ERA UMA VEZ – PARTE FINAL

Acreditem ou não, o destino sempre conspira a nosso favor!

No dia seguinte, acordei com Taty me olhando.

– Bom dia, bela mulher! Como se sente?

– Não me sinto.

Ela riu. Tentei levantar, mas rodou.

– Dor de cabeça.

– Imaginei. Tome, vai se sentir melhor.

Tomei um comprimido e, aos poucos, fui melhorando. Taty pediu que levassem o café da manhã no quarto… Quarto?! Que quarto?! Onde eu estava? E por que Taty estava comigo?

Percebi que eu não estava vestida. Olhei para Taty, esperando que ela me explicasse o que tinha acontecido. Acho que ela percebeu meu olhar de pavor.

– Calma! Não aconteceu nada! Apenas te dei um banho e te coloquei para deitar. Só isso! Você dormiu rapidamente.

Que vergonha! Taty deveria estar me achando ridícula!

– Taty, me desculpe… Estou com tanta vergonha!

– Não precisa se envergonhar. Aliás, gostei muito de ter você nua na minha cama.

Ela estava de novo com aquele sorriso debochado.

– Este é o seu hotel?

– É sim, Bia.

– As meninas devem estar preocupadas comigo.

– Eu liguei para o seu hotel e pedi para avisar que você está comigo.

Quanta delicadeza da parte dela!

Comemos, me vesti e Taty me levou ao meu hotel.

– Bia! Caramba! Ficamos preocupadas com você!

– Oi, Ju! Desculpe! Eu bebi demais ontem, mas estou bem. Taty cuidou de mim direitinho.

Ela ficou olhando para mim e para Taty.

– Ah! Ju, esta é Taty. Taty, Ju.

– Muito prazer em conhecê-la, Ju.

– O prazer é meu!

Ju me puxou para um canto e disse:

– Bia, que mulher é essa? Um escândalo!

Olhei para Taty e, sem estar bêbada e no claro, pude ver o quanto ela era linda.

As meninas e Amigo se aproximaram, querendo saber como eu estava. Apresentei Taty a todos. Menos para Linda, afinal, elas já se conheciam.

Almoçamos no hotel e saímos pela cidade. Taty nos acompanhou. Por diversas vezes, Linda tentou se aproximar de mim, mas recuou.

O dia foi agradável. Amigo e Taty se deram muito bem.

À noite, voltamos ao bar. Não bebi nada, além de refrigerantes. Dancei com Taty, nos beijamos, conversamos… Desta vez, ficamos todas na mesma mesa. Fui ao banheiro, e Linda apareceu.

– Qual é a sua? Ta ficando com uma mulher que acabou de conhecer? Não sabe nada sobre ela.

– Sei mais sobre ela, do que sei de você.

– Não quero mais que fique com ela. Mande-a passear.

– Não vou fazer isso.

– Bia, não me provoque!

– Linda, eu não quero discutir com você. Sou uma mulher livre e posso…

Ela me beijou na boca, com fúria.

– Pare Linda!

Eu a empurrei e tentei me soltar dela, mas Linda me apertava.

– Você está me machucando!

– Está com ela apenas para me provocar.

– Não é nada disso. Pare, por favor!

– Você é minha, Bia!

Ela continuava me beijando, me tocando… De repente, vi Linda sendo atirada contra a parede.

– Não ouviu ela dizer “pare”?

Era Taty. Linda partiu pra cima dela e começaram a brigar. Nesse momento, Ju e Pri entraram no banheiro.

– Luana?!

Ao ouvir a voz de Ju, Linda parou.

– O que está acontecendo aqui? Por que está brigando com Taty?

– Para defender Bia. Taty a agarrou.

– Isso é verdade, Bia?

O que eu ia dizer?

– Responda Bia! Isso é verdade?

– Não. Não é verdade. Não fui eu quem agarrou Bia.

– Não?! Então por que…

Ju insistia em saber o motivo da briga.

– Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?

– Ju, foi um mal entendido. Está tudo bem.

– Quero saber por que Lu e Taty estavam brigando.

– Lin… Lu se confundiu, achou que Taty estava me forçando a beijá-la, e quis me defender.

– Tem alguma coisa errada aqui.

Olhei para Pri, implorando para que ela levasse Ju e Linda dali. Ela entendeu e elas saíram. Fui ver se Taty estava bem.

– Você está sangrando!

– Por que não contou a verdade?

– Não poderia.

– Deveria.

– Taty, Ju não sabe de nada, ela não merece sofrer pelos erros de Linda.

Peguei uma toalha de papel e molhei, limpando a boca de Taty.

– Perdoe-me por essa confusão.

– O que você pretende fazer?

– Sobre o que?

– Você vai mesmo ficar com Linda?

– Sim.

– E Ju?

– Linda vai deixá-la.

– Você acredita nisso?

– Não sei Taty. Por favor, não quero falar sobre isso.

– Quero saber o que eu devo fazer.

– Como assim?

– Se você pretende ficar com Linda, me afasto de você agora.

– Não quero que se afaste de mim.

– Bia, eu acho que você só quer a minha companhia enquanto Linda está com a esposa dela.

– Não! Eu gosto de estar com você e quero continuar com nossa amizade.

– Amizade?

Taty se levantou, saiu do banheiro, pagou a conta e foi em direção à saída do bar.

– Aonde você vai?

– Vou embora. Não pretendo ser uma pilastra para você se apoiar.

– Você não é uma pilastra! Taty, por favor, não vá.

– Bia, lembra sobre o que eu te disse ontem? Do risco que eu estava correndo? Pois bem, esse risco está cada vez mais perto de acontecer, portanto, acho melhor eu cair fora, antes que alguém se machuque.

– Taty…

Ela pegou em meu pescoço, me puxou e me deu um beijo na boca.

– Isso é para você nunca se esquecer de mim. Tchau, bela mulher!

Entrei no bar e me sentei à mesa.

– Onde está Taty?

– Ela foi embora, Ju.

– Por quê?

– Porque ela não quer que ninguém se machuque.

Linda sorriu.

– Vou embora.

– Eu te acompanho.

Amigo e eu pagamos a conta e voltamos para o hotel.

– Quer conversar?

– Hoje não. Boa noite, Amigo.

– Boa noite, Bia.

Enquanto tomava banho, pensei em tudo o que tinha acontecido. A noite passada com Taty, os cuidados dela comigo, seu bom humor, sua delicadeza, seus beijos… A briga. Será que eu a encontraria novamente? Droga! Não peguei seu telefone e não dei o meu pra ela. Jamais iríamos nos encontrar de novo! Deitei e dormi rápido. Acordei com Linda sobre mim.

– Linda?!

– Vim ver se você está bem, afinal, sua amiguinha foi embora e te deixou abandonada. Pobrezinha de você!

– Cínica! Sai daqui!

Linda me beijou. Ela me dominava, me deixava louca!

– Não, Linda!

– Quanto mais você diz não, mais eu te quero!

– Pare… Não… Ah!

Suas mãos em meu corpo me faziam tremer. Seus beijos me deixavam tonta, indefesa. Entre sussurros e gemidos, nos entregamos ao amor.

– Ah, Bia! Como eu sonhei com isso! Gostosa!

No dia seguinte, tomei o café da manhã no meu quarto. Não ia conseguir encarar a Ju. Decidi voltar para casa.

Estava na recepção fechando minha conta, quando Amigo apareceu.
– O que está fazendo?

– Fechando minha conta. Vou embora.

– Por quê?

– Não tem mais clima pra mim aqui, Amigo.

– Tem alguma coisa que eu possa fazer para você ficar?

– Não.

Fechei a conta, e fui ao restaurante me despedir das meninas.

– Ah, Bia! Fique!

– Não, Ju. Quero ir.

– Por causa da Taty?

Linda me olhava, sorrindo.

– É, Ju. Por causa dela.

– Mas vocês vão se encontrar de novo. Ela é de São Paulo, não é?

– É sim, mas… Não sei onde ela mora, ela não sabe onde eu moro, não trocamos telefones…

– Eu não acredito! Como perdeu essa oportunidade? Aquela mulher é… Ops!

– O que tem aquela mulher, Ju?

Perguntou Linda, visivelmente irritada.

– Nada, amor! É que Taty e Bia fizeram um lindo par, não achou também?

– Não achei nada.

Interrompi Ju e Linda, antes que elas discutissem.

– Foi maravilhoso conhecer vocês. Você também Amigo! Apesar de você ser um mentiroso!

Abracei a todos, inclusive Linda. Ela sussurrou em meu ouvido.

– Não vá!

Não respondi e saí.

Cheguei em casa perto da hora do almoço. Pensei em comer em um restaurante, mas estava cansada e com frio. Desfiz a mala, troquei de roupa e fiz uma sopa de legumes com carne. Enquanto almoçava, assisti televisão.

Pensei em Linda, na noite de amor que tivemos, e de repente, me lembrei de Taty. Como fui idiota em não pegar seu número de telefone.

À noite, entrei na sala de bate papo e no MSN. Não conhecia ninguém, afinal, todas as minhas amigas e Amigo, estavam em Campos do Jordão.

Assisti a um filme na TV, e peguei no sono. Eram 2 horas da manhã, quando acordei assustada.

Eu estava sonhando com Linda, fazíamos amor, e subitamente, não era mais Linda quem me tocava e me fazia gemer de prazer, era… Era Taty! Mas o que Taty está fazendo em meu sonho? Desliguei a TV e dormi de novo.

Os dias se passaram. As meninas que não puderam viajar souberam que Amiga, na verdade, era Amigo. Apesar da raiva de terem sido enganadas, elas aceitaram Amigo em nosso rol de amizade.

Todos os dias eu me lembrava de Taty. Eu estava chateada por tudo que aconteceu. Ela tinha sido tão amável em cuidar de mim, me tratou com tanto carinho! Droga! Não me conformo por não ter pegado o número de seu telefone.

Linda ainda não havia terminado o relacionamento com Ju, mas insistia em me encontrar.
– Não, Linda! Você prometeu terminar. Sinto-me culpada por ter traído a Ju. Você não?

– Eu também. Mas…

– Linda, enquanto você estiver com ela, não vou me encontrar com você.

Bloqueei Linda no MSN e, quando ela entrava na sala, eu a ignorava. Às vezes, até mudava meu “nick”.

Um dia, Ju entrou no MSN. Achei estranho ela não me chamar, ela sempre me cumprimentava quando entrava. Eu a chamei.

– Ju, você está bem?

Ela não respondeu e saiu do MSN. Ou me bloqueou. Será que Linda tinha falado com ela? Eu me sentia tão culpada!

Era domingo à tarde, e Ju me chamou no MSN.

– Bia, eu posso falar com você?

– Claro!

– Ai, amiga! Estou tão preocupada!

– O que houve Ju?

– Está acontecendo alguma coisa com a Lu. Ela está estranha, fria…

– Você conversou com ela?

– Tentei, mas ela não conversa comigo, e quando conversa, é grosseira, agressiva. Eu acho que tem alguma mulher metida nisso. Bia… Gostaria de te pedir um favor.

– Peça!

– Fale com ela! Ela gostou muito de você, tente descobrir o que ela tem, tente fazê-la se abrir. Por favor, Bia!

– Tudo bem. Eu vou falar com ela.

– Obrigada, amiga!

Ju saiu. Vi Linda on line e a desbloqueei.

– Linda, eu quero falar com você.

– Ah! Resolveu me desbloquear! O que você quer?

Contei a ela sobre minha conversa com Ju.

– Isso é paranoia dela. Não a tratei mal, ela que não pára de pegar no meu pé.

– Por que você ainda não terminou com ela?

– Porque não é tão fácil como você imagina.

– Imagino que não seja fácil, mas já se passaram 3 meses desde que nós… Desde a viagem.

– Você também vai me cobrar?

– Só estou pedindo para você ser honesta com Ju. E se possível, comigo também. Temos um “caso” virtual há mais de 1 ano, nos conhecemos pessoalmente, fizemos amor e você prometeu terminar com ela. Mas estou vendo que você não tem intenção de fazer nada.

– Quero te ver, Bia! Hoje. Agora.

– Não.

– Por que não?

– Porque você ainda é esposa da Ju.

– Não sei por que você está cheia de pudores. Tão preocupada com a Ju, mas não pensou nela quando eu estava te deixando louca na cama.

Mas que filha da mãe! Bloqueei Linda de novo e Ju também. Ela iria querer saber se eu tinha falado com Linda e eu ia dizer o que? Não ia me meter nisso, senão, eu acabaria contando toda a verdade para Ju.

Meses se passaram. Evitei entrar na sala, entrava off line no MSN e só falava com Amigo. Ele sabia de tudo. Uma vez, ele me disse:

– Bia, faz alguns dias que uma pessoa entra na sala e pergunta pra todo mundo sobre você.

– Quem?

– Ninguém sabe.

– Será que é Linda?

– Não acho que seja ela.

– Qual o nick?

– Ela muda sempre.

– Acho que pode ser Linda, Amigo.

– Espera. Ela entrou na sala.

Amigo copiou e colou em meu MSN o que a pessoa dizia:

“Por favor, alguém conhece Bia? Ela é morena, olhos e cabelos castanhos escuros, baixa, tem um sorriso encantador e é uma bela mulher!”

Bela mulher?!

– Meu Deus! Amigo… Acho que é… Espera, vou entrar na sala.

Entrei e falei com a pessoa que usava o nick de “à sua procura”. Falei no reservado.

– Oi! Boa noite! Você está procurando por Bia?

– Boa noite! Sim. Você a conhece?

– Conheço. O que quer com ela?

– Quero falar com ela. Pode me ajudar?

– Se você me disser quem é…

– Sou a Taty. Nós nos conhecemos em Campos do Jordão há alguns meses. Você sabe como eu posso entrar em contato com ela?

– Taty?! É você mesma?

– Bia?

– Sim, sou eu.

– Caramba! Andei por todos os sites que conheço à sua procura. Você me deu trabalho, garota!

– Fico feliz por ter me procurado.

– Estou feliz por ter te encontrado. Queria me desculpar.

– Desculpar de que?

– Não fui correta com você, Bia. Não deveria ter te tratado daquela maneira, te cobrando uma coisa que você não poderia me dar. No dia seguinte, voltei ao hotel, mas me informaram que você havia ido embora…

– Taty, espera! Antes de qualquer coisa, por favor, anote meu telefone e me passe o seu.

– Hmmm! Gostei disso! Não quer me perder de novo?

– Isso mesmo!

Ela me passou o número dela, passei o meu e a adicionei no MSN.

Conversávamos todos os dias no MSN e nos falávamos ao telefone.

– Bia, sabe do que eu me arrependo?

– De que?

– De ter tido você nua, em minha cama, e não ter me aproveitado.

Eu gargalhei.

– Sorte sua não ter feito isso.

– Sorte nada! Eu fui uma burra! Você estava ali, sem roupa, deitada, indefesa… Teria sido tão fácil!

Taty me divertia.

– Bia…

– Sim?

– Você e Linda estão juntas?

– Não.

– Eu quero te ver.

– Eu também quero te ver.

– Gosta de cinema?

– Adoro!

– Vamos sair no sábado? Podemos ver um filme, jantar e esticar a noite em uma boate. O que acha?

– Combinado! A que horas?

Sábado, 19 horas, Shopping Iguatemi, SP.

– Oi, bela mulher!

– Oi, Taty!

Foi muito bom sentir o abraço dela!

Pegamos a sessão das 20 horas. Após o cinema, jantamos e fomos dançar.

Café Vermont, Itaim Bibi, SP.

Que noite maravilhosa! Taty era a pessoa mais gentil que eu havia conhecido. E a mais engraçada também.

– Bia, você não vai beber nada?

– Hoje não.

– Bebe! Só um pouco! Quer vinho?

– Não, obrigada.

– Sim, por favor!

– Por que quer que eu beba?

– Pra ter você de novo, nua, em minha cama! E dessa vez, vou me aproveitar de você. Ah vou!

– Taty, você não precisa me embebedar para que eu fique nua em sua cama.

Ela me beijou. Um beijo envolvente, sedutor, excitante, apaixonante!

Julho, inverno, Campos do Jordão.

Taty e eu estávamos namorando, e com planos para nos casar. Resolvemos fazer nossa lua de mel antes, no lugar onde nos conhecemos, repetindo quase tudo o que fizemos, como da primeira vez. Com coisas novas, claro!

– Bia, quer se casar comigo?

– Eu quero! E você, Taty? Quer se casar comigo?

– Quero!

Ela havia comprado alianças e as colocamos no bar onde nos conhecemos.
Taty era a melhor coisa que tinha acontecido pra mim nos últimos anos. Eu estava completamente apaixonada por ela.

Linda e Ju não estavam mais juntas. Pelo que eu soube, Linda estava sozinha, e Ju estava namorando a Pri.

Amigo ainda era nosso amigo. Ele conheceu uma bissexual na sala, e estava tendo um caso com ela. Ele estava feliz!

Taty e eu encontramos Linda algumas vezes na balada. Linda tentava a todo custo me “pegar” no banheiro, mas minha namorada, que é muito protetora, nunca me deixou sozinha.

O virtual me fez conhecer pessoas maravilhosas, pessoas que ainda continuam em minha vida. Apesar de algumas mentirem, nos enganarem, ainda existem pessoas sinceras, honestas, e o que vale é a maioria.

Durante mais de 1 ano, pensei que a mulher de minha vida fosse Linda, meu grande amor virtual! Mas eu estava enganada!

Eu tenho um grande amor! É mágico, é excitante, é verdadeiro, é… Real! E se minha história de amor fosse contada, eu começaria assim…

Era uma vez…

FIM

Qualquer semelhança com nomes e acontecimentos, terá sido mera coincidência. Não são fatos reais.

   

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ERA UMA VEZ PARTE IV

Resistir é impossível… Mas, o destino, às vezes, é abusado…

 

– Linda?! O que você ta fazendo aqui? Como…

– Cala a boca! Você fala demais!

Ela me beijou. Suas mãos procuravam meu corpo com desejo… Ai! Eu tremia, sentia arrepios… E agora era real! Ela estava comigo! Mas… Isso não pode acontecer…

– Linda… Por favor… Não…

– Sim! Você me quer tanto quanto eu te quero.

– Não… Não… Pare…

Ela não parava. Passou sua língua em meu pescoço, e mordeu de leve minha orelha. Eu me sentia indefesa, submissa, não conseguia respirar, não conseguia pensar e gemi…

– Ah, Linda! Eu te amo tanto! Mas está errado… Pare, por favor!

Ela me beijou na boca, me calando. Linda me envolvia de uma maneira que eu não conseguia resistir. Começamos a tirar as roupas, quando alguém bateu à porta.

– Você está esperando alguém, Bia?

– Não!

A pessoa continuou batendo na porta, insistentemente.

– Linda, se esconda no banheiro, e fique quieta. Vou abrir e ver quem é.

– Não! Deixe que continue batendo, quando vir que você não vai atender, vai desistir.

Esperei, torcendo para que a pessoa desistisse. Mas…

– Bia! Sou eu, Amigo! Preciso falar com você. Abra, por favor!

– Droga! O que esse cara quer com você?

– Psiu. Fale baixo! Quer que ele te ouça?

Ficamos quietas, e depois de alguns minutos, não ouvimos mais as batidas à porta e nem a voz de Amigo me chamando.

– Acho que ele desistiu. – Falei.

– É. Então podemos continuar. Onde paramos mesmo?

Disse ela, voltando a me beijar.

– Não, Linda. Melhor você ir embora. Amigo pode voltar e tem a Ju… Ela vai achar estranho você não estar no quarto.

– Amigo não vai voltar e deixei Ju dormindo. Por favor, Bia…

Levantei-me da cama e falei:

– Vai embora, Linda!

– É isso mesmo o que você quer?

– É. E não volte mais aqui, por favor.

Linda saiu, e me arrependi de tê-la mandado embora. Eu a desejava, como nunca havia desejado mulher alguma. Deitei-me, e tentei dormir. Demorou um pouco, mas consegui.

Acordei, tomei banho e me vesti. Desci para o saguão, onde havíamos combinado de nos encontrar para sairmos. Amigo veio falar comigo.

– Você está linda!

– Obrigada, Amigo! Você também está muito bonito. Mas… Você vai ao bar conosco? Sabe que é um bar GLS, não sabe?

– Sei. Faço parte do “S”. – Falou, dando um sorriso. – Bia, eu fui ao seu quarto, mas acho que você estava dormindo.

– Foi? Não ouvi. Deveria estar dormindo mesmo.

Menti. Claro!

– Dormindo ou fazendo amor com Linda?

– O que?!

– Tudo bem, Bia. Eu vi quando ela subornou a camareira, pegou uma chave e entrou em seu quarto.

– Se viu, por que foi lá?

– Para atrapalhar vocês. Será que consegui? – Sorriu de novo.

– Você fez de propósito?!

Que cara de pau! Mas talvez tenha sido melhor, não me sinto bem em trair a Ju. Ela é muito legal.

Para a sorte de Amigo, as meninas apareceram e saímos. O bar era charmoso. Estilo colonial, com uma mesa de bilhar, um palco, um bar americano e várias mesas e cadeiras. Estava lotado. Uma mulher cantava.

Nos dividimos em 5 mesas. Eu, Amigo, Ju, Linda, Pri e outra amiga, ficamos juntas. Pedimos as bebidas e uma garçonete nos avisou que poderíamos fazer pedidos de músicas, que a cantora atenderia.

Eu não costumava beber, mas essa noite eu queria. Pedi uma caneca de vinho. Bebemos, dançamos, pedimos músicas… Eu estava me divertindo!

Fui ao banheiro e, quando estava saindo, Linda me abordou.

– Linda, por favor, aqui não.

– Calma! Só queria te dizer que você está linda!

– Obrigada.

– Quero um beijo, Bia.

– Não!

Ela sorriu e foi se aproximando de mim. Eu fui andando para trás, pedindo para que ela parasse. Entrei no banheiro de novo, e ela me encurralou em uma parede.

– Pare Linda! Não quero…

Ela me ignorou e me beijou. Como recusar um beijo tão… Tão… Gostoso! Envolvente! Dominador! Entreguei-me de novo. Linda sabia o que fazia comigo, sabia que me dominava, me enlouquecia. E eu sentia raiva de mim por isso.

Ela parou de me beijar e ficou me olhando. Eu estava meio tonta. O vinho… O beijo… As mãos dela em mim…

– Vou falar com a Ju. Vou terminar tudo.

– Se pretende fazer isso mesmo, então espere. Quando você não estiver mais com ela, nós…

– É tão difícil resistir, Bia! Eu te desejo tanto! Sonhei muito com o momento em que estaria com você, te beijando, te abraçando, te tocando!

– Eu também sonhei. Mas não pensei que você… Você é casada, Linda! Eu adoro a Ju! Por favor, não vamos mais fazer isso com ela. Quando você acertar sua situação, então, poderemos ficar juntas.

– Está bem. Mas ter você tão perto de mim é…

Ela me beijou mais uma vez. Linda tinha razão, era muito difícil resistir.

Voltei à mesa e me sentei.

– Bia, você está bem?

– Sim, Amigo. Estou.

– Bia, ela não veio?

Perguntou Ju.

– Quem?

– Sua namorada virtual. Ela não veio, não é?

Ai, meu Deus! Tenho que mentir.

– Não veio Ju.

– Não sei se é uma pena ou se foi melhor.

– É.

Uma mulher se aproximou da mesa.

– Boa noite! Gostaria de dançar comigo?

Ela se dirigia a mim e eu aceitei dançar com ela. Era uma mulher linda! Cabelos curtos, desalinhados, olhos castanhos claros, alta, atraente…

– Desde que você chegou, eu estava te olhando. Fiquei observando para saber se você estava acompanhada e percebi que não. Acho que estou com sorte.

Eu sorri com timidez.

– Meu nome é Tatiana, mas todo mundo me chama de Taty.

– Prazer. Meu nome é Bia.

Ela também era de São Paulo, advogada, 38 anos. Disse que ia para Campos do Jordão todo ano, no inverno.

Taty tem a mesma idade de Linda. O sorriso parecido, a postura elegante, o jeito gentil, educada. Ela realmente era muito atraente.

Dançamos várias músicas e em uma delas, Taty me beijou. Apesar de não ser o beijo perfeito de Linda, gostei e correspondi.

– Além de linda, você tem um beijo gostoso. Acho que estou correndo um grave risco.

– Que risco?

– O risco de me apaixonar por você.

– Hmmm. Diga-me uma coisa, Taty… Você é casada?

– Não.

– Tem namorada?

– Não.

– Enrolada?

Ela gargalhou.

– Também não. Sou livre como um pássaro. E você?

– Enrolada. Demais!

– O que posso fazer para “desenrolar” você?

– Acho que nada.

– Acho que posso tentar.

E me beijou de novo. Uma de suas mãos correu por minhas costas e senti um arrepio por todo o corpo. Nossa! Que delícia! Acho que eu estava carente e… Bêbada. Mas deixei acontecer. Eu podia! Eu merecia!

Entre conversas e beijos, fomos nos conhecendo e nos sintonizando. Dei uma olhada para a mesa, e vi Linda e Amigo me olhando com olhares que, bem… Acho que eles não estavam muito felizes. E daí? Eu sou solteira, sem compromisso, livre! Linda é casada e Amigo é homem!

Começou a tocar uma música mais animada e Taty me levou para a sua mesa.

– O que você está bebendo, Bia?

– Vinho.

Ela chamou a garçonete e pediu 2 canecas de vinho.

– Um brinde a você, bela mulher!

Encostamos nossas canecas e bebemos. Continuamos a conversar e nos beijar. Taty era uma graça! Charmosa! Uma mulher realmente interessante! Muito interessante.

– Bia, vem comigo, quero falar com você.

Era Linda. Taty se levantou.

– Boa noite.

Disse Taty, estendendo a mão. Mas Linda não a cumprimentou.

– Bia, venha comigo. Agora.

Taty me olhou, tentando entender quem era aquela mulher.

– Não, Linda. Estou bem aqui.

– Quero falar com você. Vem comigo.

Linda pegou em meu braço, me fazendo levantar.

– Pare com isso, Linda!

– Solte a moça, amiga.

– Não se meta! E não sou sua amiga.

– Você quer ir com ela, Bia?

– Não.

– Mas vai.

Linda apertava meu braço, me puxando.

– Linda, me solta, você está me machucando.

– Solte-a.

Disse Taty. Linda a empurrou.

– Não se meta nisso! Não é assunto seu.

Vi quando Taty ia bater em Linda e me meti entre as duas.

– Vai embora, Linda.

– Só quero conversar com você, Bia.

– Não temos nada para conversar. Saia daqui, Linda. Por favor!

Olhei para a mesa, preocupada que Ju visse isso, mas ela não estava na mesa.

– Você já contou a ela que é minha mulher?

Taty me olhou.

– Não sou tua mulher!

– É sim! Você me ama, me deseja e estaremos juntas em breve.

– Sai daqui, Linda.

Ela me olhou com tristeza. Não queria que isso tivesse acontecido, não tive a intenção de provocá-la. Sentei-me, chateada.

– Você está bem?

– Desculpe Taty.

– Quem é ela?

Contei-lhe sobre Linda.

– Bia… Você me usou para provocar ciúmes em Linda?

– Não! Juro que não! Foi você quem me beijou e eu…

– Tudo bem. O que quer fazer? Quer voltar à mesa com tuas amigas?

– Posso ficar aqui?

– Que tal outra caneca de vinho?

– Eu já me sinto bêbada, mas… Tá bom. Vou tomar outra.

– Não se preocupe, se eu perceber que você vai cair, eu te seguro.

Taty tinha um sorriso lindo! Era tão delicada! Fiquei o resto da noite com ela. Bebendo, conversando, dançando, beijando… Ela pediu uma porção de fritas e disse que eu precisava comer alguma coisa, porque eu tinha bebido muito.

– Bia, nós já vamos embora. Você vem conosco?

Perguntou Amigo. Olhei para Taty.

– Não. Ela vai ficar mais um pouco. Eu a levo ao hotel.

– Para qual hotel você pretende levá-la?

– Para qual ela quiser.

– Bia?

– Vou ficar aqui, Amigo.

– Tem certeza?

– Sim. Não se preocupe.

Contrariado, ele saiu. Vi quando todos foram embora.

Terminamos nossas canecas de vinho e as batatas. Levantei-me para ir embora, e quase caí. Como havia prometido, Taty me segurou.

– Opa! Você bebeu demais, garota!

– Ai! Minha cabeça roda…

Ela me colocou sentada na cadeira, e disse:

– Não saia daí. Vou pagar a conta e já volto pra te pegar.

Sair daqui? Impossível!

Depois de pagar a conta, Taty me levou até seu carro.

– Quer ir pra onde? – Perguntou.

– Para onde você quiser me levar.

– Hmmm! Não deveria ter dito isso.

Apesar de tonta, pude ver seu sorriso safado e… Lindo!

CONTINUA…

   

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ERA UMA VEZ PARTE III

Será mesmo que conhecemos as pessoas?

Acordei disposta a voltar para casa. Tomei banho, me arrumei e desci para o café da manhã. Quando cheguei ao restaurante, algumas das meninas já estavam comendo. Eu me servi, e quando ia me sentar a uma mesa, uma das meninas me chamou.

– Bia, vem cá, sente-se conosco.

Era Priscila, a organizadora da viagem. Pri tinha 43 anos, baixa, gordinha, morena, um sorriso lindo e era muito engraçada.

– Por que você não quis sair conosco ontem? Foi muito legal.

– Eu estava cansada. Preferi dormir.

– Mas hoje você não escapa. Você vai, nem que eu tenha que te carregar.

Eu ri.

– Vou voltar para casa, Pri.

– O que?! Por quê?

– Surgiu um imprevisto.

– Aconteceu alguma coisa? Alguém de sua família…

– Não, está tudo bem. Nada aconteceu com minha família, apenas preciso voltar.

– Bom dia, meninas!

Era Ju. Ela nos beijou e saiu para se servir. Em seguida, ela e Linda se sentaram à nossa mesa. Eu precisava tomar muito cuidado para não chamar Luana de Linda.

Começaram a falar sobre a noite anterior na cidade, e faziam planos para esta noite. A conversa estava animada. Todas as meninas foram chegando e nos cumprimentando. Linda não parava de me olhar, e isso estava me incomodando.
Em certo momento, o recepcionista do hotel veio à nossa mesa.

– Com licença. Quem é Bia?

– Sou eu.

– Desculpe interromper, mas uma pessoa a aguarda na recepção.

Uma pessoa? Quem seria? E por que havia chamado a mim?

Levantei-me e acompanhei o recepcionista até o saguão. Ele apontou a pessoa que me esperava. Era um rapaz.

– Pois não. Você quer falar comigo?

– Bia? Você é a Bia?

– Sim, sou eu. E você? Quem é?

O rapaz parecia nervoso, aflito.

– Eu pensei muito em não vir, mas precisava ver você, te conhecer, precisava falar, contar a verdade…

– Que verdade? Quem é você?

– Sinto muito, não foi por mal, eu juro!

– Moço, eu não sei do que você está falando. Será que não está me confundindo com alguém?

– Não estou confundindo. É com você mesma que quero falar, Bia.

– Então fale!

– Não sei por onde começar… É tão difícil!

Ele realmente estava muito nervoso. Ele tentava falar algo, mas sua voz não saía, ele gaguejava. Senti pena.

– Você está se sentindo bem? Quer uma água, um café, um…

– Não quero nada. Por favor, deixe-me falar.

– Estou deixando, mas você não diz nada.

– Bia… Eu… Eu…

– Você…

– Eu sou a Amiga.

– O que?

– Eu sou a Amiga.

– Que brincadeira é essa?

– Perdoe-me, por favor! Era uma brincadeira no começo, mas eu fui tão bem recebido por você e por suas amigas, vocês me trataram com tanto carinho, que eu não consegui lhes contar a verdade, não queria que me expulsassem da sala. E o pior de tudo foi que eu… Eu me apaixonei por você.

– Espera… Você está me dizendo que você… Que Amiga, na verdade é… Amigo?!

– É isso.

– Mas que droga! Será que ninguém consegue ser sincera… Sincero? Será que ninguém é real? Isso só pode ser uma brincadeira. Já sei! Você é amigo da Amiga, ou irmão, ou um primo, e ela está escondida em algum lugar e…

– Não, Bia. Eu sou a Amiga. Perdoe-me! Juro que não fiz por mal.

Sentei-me no sofá e tentava digerir esta nova revelação. Primeiro, Linda é casada, e com uma amiga. Agora, a Amiga é… Homem?!

– Bia, eu sinto muito! Não era minha intenção enganar ninguém, mas as coisas aconteceram tão rápido que eu nem… Desculpe!

– Você tem ideia do que eu estou passando? Você imagina quanta decepção estou tendo com a Internet? Não! Você não sabe, realmente não sabe de nada. Por que fez isso? Por que ela fez isso? Eu confiei em você! Confiei nela!

Não consegui me controlar e chorei.

– Bia, por favor, não chore. Desculpe-me!

Nesse momento, algumas meninas chegaram, junto com Ju e Linda.

– Bia, o que houve? Por que você está chorando? – Perguntou Ju.

– O que você fez com ela? – Falou Linda, se dirigindo à Amiga, quer dizer, ao Amigo.

– Sinto muito. – Disse Amigo.

– Sente o que? Fala cara! O que você fez pra ela estar chorando? Quem é você?

– Ele é a Amiga. – Falei.

– O que?! – Gritaram todas.

– Amiga é homem. Na realidade, a Amiga é… Amigo.

– Bia, você está se sentindo bem? Você bebeu?

– Não, Ju. Não estou me sentindo bem e não bebi. É isso que lhes falei. Pergunte a ela… A ele.

As meninas fizeram um círculo em volta de Amigo, elas estavam furiosas.

– Meninas, acalmem-se, por favor! Eu vou explicar…

– É, vai explicar sim. Pode falar, estamos ouvindo. – Disse uma delas.

Amigo contou-lhes a mesma coisa que havia me dito. As meninas queriam linchá-lo, mas eu me intrometi.

– Parem com isso! Vocês estão loucas?

– Bia, ele te enganou, enganou a todas! Ele merece uma surra.

– Não foi só ele quem me enganou.

Ops! Acho que falei demais!

– O que disse Bia? – Perguntou Pri.

Vi o olhar de Linda sobre mim.

– Nada. Saiam, deixem-me falar com ele, já me sinto melhor.

– Tem certeza Bia? Não sei se é bom você ficar sozinha com esse cara.

– Tudo bem, Pri. Não estarei sozinha, o recepcionista está bem ali, e tem os seguranças do hotel lá fora. Agora me deixem sozinha com Amiga… Quer dizer, com Amigo.

Meio contrariadas, elas fizeram o que pedi e saíram.

– Sente-se aqui, Amigo.

Ele se sentou.

– Bom… Primeiro, diga-me o seu nome.

– Ricardo.

– Muito bem, Ricardo! Você nos enganou, mas teve coragem de vir e nos contar a verdade. Poderia não ter vindo, e quando nos encontrássemos no MSN, poderia dar qualquer desculpa para não ter vindo e continuar com essa farsa. Não digo que estou feliz com o fato de você ser homem, principalmente, porque mentiu, mas… Não estou em condições de condenar você. Você diz estar apaixonado por mim…

– Eu te amo, Bia.

– Espere! Deixe-me falar. Ok, você me ama. Mas sabe que não gosto de homens, gosto de mulheres e amo uma mulher, portanto, se quer ser meu amigo, se quer continuar tendo contato comigo, terá que me esquecer e nunca, jamais, tentar qualquer coisa. Entende o que quero dizer?

– Entendo.

– Ótimo! Você tem duas opções. A primeira, me esquecer como mulher e me ver como amiga.

– E a segunda?

– Cair fora, sumir, desaparecer.

– Quero você como amiga. Prometo nunca tentar nada com você. Bia, você pode me perdoar?

– Perdoar ainda não posso, mas vou tentar.

– Por que disse que não fui só eu quem te enganou?

– É uma longa história!

– Quer me contar?

– Está bem. Prepare-se, Amiga! Quero dizer… Amigo.

Contei-lhe sobre Linda. Ele ficou indignado, mas ao mesmo tempo, feliz.

– Posso saber o motivo do sorriso?

– Desculpe.

– Não pense que por causa disso, você tem chance comigo. Nenhuma chance, ok?

– Ok. Já entendi isso.

Pri se aproximou de nós.

– Bia, nós vamos sair pela cidade. Você vem conosco?

– Vou sim, Pri. E Amigo também. Importa-se?

– Sim, me importo.

– Poxa, Pri. Ele é nosso amigo!

– Não é nada. Era amiga, quando era mulher. Mas é homem.

– Mas continua sendo nosso amigo.

– Caramba! Amiga é homem! Vou chamar as meninas.

– Eu vou pegar mais um casaco, estou com muito frio.

Amigo se registrou no hotel e subiu para o quarto dele, que ficava no mesmo andar que o meu.

As 27 mulheres e Amigo, saímos pela cidade. Fizemos compras, andamos de teleférico, comemos churros… A cidade era linda mesmo!

Apesar de tudo, eu estava feliz em ter Amigo comigo. Ele era a mesma pessoa da net. Divertido, inteligente, carinhoso… Apesar de ser homem! Não pelo fato de ser homem, mas por ter mentido. Eu tinha amigos homens, mas descobrir que Amiga era Amigo, foi uma decepção e uma surpresa.

– Bia, vem comigo, quero falar com você.

Disse Linda, me segurando pelo braço.

– Nem pensar!

– Por favor, é rápido! Ju foi ao banheiro.

– Não, Linda, me solte.

– Algum problema, Bia?

– Não, Amigo! Está tudo bem.

– Bia, vem, por favor.

– Eu disse não.

– Linda, ela disse não.

– Não se meta cara! Você nem deveria estar aqui.

– Mas estou e vou cuidar dela. Sei o que você fez e não foi muito diferente de mim. Aliás, acho que você fez pior.

– E eu acho que isso não é da sua conta.

– É da minha conta sim. Eu amo a Bia.

– Como é?! Bia… Ele…

– Sai daqui, Linda. Não quero falar com você.

– Ah, entendi! Você e ele…

– Cai fora, Linda.

Linda saiu furiosa.

Voltamos ao hotel e almoçamos. Todas iam dormir após o almoço, para que pudéssemos curtir a noite. Encontramos um bar GLS e iríamos dançar. Eu resolvi não voltar para casa.

Depois do almoço, subi para o meu quarto. Eu estava com muito frio e sono. Não tinha dormido bem durante a noite. Escovei os dentes, coloquei um pijama quentinho e me deitei. Dormi rapidamente.

Eu estava sonhando com Linda. Seus toques em meu corpo me faziam estremecer, me enlouqueciam! Ah, como eu queria que esse sonho fosse real… E era…

CONTINUA…

 

 

   

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ERA UMA VEZ – PARTE 2

Depois do olhar… O toque. É possível resistir?

À noite entrei na sala, mas não estava animada para conversar. As meninas falavam sobre a viagem e eu ia dizer o que? Que minha namorada virtual exigiu que eu não fosse, mas que ela iria?

Quando estava me despedindo, uma de nossas amigas veio falar comigo. Vou chamá-la de “Ju”.

– Oi, Bia! Tudo bem?

– Oi, Ju! Estou mais ou menos, e você?

– Estou muito bem e animada com a viagem a Campos do Jordão. Você vai né?

– Infelizmente, não.

– Por que não? Você era uma das mais animadas pra ir!

– Surgiram uns problemas, e não vai dar.

– Quer conversar? Se preferir, podemos teclar no MSN.

– Ah! Não vale a pena, Ju. É tão complicado!

– Vou ser sincera, Bia. Falei com Amiga e ela me contou o que está acontecendo. Ela me disse o motivo de você não ir conosco. Vamos pro MSN, quero falar com você.

Aceitei ir com ela pro MSN e contei-lhe tudo.

– Sinto muito te dizer amiga, mas essa mulher está te enganando. Não sei dizer como e nem por que, mas é muito estranha essa atitude de ela não querer que você vá. Pense! Essa é a chance de vocês terem um final de semana romântico, de se conhecerem, de terem a certeza de que se amam mesmo… Se eu fosse você, eu iria. Já que ela vai estar lá, você vai descobrir o porquê de ela não querer que você vá.

– Mas eu já disse pra ela que eu não vou.

– E daí? Faça uma surpresa!

– Será que ainda tem vaga no hotel?

– Claro que tem! Vou falar com ”Pri”, é ela quem está organizando tudo, e vou pedir para que ela reserve pra você também. Posso fazer isso?

Pensei e resolvi.

– Pode. Eu vou!

– Muito bem amiga! Amanhã vamos nos conhecer, finalmente!

– É. Finalmente! Obrigada, Ju!

– De nada, querida! Boa noite! Até amanhã. Beijos.

– Beijos.

Eram 28 mulheres confirmadas para a viagem, incluindo eu. Todas iriam de carro. Eu fui sozinha, no meu carro.

Chegada ao hotel para o “check-in”, até 21 horas da sexta-feira. Cheguei às 19h40min. Fiz o check-in, e fui para o quarto guardar minha bagagem. Desci novamente e perguntei se as hóspedes de São Paulo haviam chegado. O recepcionista disse que eu era a primeira.

Fiquei no saguão, esperando ansiosamente a chegada de minhas amigas virtuais. Aos poucos, elas foram chegando…

Que delícia poder ver as pessoas com quem eu teclava há meses, algumas há mais de 1 ano. Eu estava emocionada!

– Você é a Bia?

– Sim! E você é…

– Juliana… Ju!

Nós nos abraçamos! Ju era linda, jovem, tinha 26 anos, loira, olhos verdes e um sorriso simpático.

– Que bom conhecer você, Bia!

– Muito bom te conhecer, Ju! Onde está sua esposa?

– Perdi. – Disse ela, gargalhando.

– Como assim?

– Ela foi pegar as malas e algumas meninas a abordaram na entrada do hotel. Espera aí, vou chamá-la.

– Você já viu Amiga?

– Ainda não, mas deve estar no meio das “doidas” lá fora. Espere, vou salvar minha esposa. – Disse ela, rindo e saindo.

Enquanto Ju tinha ido buscar sua esposa, cumprimentei outras amigas. Pouco depois, Ju voltou e me apresentou à sua esposa.

– Bia, Luana. Luana, Bia.

O que?! Linda?! Linda é a esposa de Ju?!

Linda e eu ficamos nos olhando, surpresas. Eu, porque não fazia ideia que Linda era casada, ainda mais com uma amiga tão querida como a Ju. E ela, porque pensou que eu não fosse a Campos do Jordão.

Respirei fundo, tentei disfarçar meu espanto e decepção, e com delicadeza, cumprimentei Linda.

– Como vai, Luana? É um prazer conhecê-la.

– O prazer é meu, Bia.

Não quis beijar, nem abraçar, nem tocar em Linda. Arranjei uma desculpa e saí para me reunir a outros grupos.

Eu me sentia perdida, como um peixe fora d’água. Eu precisava sair dali, precisava ficar sozinha, porque eu queria chorar, eu queria gritar, eu queria… Sumir!

Procurei por Amiga e ninguém a tinha visto. Todas combinaram de sair pela noite de Campos de Jordão. Eu não iria, eu seria uma péssima companhia. E também, como eu poderia ver Linda, o meu amor virtual, sendo abraçada e beijada por outra mulher? Não! Eu ia para o meu quarto. Chorar e… Dormir.

Após o jantar, todas estavam saindo.

– Ah, Bia! Vamos! Vai ser legal!

– Sei que vai, Ju, mas estou muito cansada, muito mesmo. Vou acabar estragando o passeio de vocês.

– Não vai estragar nada. Vem!

– Desculpe! Vamos deixar para amanhã. Prometo sair com vocês amanhã.

Todas se despediram de mim e saíram. Eu fui para o meu quarto. Assim que destranquei a porta, duas mãos me empurraram para dentro.

– O que você está fazendo aqui? Não te pedi para não vir?

– Saia do meu quarto, Linda!

– Você não respondeu minha pergunta. Por que você veio?

– Era por isso que você não queria que eu viesse, não é? Você é casada! Sua mentirosa.

– Eu te pedi tanto, Bia! Eu ia te contar, eu juro que ia.

– Saia daqui, Linda!

Ela me encostou contra a parede e ficou me olhando nos olhos. Nossa! Como ela era linda! Alta, um corpo atlético, cabelos curtos, castanhos, olhos negros, um olhar penetrante, envolvente, sedutor… Tentei empurrá-la, mas ela não saía, não me soltava.

– Ah, Bia! Não sabe como desejei ter você assim, na minha frente, me olhando, sentir o seu cheiro, tocar seus cabelos, beijar tua…

– Não! – Gritei. – Quero que saia. Agora.

– Vou sair, mas antes…

Ela me beijou. Ah, eu tremi! Não consegui resistir, e… Deixei. Como sonhei com esse momento! O toque dela em meu corpo, seu beijo… Eu senti minhas pernas bambas, pensei que fosse cair, mas ela me segurava. Suas mãos percorreram meu corpo, me fazendo gemer. Mas eu não podia…

– Solte-me, Linda! Por favor!

– Bia, eu quero você e você me quer!

– Não! Não podemos. A Ju…

Ela me soltou, virando-se de costas. Eu me recompus, tentando voltar à realidade.

– Linda, por que você mentiu pra mim?

– Eu nunca menti pra você.

– Como não?! Além de mentirosa, é cínica.

– Bia, você nunca me perguntou se eu era casada.

– E você nunca me disse que era.

– Temos muito que conversar. Eu sei como você se sente…

– Não sabe não. Não sabe mesmo!

– Bia, me escute, por favor. Pelo menos uma vez! Quero saber se você vai contar para a Ju…

– Não vou contar nada pra ela. Não por você, mas por ela. A Ju é uma mulher adorável, um encanto! Meu Deus! Como você pôde?

Linda aproximou-se de mim e ia me abraçar, mas fui em direção à porta e abri.

– Saia daqui, Linda. As meninas estão te esperando para sair… Sua esposa a espera.

– Tudo bem. Mas prometa que vai me deixar explicar tudo.

– Não há o que explicar. Não quero te ver nunca mais. Não quero que se aproxime de mim, não quero que me toque…

– Não quer que eu te toque, porque sabe que não poderá resistir. Bia, você me ama! E eu… Eu amo você! Acredite em mim, por favor!

– Sai. – Gritei.

Ela saiu, virou-se, me olhou nos olhos e disse:

– Eu vou te explicar como tudo aconteceu, e você vai me entender.

Fechei a porta na cara dela.

Droga! Ela tinha razão! Eu a amava! E agora era real! Sim, eu a amo e… A odeio!

Tomei banho, me vesti e deitei. Não conseguia parar de chorar, não conseguia dormir. Se pelo menos Amiga estivesse comigo, eu teria alguém para me consolar. Onde ela estava? Por que não chegou?

Depois de muito tempo, finalmente, consegui dormir.

CONTINUA…