SÓ FALTAVA O AMOR – PARTE III

– Boa noite. Fez boa viagem?

– Muito boa!

Fernanda pega Laila em sua casa e vão jantar no restaurante do hotel.

– Acredita que eu nunca tinha entrado nesse hotel? É lindo!

– Gostei dele. Também não conhecia. As vezes que eu estive em Itatiaia, fiquei hospedada na casa de Lara. O atendimento aqui é muito bom e o quarto é aconchegante. Depois do jantar, se quiser, te levo para conhecer.

– Não, muito obrigada.

– Por que você resolveu ser pilota?

– Meu sonho quando criança, era ser comandante de um foguete e ir até a lua. Aí, saí do mundo da lua e agora piloto helicópteros.

– Você é uma mulher muito linda.

– Obrigada. Você também é.

Após o jantar, Fernanda levou Laila para casa.

– Quer entrar para tomar um café?

– Vou aceitar.

Tomam café e vão para a sala.

– Como está Bianca?

– Ela está bem. Minha mãe faz todas as vontades dela. Bianca quer morar em Cabo Frio.

– E você não?

– Não.

– Você não tem medo de ficar aqui sozinha com uma criança?

– Não. Me sinto segura aqui. Vamos parar com isso e ir direto ao assunto.

– Como?!

– Eu sei por que você se aproximou de mim e aviso que não vai conseguir o que quer.

– Será que só eu que quero?

– As únicas mulheres que quero em minha vida, são minha filha e minha mãe.

– Estamos falando de que? De amor? Não falo de amor, falo de desejo, de sexo.

– É isso o que você quer de mim, Fernanda? Sexo?

– E você não quer também?

Elas ficam se olhando, como se estivessem em um duelo.

– Acho melhor você ir embora.

– Concordo.

Laila se levanta para abrir a porta, mas Fernanda puxa Laila para o seu corpo, e a beija.

– Boa noite, pilota.

Laila não responde e abre a porta para Fernanda sair. Entra em seu quarto, se deita na cama e sorri.

“Ah, Fernanda! Você vai ficar louquinha por mim, ou eu não me chamo Laila Conrado!”

No quarto do hotel, Fernanda pensa em Laila.

“Você vai ser minha, pilota, ou eu não me chamo Fernanda Oedam!”

No dia seguinte, como sempre faz nos finais de semana, Laila vai até a fazenda de Lara para andar a cavalo. Quando chega lá, encontra máquinas, tratores, vários homens e… Fernanda.

– O que você está fazendo aqui?

– Bom dia, pilota!

– Bom dia. Responde.

– Estou trabalhando.

– Trabalhando?!

– Não se lembra do condomínio de luxo que vou construir?

– Mas… Ah, não! Esse condomínio vai ser…

– Exatamente aqui.

– Lara vendeu a fazenda?

– Vendeu. Pra mim.

– Você mentiu, disse que tinha ganhado uma licitação, eu pensei que…

– Não menti. Haviam outros compradores e eu dei o maior lance, e ganhei. Sem contar que Lara é minha amiga, mas isso ninguém precisava saber, não é?

– Por que Lara não me contou?

Laila estava decepcionada.

– E você? O que está fazendo aqui?

– Sempre ando a cavalo. Mas agora, que a fazenda não é mais de Lara, acho que não posso mais fazer isso. Desculpe-me por ter invadido a sua fazenda.

Laila volta para o seu carro e Fernanda vai atrás dela.

– Espere! Adoraria acompanhar você.

– Quer andar a cavalo comigo?!

– E por que não?

– Está bem. Será uma despedida.

Um empregado da fazenda prepara os cavalos para Laila e para Fernanda. Elas saem, andando pela propriedade, passando por lagos, riachos, trilhas, mata. Elas param em um riacho.

– Quando eu era pequena, eu dizia ao meu pai que um dia esta fazenda seria dele! Eu ia comprá-la, e dar de presente pra ele. Quanta inocência!

– Você realmente ficou chocada em saber que comprei a fazenda, não é?

– Chocada não. Triste, decepcionada. Não por você ter comprado, mas porque ela deixará de ser uma fazenda. Tive bons momentos aqui. Apesar do pai de Lara ser um burro xucro em relação a certas coisas, ele sempre foi muito justo com quem trabalhava pra ele.

– Fale-me sobre você e Lara.

– Lara foi o meu primeiro amor. E creio que eu fui o dela também.

– Você ainda a ama?

– Amo. Mas não mais como mulher. Lara e eu somos como irmãs… Por que ela não me contou sobre a venda da fazenda?

– Eu não sei. Talvez não tenha tido tempo ou oportunidade. Ela viajou logo depois do casamento.

– Mas conseguiu fazer negócio com você antes disso. Eu não entendo.

Lágrimas escorrem pelo rosto de Laila. Ela tenta esconder, mas Fernanda vê e passa a mão por seu rosto.

– Não sabia que isso te faria sofrer.

– Estou sofrendo sim. Mas vai passar… Tudo passa!

Seus olhares se fixam. Fernanda tira a mão do rosto de Laila e acaricia seus cabelos. Devagar, suas bocas vão se aproximando e elas se beijam. Um desejo alucinante toma conta de seus corpos, e, sob uma árvore, Fernanda se deita sobre Laila, tocando-a.

Gemidos tímidos, tremores, arrepios… Sensações e sentimentos inexplicáveis.

– Pare! – Diz Laila, levantando-se.

Fernanda, tentando se recompor, também se levanta e, com voz ríspida, fala:

– Que jogo é esse? Você pensa que sou alguma idiota?

– Não é jogo. Aqui eu não quero… Aqui não.

– Por que não? Ah, sim! Você prefere uma cama. Ótimo! Vamos para a sua casa.

Laila lança um olhar furioso para Fernanda.

– Lembra que eu falei que tudo passa? Pois bem! Passou!

Laila monta em seu cavalo e sai em disparada, deixando Fernanda para trás.

– Você não vai me fazer de idiota, Laila Conrado. Não mesmo!

Em sua casa, Laila liga seu computador e envia um e.mail para Lara.

“Hoje tive uma revelação. Soube que a sua fazenda, não é mais sua. E o pior de tudo, é que ela deixará de ser uma fazenda. Sei que não tenho nada haver com seus negócios, mas você poderia ao menos, ter tido a consideração de me contar. Hoje me despedi da fazenda. Pela última vez, andei a cavalo e parei em nosso riacho, em nossa árvore. Lembra? Foi lá que fizemos amor pela primeira vez e lá, que nos encontrávamos todos os dias e fazíamos amor, fazíamos planos… Por que Lara? Por que vendeu a fazenda? Por que não me contou? Magoada… Triste… Decepcionada…”

Laila tomou banho e se deitou. Não queria pensar em nada. Mas Fernanda não saía de seus pensamentos. Ela se levantou, se vestiu e foi para o hotel.

No hotel, enquanto tomava banho, Fernanda também pensava em Laila.

“Que droga! É só uma mulher, Fernanda Oedam! Mais uma!

O interfone do quarto de Fernanda toca. Em seguida, Laila entra no quarto.

– Vim te pedir desculpas e explicar sobre o que aconteceu hoje.

– Quer beber alguma coisa?

– Não, obrigada. Não vou demorar.

Fernanda e Laila se sentam em um sofá.

– Não é um jogo. Eu desejei fazer amor com você… Desejo. Aquele riacho e aquela árvore têm um grande significado pra mim. Foi lá que eu e Lara fizemos amor pela primeira vez e sempre. Pode ser um romantismo tolo, mas não consegui. Peço que me desculpe e espero que entenda. É isso.

Laila se levantou, e quando estava indo para a porta, Fernanda a agarrou.

– Eu te quero Laila Conrado.

Elas se beijam e Fernanda a leva para a cama. Elas pareciam estar queimando por dentro. Fernanda tira as roupas de Laila e depois, as suas. Deita-se sobre Laila e a beija no pescoço, na boca, e vai descendo…

– Espere…

– Ah, não! O que foi dessa vez?

Laila inverte a posição, deixando Fernanda por baixo.

– Você gosta de comandar, mas vou te ensinar como se faz.

Fernanda dá gargalhada, mas logo pára, dando lugar aos gemidos.

Laila toca os seios de Fernanda com suavidade, enquanto explora suas partes íntimas. A língua de Laila passeia pelo corpo de Fernanda e desce, até chegar ao seu clitóris.

– Hmmm… Delícia!

Diz Laila, chupando e olhando para Fernanda, que delira.

Depois de fazer Fernanda gozar, Laila pede para que ela continue deitada e coloca seus seios na boca de Fernanda. Depois, rebola sobre a boca dela.

– Ah, Fernanda! Gostoso… Isso! Assim…

Elas fazem amor em diversas posições e gozam… Gozam até se sentirem saciadas.

– Você nunca se casou Fernanda?

– Nunca. Sou uma mulher inteligente, não sei se já percebeu.

– Mulheres inteligentes não amam?

– Mulheres inteligentes raciocinam, portanto, usam a cabeça e não o coração.

– Isso é muito triste!

– O que é triste?

– Viver apenas pensando e não sentindo, nunca ter tido a alegria de viver uma intensa paixão, de sentir o coração pulsando, disparado.

– Você já?

– Sim!

– Com Lara, não é?

– Ela não foi a única mulher de minha vida.

– Sei. Teve Augusta.

– E outras. Sou passional, adoro viver uma louca paixão. Na verdade, eu era assim. Depois de Augusta, mudei um pouco os meus conceitos. Hoje me preocupo apenas com minha filha e quando a necessidade “aperta”, é fácil dar um jeito nisso, sem precisar me envolver.

– Hoje sua necessidade “apertou”?

– O que você acha, mulher inteligente?

Disse Laila, sorrindo e se levantando.

– Aonde você vai?

– Vou embora. Já fiz tudo o que eu tinha para fazer por aqui.

– Não vai ficar para o jantar?

– Jantar?! Não! Minhas necessidades não são tão grandes assim.

Laila se vestiu, deu um beijo no rosto de Fernanda e saiu.

“É impressão minha ou ela me usou?”

Pensou Fernanda, intrigada.

No dia seguinte, Laila viajou até Cabo Frio para buscar Bianca. Quando chegam em casa, Bianca dispara a contar todas as coisas que fez com a avó.

– … Então, ela me carregou do playground até a praia.

– Nossa Bianca! Sua avó deve ter ficado muito cansada.

– Ficou nada! Ela disse que aguentaria me carregar de volta, mas eu não deixei, quis poupá-la para que ela fizesse aquele bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Mãe! Ficou uma delícia!

– Nada interesseira você, não é mocinha?

Bianca ri.

– E como foi o seu final de semana?

– Sem novidades. Com certeza o seu foi bem melhor.

– Fernanda apareceu?

– Sim.

– Vocês saíram juntas? Ela jantou aqui de novo? Vocês vão namorar?

– Chega de perguntas. Vai tomar banho para jantarmos e depois, cama. Amanhã tem aula.

No dia seguinte, Laila deixa sua filha na escola cedo e vai trabalhar. Quando não pilota helicópteros, ela trabalha como gerente em uma loja de doces no centro da cidade.

– Bom dia, Laila! Como foi o seu final de semana?

– Muito bom, Dona Lisinha. E o seu?

– Ah, minha filha! Minha ciática não me deu trégua. Você acredita que…

Bianca fica na escola em horário integral. No final da tarde, Laila vai buscá-la.

– Vamos logo para casa porque está vindo uma tempestade por aí.

– Oba! Adoro tempestades!

– Eu sei. Mas é melhor adorar quando estivermos protegidas dentro da nossa casinha, quentinhas.

Ventos fortes, raios, trovoadas…

– Mãe, será que vai demorar muito para chover?

– Não. Daqui a pouco começa. Vamos separar as velas, antes que acabe a luz.

Laila e Bianca vão até a cozinha para pegar as velas. Sem que elas percebam, alguém as observa.

– Ah! Então é aqui que você se esconde. Bom vê-la novamente.

A chuva começa forte. Os trovões fazem com que mãe e filha fiquem agarradas, na cama, debaixo do cobertor. A luz apaga.

– Hoje vamos dormir mais cedo. Boa noite, minha vidinha!

– Boa noite, mamãe.

CONTINUA…

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