ESPERANÇA (Conto do Livro Mulheres Fascinantes)

Só o verdadeiro amor pode salvar…

Esperança 01 - Rose Madeo

Finalmente, estou livre. Passei dez anos em uma penitenciária, condenada por assassinato. Por todos os crimes que cometi, eu merecia ter ficado presa pelo resto de minha vida. Porém, com dinheiro e com um bom advogado, podemos burlar as leis com facilidade. Fui uma assassina cruel, mas me sinto regenerada, salva, e o que me salvou, foi o amor.

Elisa, minha colega de cela, era uma mulher de pouca inteligência e com nenhuma sensibilidade. Ela se correspondia com outra mulher e dizia que precisava dela para tentar sair da prisão. Com palavras doces, embora, mentirosas, Elisa iludia a pobre coitada.

Em uma das cartas que minha colega recebeu, veio uma fotografia, que ela me mostrou. Alguma coisa em mim mudou. Eu me apaixonei pelo sorriso daquela mulher no retrato, pelos seus cabelos cacheados e dourados, pelos olhos verdes, que pareciam duas esmeraldas. A partir de então, eu só tinha um objetivo: ter essa mulher pra mim.

Estou em frente à porta do quarto de um pequeno hotel. Minhas mãos suam, meu corpo treme e minha boca está seca. Preciso tentar me controlar. Respirei fundo e bati na porta. Uma linda mulher apareceu com um sorriso encantador, porém, quando ela me viu, seu sorriso se desfez.

– O que o senhor deseja?

– Você é a moça que espera por Elisa, não é?

– Sim, sou eu.

– Posso entrar? Preciso falar sobre ela.

Senti que ela teve receio em me deixar entrar no quarto, mas, para a minha surpresa, ela permitiu.

– Onde está Elisa? Por que ela mandou o senhor falar comigo? Por que ela não veio?

– Muitas perguntas. Antes de respondê-las, gostaria que me olhasse bem.

Ela ficou me olhando com aqueles olhos de esmeraldas. Nossa! Ela era mais linda pessoalmente.

– Você é mais bonita do que na foto.

– Onde ela está? Se não responder, o senhor pode ir embora agora mesmo.

– Você não me olhou bem. Já que não percebeu, vou me apresentar. Muito prazer, meu nome é Celina.

– Ah, meu Deus! Por favor, me desculpe, eu pensei…

– Tudo bem, é normal as pessoas me confundirem.

Ela parecia envergonhada por ter pensado que eu fosse um homem.

– Você poderia me arrumar um copo com água?

– Claro.

Quando ela me entregou a água, estava tão perto de mim, que não resisti e toquei seu rosto.

– Sua pele é tão macia! Seu cheiro é bom…

Ela se afastou, naturalmente.

– Por favor, diga-me o que aconteceu com Elisa. Por que ela não veio?

– Porque Elisa está morta.

– Isso não pode ser verdade. Quando ela morreu?

– Faz quase cinco anos.

– Não! Você está mentindo. E as cartas? Ela me escreve há mais de cinco anos e recebi sua última carta na semana passada, quando marcamos este encontro.

– Eu as escrevi. Senti que seria uma grande decepção pra você, descobrir que as cartas não chegariam mais. Decepção pra mim também.

Ela se sentou na cama e começou a chorar.

– O que houve? Como ela morreu?

– Ela estava no lugar errado, na hora errada.

– Por que não me escreveu contando que ela morreu?

Eu me sentei ao lado dela.

– Você não faz ideia de como é ter que se satisfazer com aquelas mulheres sujas, maltratadas, sem classe, sem beleza… Ah! Como eu sonhei com você, mulher!

Eu tentei tocá-la, mas ela se levantou. Então, não conseguindo mais resistir, eu a puxei para a cama, me deitei sobre ela e segurei seus braços para que ela não tentasse fugir de mim.

– Você começou a invadir meus sonhos e neles, eu te dava todo o amor que você sempre sonhou, fazendo-a feliz e realizada, exatamente como você descrevia nas cartas. Era para mim que você se entregava.

– Não. Era para Elisa!

– Elisa morreu e eu estou aqui, pronta pra te amar.

Eu a beijei, e minhas mãos percorreram seu corpo, numa ânsia explosiva, desesperada. No começo ela lutou, mas, quando eu a deixei nua e beijei seu corpo, arranquei gemidos de sua boca. Ah! Essa mulher me levou à loucura! Indefesa, submissa, entregue, dominada… Ela era minha!

Sim, eu matei Elisa. Matei por causa de sua insensibilidade e por enganar a mulher que se entregava a ela de corpo e alma. Elisa me confessou que iria abandoná-la assim que fosse solta. A linda mulher com olhos de esmeralda, ingênua e inocente, contratou um advogado e pagou a ele para que libertasse Elisa. Não era justo que a linda mulher tivesse vendido sua única casa para fazer a vontade de uma mulher sem escrúpulos, mau caráter. Eu era uma assassina e matava pessoas como Elisa, e prometi que ela seria a minha última vítima. E foi.

Um ano se passou. Comprei uma casa simples e aconchegante para a mulher de minha vida, para a mulher que trouxe luz para os meus dias. Eu sentia que ela estava feliz e realizada. E eu também.

– Teu nome, tem o nome do sentimento tão cobiçado por todos, que nos faz acreditar que tudo, sempre pode melhorar. Por você, eu me transformei em uma pessoa melhor. Eu te amo… Esperança!

FIM

Esperança 02 - Rose Madeo

Qualquer semelhança de nomes e acontecimentos, terá sido mera coincidência. Não são fatos reais.

   

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