enlouquecer de paixão!

– Lara, eu amo você. Por que está me rogando praga?

Lara dá gargalhadas.

– Não é praga. É fato! Ninguém consegue viver sem amor, Fernanda!

– E quem te disse que eu vivo sem amor? Eu me amo loucamente, sou completamente apaixonada por mim.

– Você é uma comédia, amiga!

– Diga-me onde e como será esse grande evento.

– Na fazenda, em Itatiaia.

– A fazenda de seu pai? Pensei que ele fosse contra a sua condição sexual e que a tivesse deserdado.

– Realmente ele era contra, mas meu pai faleceu há 3 meses e deixou a herança pra mim. Afinal, eu era a sua única filha.

– E sua mãe? Como ela está?

– Você sabe o quanto minha mãe sofreu por causa das traições de meu pai. Para ela, a morte dele foi uma libertação.

– E o que ela diz sobre você se casar com uma mulher?

– Ela não diz nada. Não sei se aceita ou não, mas estará presente no casamento.

– Vai ser bom rever sua mãe. Gosto muito dela.

– E ela de você. Sempre me pergunta como você está, se já se casou, se tem filhos.

– Diz pra ela que desse mal jamais vou sofrer.

Elas dão gargalhada.

– Fernanda, um dia antes do casamento, um helicóptero virá buscar você e 5 amigos, para levá-los à fazenda. Chegue com 15 minutos de antecedência, está bem?

– Sem problemas. É só me avisar o horário, e onde devo estar para pegar o helicóptero, que estarei lá.

– Obrigada, amiga! Agora preciso ir. Quero comprar algumas coisas para decorar a fazenda e deixá-la linda para o dia mais feliz de minha vida.

As amigas se despedem. À noite, Fernanda vai jantar e quando está saindo do restaurante, alguém a espera.

– Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé.

– O que está fazendo aqui?

– Vim te ver, já que não me ligou. Sabia que iria encontrá-la aqui. Gosto de pessoas que valorizam a rotina, isso me facilita muito a vida.

– O que quer, doutora?

– Você.

– Olha, aquela noite foi interessante, proveitosa, mas esqueci de te avisar uma coisa… Eu não costumo sair mais de uma vez com uma única mulher.

– É assim que você me trata depois do que eu fiz por você?

– Se você está falando sobre a minha alta, creio que estamos quites. Você me deu o que eu queria, e eu te dei o que você queria.

– Você não tem sensibilidade alguma, é incapaz de perceber o que faz com as pessoas. Você as usa e depois joga fora, como se elas fossem um lixo.

– Está me analisando? Este é o seu diagnóstico? Tudo bem. Faça as suas anotações e me enviei pelo correio. Adeus, doutora. Seja feliz!

Fernanda sai, entra em seu carro e vai para casa. Gislene chora.

Um dia antes de ir para a fazenda de Lara, Fernanda vai à boate e encontra Nina.

– Oi, mulher linda! Como vai?

– Olá! Nos conhecemos?

– Sou a Nina, amiga de Paula. Fomos apresentadas, não se lembra?

– Ah, claro! Desculpe-me.

Elas conversam e alguém se aproxima.

– Oi, meu amor! Fiquei louca te procurando, senti a sua falta. Por que não me telefonou?

– Você é…

– Lenise! Nos conhecemos aqui, fomos para o motel, você me deixou em casa… Não acredito que você não se lembra de mim!

– Lembro! Tudo bem com você?

– Agora que te encontrei, sim, tudo bem. Quem é ela?

– Uma amiga. Nina.

– Oi, Nina! Desculpe, mas você terá que nos dar licença. Fernanda e eu temos muito que conversar.

– Claro! Fiquem à vontade.

– Não. Fica, Nina.

– Amor, preciso muito falar com você a sós.

– Garota… Não temos nada para conversar, ok? Aquela noite foi interessante, proveitosa, mas foi… Acabou.

– Como assim? Do que você está falando?

– Eu que não estou entendendo do que você está falando.

– Estou falando sobre nós! Eu te amo! Foi amor à primeira vista! Desde aquela noite eu não consigo parar de pensar em você…

– Hei! Pode ir parando por aqui. Foi só uma transa. Esquece, ok?

– Só uma transa?! Eu terminei um namoro de 2 anos para ficar com você e é assim que você me trata?

– Terminou porque quis. Aliás, você fez um grande favor para o seu namorado. Ele vai ser mais feliz sem você. Você o traiu, saiu com uma mulher que nunca tinha visto na vida e vem com essa conversa de amor à primeira vista? Me poupe, garota! Nina, vamos sair daqui.

– Claro! Com prazer.

– Não, por favor! Não faz isso comigo, Fernanda. Não…

Fernanda entra em seu carro com Nina.

– Desculpe fazer você passar por esta situação constrangedora.

– Eu até me diverti.

– Quer ir para onde?

– Você manda!

Fernanda dá um sorriso malicioso.

– Ai, que delícia! Você faz tão gostoso, Fernanda! Hmmm… Assim…Isso… Ah…

Fernanda leva Nina de volta à boate, pois, seu carro estava lá.

– Obrigada pela linda noite. Adorei!

Nina abre a sua bolsa.

– Olha, nem adianta me passar o número de seu telefone, porque eu não vou ligar.

Nina tira um batom e passa nos lábios.

– Não vou te dar meu telefone. Boa noite, Fernanda!

Nina entra na boate e Fernanda vai embora.

– Menos uma para me dar problema.

Quinze minutos antes do voo, Fernanda estava no heliporto. Um homem aproximou-se dela.

– Bom dia! O voo vai atrasar um pouco. Se quiser, poderá aguardar no escritório.

– Qual o motivo do atraso?

– A pessoa que vai pilotar está presa no trânsito, mas já está chegando.

– Espero que a falta de responsabilidade com o horário, não interfira na capacidade de seu piloto em conduzir o helicóptero.

– Peço desculpas pelo incômodo. Gostaria de ir ao escritório e tomar um café, enquanto aguarda?

Fernanda aceita o convite e aguarda por 40 minutos. Da janela do escritório, ela vê 5 pessoas chegando ao heliporto.

– Alguma daquelas pessoas é o piloto?

O homem olha pela janela.

– Não.

– Obrigada pelo café.

Fernanda sai do escritório, indo em direção às pessoas que acabaram de chegar, e as cumprimenta.

– Bom dia!

– Bom dia, guria! Pensamos que estávamos atrasados.

– Vocês também estão atrasados.

– Tu vais voar conosco?

– Se o piloto chegar, sim.

– Então fique feliz, porque o piloto chegou.

Fernanda e as 5 pessoas olharam em direção ao escritório e viram uma pessoa vestida com roupas de pilotagem e com um capacete.

– Bom dia! Desculpem-me pelo atraso. Podem se acomodar, pois, já vamos zarpar.

O helicóptero levanta voo rumo à Itatiaia.

No Brasil Colonial, o local era habitado pelos índios Tamoios, Puris e Coroados. Em 1937, sob o governo de Getúlio Vargas, Itatiaia foi fundada como primeiro Parque Nacional Brasileiro. Sua economia já passou pela indústria cafeeira, exploração de carvão e atualmente é baseada no turismo.

Localizada na divisa dos estados do RJ e MG, Itatiaia é um dos poucos destinos onde o visitante encontra montanhas, com ótimos lugares para a prática da escalada em rocha e florestas úmidas, com deliciosas cachoeiras. O Parque é dividido em duas partes: a alta, onde encontramos as montanhas, com destaque para o Pico das Agulhas Negras e a baixa, onde predominam as cachoeiras ideais para banho. Um ótimo roteiro para quem gosta de caminhadas.

A temperatura média anual varia entre 15ºC e 27ºC. No inverno pode variar entre 3ºC a 20ºC e no verão entre 25ºC a 28ºC. Para quem vai para parte alta do Parque recomenda-se a temporada entre abril e setembro. Nessa época do ano o clima é seco, apesar de muito frio (geadas são comuns nesse período). Na parte baixa não existe estação seca. O verão é ideal para os banhos de cachoeira, devido às águas geladas.

Itatiaia-RJ – a 170 km do Rio de Janeiro e a 230 km de São Paulo. (fonte: http://www.google.com)

O helicóptero pousa no lindo gramado da fazenda.

– Com licença, senhor. Quero avisá-lo que farei uma reclamação formal à Compania na qual o senhor trabalha. Além do atraso, sua pilotagem foi de uma total insegurança, que colocou em risco a vida dos passageiros.

O piloto retira o capacete, e lindos cabelos negros e longos, voam ao vento. Fernanda fica surpresa ao ver que o piloto é uma mulher.

– Tem toda razão. Peço desculpas pelo atraso. Entretanto, o voo que a senhora achou inseguro, foi devido aos ventos fortes. Mas chegamos sãos e salvos. A senhora quer me dizer mais alguma coisa?

– Você é uma mulher?!

– Sim! De corpo, alma e cabelos. Tem algum preconceito sobre mulheres que pilotam?

– Não. Tenho conceito formado sobre pessoas que não cumprem horários.

– Está certo. Faça a sua reclamação formal. Para isso, vai precisar de meu nome. Laila Conrado, ao seu dispor. Tenha um lindo dia, senhora!

Laila anda em direção á casa e Fernanda a observa.

– Linda mulher! Só precisa ser domada. E eu, terei um imenso prazer em fazer isso, Laila Conrado.

CONTINUA…

23

OBS: Apenas um nome é real, mas as ocorrências não fazem parte da

realidade. Juliana Farina autorizou usar seu nome.

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Plagio é crime e está previsto. no artigo 184 do código penal.

Entrega

Ela se deitou na cama. Toda avontade. Joquei meu pescoço para trás quando meus olhos se encontraram com os seus. Firme, forte e selvagem. Seu olhar era tão intenso, que quando me encarava chegava a quimar.

Então algo verdadeiramente extraordinário aconteceu. Fui tomada por uma onda devastadora de apetite sexual, autêntico e espontâneo. Senti meu corpo arder em desejo – ardente e úmido. Minhas entranhas pulsavão por ela. A tontura me obrigou a me apoiar na parede.

Ela cantava bem, era inteligente, linda e divertida. E incrivelmente sensual. E eu a desejava muito, é claro. Mais eu sempre me sentia sem jeito a esse desejo.

Sentei-me ao seu lado.

Então a observei. Comecei pelas coxas, que apareciam leigeiramente abaixo da barra do vestido que ela usava. Corri os olhos por ela. Sob a silhueta de seu corpo. Seu pescoço, seus deliciosos lábios absolutamente perfeitos. Queria beija-lá. E também queria acompalha-lá no interior dos seus lençóis sobre a cama. E não sair de lá até amanhecer, ou talvez, nunca mais. Por noites e dias infinitos.

Peguei-me pensando em sua pele: lisa, macia, quente… Imaginando suas coxas, depois separando-as com as mãos. Abrindo caminho a beijos ao local onde eu desejava estar tão desesperadamente… Engoli em seco, sentindo minha pele se arrepiar, e algo contocer-me as vísceras, prodizindo uma especie de cãibra na barriga. Prendi a respiração, esperando que aquela vivificante sensação passasse, mas ela só aumentou. As difusas imagens que tive dela me obrigaram a fechar os olhos. Merda, eu não estava só com uma depravada nessecidade de sexo. Era uma nessecidade: dela.

Houve uma longa pausa. Ela se revirou na cama. Os lençóis rangeram suavimente quando ela se moveu. Eu olhei seu brilhante sorriso e seus lábios molhados. E ela sorriu do meu olhar sobre ela. Sobre seu corpo, sua roupa íntima.

Descidi tomar uma atitude. Movi-me rápida para que ela não tivesse tempo de pensar e tão pouco eu. Segurei-lhe o rosto com as mãos e a beijei. Apenas um selinho.

-Ingrid? – ela retrucou. Que beleza de situação, pensei. Eu estava morrendo de medo do que ela diria agora. – Por que fez isso? – sussurrou ela. Como poderia não fazer?, pensei.

-Porque tive de fazer! – tentei me acalmar. Tinha que ir embora. Devia deixá-la sozinha. Mais não consegua deixa-lá. Fiquei de pé rapidamente estabelecendo uma distância entre nós. Sem sombra de dúvidas precisava ir embora dali. –Esculti, tenho que ir. –

-Por quê? –

Abri a boca.

-Diga-me a razão. – ela insistiu. Mas não respondi. – Está fugindo? – sussurrou Gabi. Era uma pergunta. Mas havia nela também um tom de provocação.

-Gabi.

-Por quê?

Senti-me torturada pela necessidade Dela.

Ela saltou da cama e se aproximou de mim. Rodeou-me a cintura com a mão. Eu chiei quando nossos corpos se colaram.

-Não vai me dizer?- perguntou ela. Meu corpo estremeceu buscamente, minha respiração quebrou o silêncio do quarto. – Você me deseja! É obvio. – ela sorriu. – Você me quer? –

Ela também me desejava. Estava estampado nela. Nós seus gestos. Como me olhava. Como me tratava. Eu podia ver claramente quando ela me desejava.

Abaixei a cabeça. Que jogo ela estava fazendo? Estava brincando comigo? É claro que eu queria.

-Diga que não, Ingrid. – provocou-me novamente. Levantou-me o queixo com a ponta do dedo indicador. Desejei ver-lhe o rosto com nitidez, para ver se falava serio. O maguinífico cheiro dos seus lábios me deixou tonta. Sua pele era de uma bonita cor de creme. Tudo nela era bonito e delicado. Seu nariz, suas mãos, seus lábios, seu corpo. Fiquei em silêncio, sentido o efeito do calor do toque das suas mãos em mim e o cheiro adocicado ao meu redor. Eu nunca havia me sentido daquela maneira. Na presença de ninguem.

Ela tinha grandes olhos castanhos escuros. Naquele momento eu só via Gabi. Será que ela também só via a mim? Respirei fundo, querendo saber o que eu sentia por aquela mulher.

Ela sorriu para mim. Naquele instante eu sabia exatamente o que sentia por ela. Senti-me leve. Livre. Senti-me de repente, viva. Contemplei a beleza de sua face. Eu sorri, amando tudo nela. Era tão… Perfeita. Precisava dela mais do que tudo, pensei

enquanto levava a mão ao pescoço dela. Senti aquela doce embriaguez que vinha toda vez que ela me olhava. Aquele desejo dentro de mim começava a se agitar. Eu estava encantada. Puxei seu rosto para mais perto do meu. E algo intenso revirou meu peito, atravessou meu corpo todo. Senti sua respiração encantar meus lábios. Contei cada uma de suas respirações, tentando manter a calma.

Afastou o cabelo do meu rosto, com a ponda dos dedos macios parando sobre minha bochecha. Ela beijou o canto dos meus lábios, me deixando zonza. Eu não me movia quase nem respirava. Só o que fazia era olha-lá embasbacada.

Minha garganta estava seca. Meus olhos estavam vidrados nela. Ficar tão perto dela é tão… Eu queria abraçá-la, correr os dedos sobre a pele macia dela, o cabelo negro. Cheira-lá toda. Sentir seu corpo, seu calor. Quando ela me olhou pela primeira vez, vi fraguimentos de esperança, de uma paixão, entrar em meu coração. Havia algo naquele olhar. Aqueles olhos castanhos olhavam através de mim. Como se ela pudesse ver todo o meu passado e presente, toda dor e medo que eu havia encontrado. As coisas que eu mais desejava no mundo. Vendo seu rosto doce, a ferida aberta em meu peito desapareceu.

Ela não sai dos meus pensamentos. E eu sei que não importa o quanto eu tente, sempre terei ela em meus pensamentos.

Eu ri, pensando que, quanto mais tempo passava com ela, mais bonita ela parecia ficar.

Meus olhos brilharam. Seus lábios me fascinavam. Observava-os moverem-se enquanto falava, e me perguntava como seria sua textura e seu sabor.

-O que ta olhando?- ela sussurrou.

-Sua boca – eu disse.

-O que tem ela? – perguntou ela com a voz rouca.

-Eu a acho… Maravilhosa. –

Coloquei as pontas dos meus dedos sobre seus lábios inferiores. Inspirei com tal força que inalei o perfume de sua pele, e quando exalei com um estremecimento, ele voltou para ela quente e úmido.

-É macia – eu disse, roçando-a com o dedo indicador. Fechei os olhos.

Lentamente, os lábios dela se fecharam ao redor do meu dedo, lambendo a ponta com movimentos circulares. Uma onda de prazer percorreu meu corpo. Os meus mamilos furmigavam e alguma coisa acontecia entre minhas pernas. Senti-me faminta por ela.

Ela segurou minha mão sugando todo meu dedo até que ele saisse de sua boca. Com meus olhos fixos nós dela, virou-me a palma da mão para cima, lambeu o centro e pressionou os lábios conta minha pele.

Eu me inclinei sobre ela.

Seu corpo emanava um perfume embriagador. Eu tinha percebido a sedutora fragrância no momento em que pus os olhos nela pera primeira vez.

Imaginei beijando sua boca. Sentindo o interios cálido, escorregadio, úmido. Lambi os lábios.

Fechei a boca de repente. Mais com os olhos brilhando. Prendi a respiração, perguntando-me se ela falava realmente serio. Meus olhos não se separavam dos lábios dela. Sentindo aquela doce sensação de sufocamento.

Inclinei a cabeça e pousei os lábios em sua boca. Santo Deus, ela é muito boa no que faz. Afastei-me.

Ela me olhou fixamente, como que paralisada. Então, soltou um longo suspiro, como se estivesse exalando todo oxigênio do corpo.

Meteu a língua dentro da minha boca enquanto me segurava pelos quadris. O gemido de satisfação que ela deixou escapar aumentou ainda mais meu desejo por ela. Cravei as unhas em suas costas e ela respondeu com outro gemido. Isso mostrava que ela tava tão ansiosa quanto eu.

Ofegante, levei o fôlego dela para os meus pulmões, querendo reter uma parte dela dentro do meu interior. Ela murmurou de satisfação, e continuou me acariciando suavimente. Quando ela oscilou na minha direção, tracei o contorno de seus lábios com a língua. Tem um sabor tão doce, pensei.

Ela capturou meu lábio inferios com a boca, segurando-o.

Eu gemi. Ela interrompeu o beijo.

-Não gostou? – perguntei.

-Claro que gostei. – disse ela com uma voz grutal. – Acredite. Gostei, de verdade.

Ela se equilibrou para frente e tomou-me em um beijo ardente. Aquilo foi poderoso. Erótico. Mais ardente que o inferno, enquanto explorava minha boca.

Por Deus, se meu coração podia aguentar um beijo dela, provavelmente poderia fazer muito mais que isso. Qualquer coisa.

-Quero mais de você. – eu disse. Ela lambeu os lábios. Seus olhos brilhavam.

-Tudo o que quizer de mim. – murmurou. Depois de uma pequena pausa, disse – Gosto da forma como me sinto quando estou perto de você. –

– E como se senti? – perguntei.

-Sinto-me segura. Você me passa muita confiança. Sinto-me linda – ela fez uma pausa olhando meus lábios – e, sinto outras coisas. –

-Como o quê? –

-Sinto um calor. Aqui – tocou os seios – e aqui – suas mãos roçaram a junção de suas coxas.

Comecei a ver duplo, meu coração disparou. Suspirei fundo.

-Sente algo?- perguntou ela.

-Pode ter certeza que sim. –

Minha voz soou pastosa. É o que ela faz comigo… Leva-me ao desespero.

Empurrou-me para a escrivaninha, atrás de mim, sentando-me. E colocou o corpo diretamente entra minhas pernas. Quase no lugar exato onde eu queria que ela estivesse.

Ao olhá-la, eu estava pronta para tudo, preparada para me meter por debaixo daquele vestido, separar suas coxas com minhas mãos, e me enterrar em seu calor. Eu tinha a necessidade de estar dentro dela.

Segurou meu quadriu, e me levantou. Ela me carregou sobre o quarto como se eu nada pesasse. Deitou-me sobre a cama, debaixo dela.

Eu sorri, deleitando-me com o súbito desejo estampado no rosto dela.

Tudo nela irradiava sexo! Do seu corpo perfeito, até a forma como andava e o aroma da sua pele. Jamais conheci uma mulher assim. Ela se inclinou um pouco sobre mim. E num impulso eu agarrei seu vestido puxando-a para mais perto, tentando aproximá-la de minha boca. Outro gemido escapou de sua boca.

Eu estava pasma. Imaginei-a beijando a parte interna de minhas coxas, encontarndo meu sexo com a boca. Chupando-me. Lambendo-me.

Eu sei que não devia estar alí. Sei que devia dizer não. Precisavamos conversar. Ou simpliasmente eu deveria ir embora. Realmente eu deveria…

Só que eu não conseguia ir, não sei provar mais dela.

Droga. Não devia estar me envolvendo nesse drama. Deveria me proteger. Nada disso, com ela, tem promesa de futuro. Eu fiquei descuidada. E isso era perigoso.

Beijou-me o pescoço. Ah que se dane…

Olhei para cima, com uma ofegante expectativa, enquanto ela precionava seus lábios sobre os meus.

Em um doce arrebatamento, introduziu a língua em minha boca.

Meu coração… Ela estava possuindo-o, tomando-o. Arrancou-me a blusa e o sutiã.

Quando deixou minha boca, desceu por meu corpo. Lambeu-me o pescoço. Chupou-me os mamilos. Arranhou minha barriga delicadamente com as unhas. Mordiscou-me os ossos da bacia. Arrancou-me a calsa, puxando-a até meus pés, e voltando para cima de mim. Fez o mesmo com a calcinha.

Ondas de um extenuante calor percorreu todo meu corpo. Meu coração palpitava tão rápido que chegava a pular algumas batidas.

No instante em que ela colocou os lábios em meu sexo, faltou-me muito pouco para eu alcançar o êxtase. Gritei, com o corpo convulsionando. Ela parou, dando-me tempo para me acalmar.

E, então, começou a me torturar. Beijava minhas coxas, minha barriga. Praticamente todo meu corpo. Passava perto, de onde eu tanto desejava que ela estivesse mais logo se desviava. Levou-me ao limite repetidas vezes até que eu me vi obrigada a suplicar.

Minhas coxas estavam completamente abertas. Então, tocou-me com a boca. Começou a se mover num ritmo lento e constante. Ela sabia exatamente quando acelerar o ritmo e quanto pausar. A combinação de sua boca úmida e sua língua macia, os chupões, lambidas e modiscadas, chegavam a ser covardia.

Ela tremeu sobre meu corpo, ofegante, enquanto minhas próprias e deliciosas ondas me deixavam sem folêgo.

Ela fez um movimento para descer, para sair de cima de mim, mais eu a detive, segurando-a pelo quadriu, falando, docimente que ela ficasse mais ela pareceu não entender.

-O quê?-

-Fique onde está – eu disse.

Ela se acomodou sobre meu corpo, relaxando completamente. Podia sentir sua vulnerabilidade naquele momento de tranguilidade. Seu coração estava quase ao meu alcance.

-Você é extraordinariamente linda. – ela sussurrou. Sua voz soava diferente. Ela lhe parecia diferente. Ela começou tocar-me novamente.

-Gabi – segurei-lhe a mão entre a minha, obrigando-a parar. Ela se afastou um pouco, e fexou os olhos, confusa. Eu deveria lhe contar. Fosse o que fosse, a verdade é o que ela deveria ouvir. – Amo você – sussurrei.

Suas pálpebras se abriram de repende. Era como ser iluminada por dois refletores. Ela sorriu incrédula. Mais ela não disse uma palavra.

-Meu Deus, gostaria de ver seus pensamentos nesse momento. Por que não me diz nada? – pousei minhas mãos em suas faces.

-Posso dizer-lhe o que veria – murmurou ela – “eu amo você”. É o que veria.

Eu fechei os olhos e ri. Eu resplandecia. Beijei-a. Seu sorriso estava radiante.

Virei-a sobre a cama, tirando delicadamente apenas seu vestido. Inclinei minha cabeça para trás para olhá-la. Sua beleza me deslumbrou. Sua estrutura facial era perfeita, seu corpo era gracioso. E o perfume que usava… Penetrava em meu nariz, em meu cérebro. Cheirava tão bem que meus olhos se encheram de lágrimas.

Era irreal, pensei. Tão linda.

Eu não me movia; quase nem respirava. Só o que fiz foi olhá-la embasbacada.

O que parecia ter deixado-a nervosa. Mais eu sei que não era por ser acostumada que a olhassem assim. Mais eu a olhava sem perder um detalhe, examinando-a cuidadosamente.

-Por que me olha tão fixamente? – levou a mão ao vestido que estava ao seu lado, cobrindo seu corpo.

Senti queimar primeiro o pescoço, e depois, as bochachas.

-Sinto muito. Provavelmente está farta que a olhem fascinada. –

Ela negou com a cabeça.

-Caraca, você é tão… Totalmente… Linda. – minha voz fraquejou. Caramba, ela era maravilhosa. Tinha o queixo delineado, e um furinho no meio, lábios desenhadinho, perfeitinhos, e maçãs do rosto proeminentes quando sorria. Cabelo, liso e negro, caía-lhe até os ombros.

Ela inclinou a cabeça, examinando-me. E passou a mão pelos cabelos escuros. Seus olhos permaneceram cravados no meu rosto.

Eram olhos muito bonitos, pensei. Tão intensos. Ela olhava como se não pudesse ter algo que desejasse.

E eu podia entende aquilo melhor do que ninguem.

Sorri sutilmente e aproximei-me dela mais um pouco.

-Gosto de como me olha – seus olhos voltaram a se concentrar em meu rosto – só não estou acostumada – explicou, levando a mão ao meu pescoço.

-Caramba, você não parece ser real – eu disse baixinho. Tirei-lhe o vestido de cima do corpo.

Ela riu. Riu com só um canto da boca.

Coloquei a mão em seu seio, esfregando o mamilo com o polegar. Senti uma onda de calor na pele onde eu toquei. Instantaniamente, aquela sensação febriu se estendeu por todo meu corpo.

O que era aquilo?

A palma de minha mão estava quente. Forte. Sólida.

Ela ergueu os olhos para mim.

-Não posso respirar – sussurrou.

Eu quase caí de costa.

Santo Deus, pensei. Ela parecia me desejar, tanto quanto, eu a desejava. Mas isso não pode ser real, pensei. Devia estar brincando comigo diante daquele inocente assombro ao meu toque.

Observei-a enquanto ela respirava com dificuldade. E então ela lambeu os lábios.

Inclinei-me sobre ela. Percorri a lateral do seu pescoço com meus lábios. Sua pele era tão suave. Acariciei-lhe a face ternamente, sem conseguir despregar os olhos de sua boca. Baixei os olhos para os seios. Movi os dedos em direção a sua boca. Fiz uma pausa, e beijei seus lábios.

Ela agarrou minha mão e me guiou entre suas coxas, dentro da calcinha, pressionando os dedos contra seu corpo.

Quando ela gemeu me aproximei mais de seu corpo. Onde sentir os batimentos de seu coração e seus pulmões enchendo-se.

Quando deslizei os dedos para dentro dela, escultei-a soltar um gemido baixo, meu proprio corpo respondeu, me sentindo excitada. Sua quente umidade me envolveu,

estremecendo num orgasmo. Ela era apertada, quente, úmida, ela me envolvia completamente. Cada beijo, cada caricia, cada lambida e estremecimento foram ampliados.

Deslizei a língua pelo seu pescoço. Ela estufou os seios em minha direção, eu deslizei a mão acariciando aquela pele macia e quente. Sua barriga era plana. Percorri a borda do seu sutiã antes de encher a mãos com o volume dos seus seios cremosos. Ansiosa para conhecer o que faltava tirei-lhe a peça. E sentir a rigida pontada dos seus mamilos.

Eu me descontrolei.

Meus lábios foram cheios para um dos mamilos, que logo envolvel minha boca. Enquanto sugava, deslocou o corpo e estendeu sobre ela, caindo entre suas pernas. Beije-lhe a boca. Nossos seios se encontraram. Eu senti o corpo dela se ondular sobre o meu. Voltei a venerar os seios com a língua e, depois, continuei descendo pela barriga. Quando cheguei a tirar a calcinha, deslizei-a pelas pernas lisas.

O cheiro dela me invadiu com uma onda de frescor. Cobrir de beijos os quadris e o topo das coxas dela. Imapaciente, as mãos de Gabi agarraram meu cabelo enquanto me direcionava, para o local exato ao qual eu já estava indo. Precisava prová-la.

Puxou meu rosto, querento beijo. Então voltei a usar os dedos. Deixei escapar um gemido de êxtase. Que pareceu deixá-la loca.

Fui muito meiga com ela, muito carinhosa. Por mais que ela me forçou a ir mais rápido e forte.

Deixei cair à cabeça no seu perfumado pescoço. Onde meu longo cabelo se esparramou e se misturou com o dela. Muito adorável. Muito sensual…

Beijei-lhe todo o corpo. Enquanto ela me acariciava. Por um tempo, fiquei imóvel, absorvendo a sensação de êxtase, sentindo minhas entranhas latejar. E queria mais, e estava disposta a dar mais. E ela também parcia querer o mesmo.

Quando recuperei lentamente os meus sentidos, percebi que era a primeira vez que eu tentava agradar tanto a uma pessoa. Nunca me dediquei tanto, igual, me dediquei a ela. Peguei-lhe o rosto entre as mãos e pousei meus lábios sobre os dela.

Autora:  Anna Karoline

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Jaqueline

Jaqueline era uma mulher belíssima, disso ninguém duvidava.

Agora que ela se interessaria por mim, isso era uma grata surpresa. Ao ser apresentada por uma amiga minha, Jaqueline se mostrou cordial, mas ali naquele banheiro do bar, pude ver como ela era amistosa. (risos) Talvez Helen, minha amiga e confidente tivesse contado sobre minhas intenções, desde que a vi na página de uma rede social, sorrindo ao lado das amigas do time de basquete da faculdade, feliz por ter conseguido chegar a grande final do campeonato. A boca fina e bem feita, os olhos brilhantes… Sim, eu senti um desejo incontrolável por ela. Então resolvi arriscar, pedi para Helen marcar algo e levar Jaqueline com ela. Encontramos-nos num local agradável e muito bem freqüentado. A conversa rolou pela noite adentro e depois de alguns copos, fui ao banheiro, ouvi passos atrás de mim, quando me virei, ela me empurrou gentilmente para dentro do reservado. Espremendo meu corpo contra a parede fria, senti meus seios esmagados pelos dela. A sua boca procurou a minha com avidez. A língua procurando a minha, se transformando numa tortura, ela me tocava como se quisesse me invadir totalmente…

Os gemidos dela entravam e saiam dos meus ouvidos, sua respiração ofegante me dava calor, sentia meu sexo em chamas. Suas mãos percorriam meus braços, apertando, eu me entreguei a ela, quase uma estranha… Minha mão tentou entrar na sua blusa, queria tocar seus seios, mas ela não permitiu… Falou no meu ouvido que ela daria as ordens, e naquela hora eu seria seu brinquedinho… Me arrepiei… Para facilitar as coisas, coloquei meu pé sobre a privada, como estava de saia ela teve caminho livre pra me tocar. Meus gemidos já eram bem audíveis, quando ela deslizou a mão na minha coxa e tocou meu sexo por sobre a calcinha, sentindo toda minha excitação molhando toda renda vermelha. Eu já tentava subir e descer escorregando pela parede, mas o corpo forte dela me espremendo não deixava. Seus dedos longos afastaram o elástico e tocaram meus pequenos e grandes lábios. Abracei seu corpo com sofreguidão querendo me fundir nela. Ela acariciava de um jeito sedutor e seu sorriso maldoso me mostrava que ela queria me enlouquecer. Então seus dedos penetraram em minha carne quente, senti-a bem no fundo de mim, seus movimentos intensos, indo e vindo, entrando e saindo, me deixando mole… Enquanto sua boca descia por meu pescoço e devorava meus seios por cima da blusa, afastando com ímpeto o pequeno pedaço de pano que os cobria, sua boca sugando o bico firme e rubro. Eu me agarrava em seus cabelos loiros e longos, pedindo pra ela me fazer gozar como nunca, e ela tentava me atender… Fazendo movimentos circulares dentro de mim, com um e com mais dedos… Firmes, quase me machucando…

Eu pensava que alguém lá fora poderia ouvir-nos, mas a vontade era grande demais pra virar lucidez… Então nas idas e vindas dos dedos dela, eu gozei intensamente… Ela sentiu as minhas contrações vaginais e serenou os movimentos; beijando minha boca delicadamente ela abafou meus gemidos… Eu me segurava em seus ombros, minhas unhas fincadas na pele alva. Com um suspiro ela foi abaixando lentamente, beijando minha barriga, eu fiquei atônita, não entendi bem o que ela queria… Então ficando de cócoras, já que não tinha como ficar de joelhos, ela suspendeu minha saia até a cintura e baixou de uma vez só a minha calcinha, expondo meu sexo aos seus olhos. Agarrando minha coxa com firmeza, ela abriu minhas pernas, e seu rosto entrou no meio delas. Tomada pela surpresa eu enlouqueci, ela me chupou muito forte, eu sentia meu liquido escorrendo, e ela ali sugando tudo, a boca macia tocando meu clitóris que a pouco pulsava de satisfação. Apertei sua cabeça e implorei por sua língua em mim, ela passeava pelo meu sexo, provocando, mordendo, lambendo… Eu me esfregava nela ardentemente, olhei para seu rosto e ele estava todo molhado de mim. Segurando sua cabeça com firmeza, olhei em seus olhos e senti que seria tragada novamente por aquele turbilhão de emoção que era o orgasmo, e ele veio forte, me dobrando sob ela, fazendo minhas pernas tremerem e ela gozar só de ver isso.

Voltamos para a mesa alguns minutos depois, Helen nos olhou com uma cara de quem sabia muito bem o que tinha rolado. Meus olhos ávidos, procurando a noite toda pelos seus. O rosto de Jaque lívido, a pele corada… Com toda certeza todos perceberam que no mínimo estivemos flutuando por alguns instantes em outra órbita.

Vinculadas

Retornando para meu quarto, ela me cercou. -Dengo.- chamou-me pelo apelido, me cutucando.
-Oi.- respondi abrindo a porta do quarto, não me atrevendo olhar em sua direção. Enquanto eu fazia o maior esforço para que meu corpo entrasse rapidamente no quarto e fechasse a porta. Mais quando eu mais precisava nenhum dos meus músculos funcionavam conforme eu exigia. Ela entrou, e eu tranquei a porta.
Oh Deus, o perfume dela… O perfume mais agradável que já me tinha entrado pelo nariz. O cheiro dissipou-se pelo quarto. “Agora é sua chance.” O coração gritou no peito, enchendo meu corpo de entusiasmo. Atravessei o quarto tão rápido que nem se quer senti meus pés ou o chão. “Vamos. Diga para ela sair do quarto.” Ordenei minha boca, mais nada saiu além de um suspiro. Deus, eu não posso ficar sozinha com ela. Eu não consigo.
Ela chegou perto de mim. Ouve uma louca agitação dentro de mim. Ela segurou minhas mãos. Ela me puxou para sentarmos na cama. “Sem duvida esse é o momento certo.” Meu coração sussurrou no peito, latejando de dor. Não que eu me preocupasse com a dor. Se for preciso suporto tudo que for necessário para protegê-la…
-Está tudo bem?- ela perguntou. Eu não sabia que podia ser tão doloroso assim… Mentir mais uma vez sobre estar bem. Achei que me afastar resolveria completamente o problema, mas, com certeza, não me ajudou em nada. Queria me jogar nos braços dela e gritar: ‘Não, amor. Nada fica bem longe de você.’ Ela apertou minhas mãos, me olhando quase sem piscar. Aquele olhar matava-me, machucava-me. Não podia mentir para ela. Isso dói. Dói.
-Dói tanto…- eu disse sem querer. Deus. Maldita boca… Porque repetira as palavras do meu pensamento? Seus olhos eram penetrantes. Em quanto olhava para mim. Afastou os cabelos dos meus olhos e disse:
– Vou cuidar de você. – ela sorriu gentilmente. Fiquei tão à mercê da resposta. Perguntei-me milhões de vezes se eu tinha ouvido certo. Meu coração saltava no peito de alegria. –Mais o que dói?- perguntou-me. O que eu responderia? Fiquei calada, ela continuou esperando. “Não seja tola. Diga a ela. É a solução para nos duas.” Abri a boca, mais dispensei à tentativa.
-Tudo bem. Não precisa me dizer nada. Eu sei o que é.- aquele sorriso assanhado e lerdo surgiu no canto da boca. Eu corei. Ela realmente sabia. Eu queria negar, mais era difícil mentir, ou enganá-la. O fato é que eu a amava e a queria. -Podia ter me falado.- ela disse.
Embora eu lutasse por ar, minha voz saiu forte. –Eu ia falar o quê?-
-Eu podia curá-la.- a voz dela baixou até se converter em um sussurro.
-Que confusão isso daria para nós duas…- eu disse.
-Não sei.-
-Então foi melhor assim.-
-Creio que não. Eu podia aliviá-la!- ela sorriu novamente.
-Poderíamos ser expulsas, ou, sei lá mais o quê.- soltei suas mãos.
-A possibilidade de nos pegar é praticamente nula.- ela se aproximou mais.
-“Praticamente” não é o suficiente. – respirei fundo umas duas vezes. Ela aproximou-se da minha boca. – Isso é errado e você sabe, não é? Não podemos fazer isso, e si…- pelo menos dentro do colégio era.
-Fique quieta, Dengo.- disse ela freneticamente. Com uma careta, dei-me conta de que ela mordia os lábios inferiores com força. Eu esfreguei as pernas da calça para não os lamber-la e beijá-la naquele momento. “Relaxa… sua imbecil…” respirei profundamente. Quando ela me tocou levemente os lábios, meu corpo estremeceu, emanando uma explosão no meu peito. Eu queria parar de pensar sobre tirar sua roupa e fazer amor com ela. “Tire as roupas dela e a cubra com o seu corpo.” Pensei.
Eu estava me agarrando a ela tão desesperadamente, imaginando o que ela sentia por dentro. Ela acariciou meu cabelo esparramado nas curvas do meu pescoço e ombro. Contemplei-lhe os olhos vidrados em mim, e tive uma crise de consciência.
Quando eu levantei, ela me puxou e me colocou sobre a cama. – Shhh…calma.- sussurrou-me, subindo na cama. Em cima de mim. Praguejando, deixei de lado minhas estúpidas preocupações e concentrei-me na Antônia.
Uma onda de beijos cortou o ar. Desta vez, me inclinei e lhe lambi os lábios. O sabor, e os movimentos frenéticos da sua língua, fizeram-me estremecer. Eu observei suas roupas por um momento e logo as arranquei de seu corpo desesperadamente. Virei ela sobre a cama, deitando-me sobre seu corpo. Ela estava tão magnífica sobre o lençol, as faces coradas, os lábios entreabertos, a pele iluminada. Eu a beijei. Só que mais quente. Mais selvagem. Fora de controle. Ela também arrancou minhas roupas, ânsiosa.
Quando nossas peles nuas se roçaram, eu gemi e ela mordeu os lábios de novo. Há explorei com a língua, com os lábios. Há aspirei ferozmente. Eu queria sua boca, sua boca… Eu a queria toda. Senti seus beijos para sempre não me parecia o suficiente. Nossos corpos balançavam-se juntos.
As pernas dela se apertaram em mim, e eu tive de separá-las quase a força, quando deslizei minha mão em suas lisas coxas e toquei suas delicadas partes intimas. Mantendo-a assim com as minhas próprias coxas. Só então me dei conta da umidade onde estava tocando. As mãos dela subiram minhas costelas até os seios, onde traçou círculos. A sensação subiu pela minha espinha e cravou em minha nuca. Meu corpo quase foi erguido, como se mãos invisíveis estivesse empurrando-me pelo peito. Deitei-me de novo sobre seu corpo. Cara, amaria fazer aquilo o dia inteiro. Ela gemeu e arqueou-se.
Que loucura era aquela de estar tão ansiosa por mais, quando a consequência para nós seria tão terrível? Dei-lhe vários orgasmos. Ela gemia e parecia se tornar momentaneamente incapacitada, com o corpo latejando. Quando estava pronta para dar-lhe mais daquilo, ela girou-me deitando na cama. Os seios turgidos, os bicos muito vermelhos… Linda. Irresistível. Ela me tocou e eu fiquei quase cega. Ela sussurrou algo, mais eu passei do ponto de não a ouvir. Eu queria me contorcer sem parar, ela teve que usar a força para me manter no lugar, empurrando, e me pressionado contra o colchão com o corpo. Veio-me grandes ondas, derramando-me, enchendo-me. Meus olhos permaneceram fechados por segundo, minha respiração era uniforme, mais a sensação ainda permanecia ardente em mim. Aquilo fizera me sentir… bem. Bem? Não, isso não serviria como definição. Fizera-me sentir… viva. Ela montou-me, encarando-me. A calma no quarto, no corpo dela, chegou a ser desconfortante. Movi a mão da coxa para a parte inferior de seu seio, e acariciei-lhe o mamilo com o dedo indicador.
Quando ela se mexeu um pouquinho e suas partes íntimas roçaram as minhas, não espantei que me invadisse o impulso de possuí-la novamente. Sou insaciável? Inclinei-me para ver-lhe o corpo. Perfeito. Analisei detalhadamente com as pontas do meu dedo. Por um momento senti que estivesse quebrando alguma regra, mas ela gemeu suavemente, e eu não resisti. Eu abri um sorriso satisfeito. Ela fechou os olhos, com uma careta, e apertou-me o seio com a palma da mão. Ela fez leves movimentos encima de mim. Aquilo era bastante agradável. A sensação fervia todo meu corpo e a me fazia imaginar Antônia revirando-me a cabeça novamente; nós duas fazendo sexo. Recordei com nitidez a sensação de tela por baixo de mim. As imagens em minha mente fluíam com facilidade, cada carinha linda, gemido, cada parte do seu corpo…
Nós começamos a arfar. Ela abaixou o rosto, repousando os lábios nos meus. Entreabrimos os lábios. Meu corpo ondulou, e meus quadris se moveram para cima. Um calafrio percorreu-me a espinha. Enquanto o sangue subia-me a face, olhei para ela. Ela sorriu e acariciou-me a face. Senti-me uma bobalhona ansiosa, mais curiosamente incapaz de parar. Deslizai a mão lentamente pela sua barriga macia e sem pelos. Espasmos de prazer começaram a fluir por todo meu corpo. Deus… Tela ali me excitava. Fixei-me em seus olhos. Perdi-me neles. Afoguei-me neles.
O olhar dela era tão encantador, brilhando sobre mim com carinho, como se me embalasse nos braços. Olhei-lhe os lábios. Os seios. A barriga… O desejo cresceu em mim exponencialmente, explodindo de tal forma que cada centímetro do meu corpo sentia uma tensão erótica. Os olhos dela se desviaram para baixo ela mordeu os lábios inferiores. Ela me beijou e um gemido escapou de sua garganta. Moveu a mão rapidamente em mim. Um segundo depois eu enlouqueci. Gemi enquanto minha cabeça golpeava o travesseiro e minhas costas se arqueavam. Golfadas quente atingiram-me o peito e a barriga, isso se prosseguiu ainda por um tempo enquanto ela me tocava. Ela só parou quando segurei sua mão. Eu estava muito sensível para ser tocada. Eu ainda respirava com dificuldade e minha cabeça ainda girava quando a puxei para beijá-la.
Deitei-a sobre a cama. Aproximei a boca da sua orelha, ela se arrepiou, respirei fundo, e soltei o ar devagar, e fiquei ali, abraçada juntinho ao corpo dela. Tracei beijinhos no pescoço dela, enquanto minhas mãos sujeitavam-lhe suas coxas. Fiquei tocando-lhe vagarosamente, intensamente. Eu prolonguei o máximo o seu orgasmo, mantendo-a naquele estado como se eu estivesse desesperada para que aquilo não terminasse.

Autora:  Anna Karoline

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