ERA UMA VEZ PARTE IV

Resistir é impossível… Mas, o destino, às vezes, é abusado…

 

– Linda?! O que você ta fazendo aqui? Como…

– Cala a boca! Você fala demais!

Ela me beijou. Suas mãos procuravam meu corpo com desejo… Ai! Eu tremia, sentia arrepios… E agora era real! Ela estava comigo! Mas… Isso não pode acontecer…

– Linda… Por favor… Não…

– Sim! Você me quer tanto quanto eu te quero.

– Não… Não… Pare…

Ela não parava. Passou sua língua em meu pescoço, e mordeu de leve minha orelha. Eu me sentia indefesa, submissa, não conseguia respirar, não conseguia pensar e gemi…

– Ah, Linda! Eu te amo tanto! Mas está errado… Pare, por favor!

Ela me beijou na boca, me calando. Linda me envolvia de uma maneira que eu não conseguia resistir. Começamos a tirar as roupas, quando alguém bateu à porta.

– Você está esperando alguém, Bia?

– Não!

A pessoa continuou batendo na porta, insistentemente.

– Linda, se esconda no banheiro, e fique quieta. Vou abrir e ver quem é.

– Não! Deixe que continue batendo, quando vir que você não vai atender, vai desistir.

Esperei, torcendo para que a pessoa desistisse. Mas…

– Bia! Sou eu, Amigo! Preciso falar com você. Abra, por favor!

– Droga! O que esse cara quer com você?

– Psiu. Fale baixo! Quer que ele te ouça?

Ficamos quietas, e depois de alguns minutos, não ouvimos mais as batidas à porta e nem a voz de Amigo me chamando.

– Acho que ele desistiu. – Falei.

– É. Então podemos continuar. Onde paramos mesmo?

Disse ela, voltando a me beijar.

– Não, Linda. Melhor você ir embora. Amigo pode voltar e tem a Ju… Ela vai achar estranho você não estar no quarto.

– Amigo não vai voltar e deixei Ju dormindo. Por favor, Bia…

Levantei-me da cama e falei:

– Vai embora, Linda!

– É isso mesmo o que você quer?

– É. E não volte mais aqui, por favor.

Linda saiu, e me arrependi de tê-la mandado embora. Eu a desejava, como nunca havia desejado mulher alguma. Deitei-me, e tentei dormir. Demorou um pouco, mas consegui.

Acordei, tomei banho e me vesti. Desci para o saguão, onde havíamos combinado de nos encontrar para sairmos. Amigo veio falar comigo.

– Você está linda!

– Obrigada, Amigo! Você também está muito bonito. Mas… Você vai ao bar conosco? Sabe que é um bar GLS, não sabe?

– Sei. Faço parte do “S”. – Falou, dando um sorriso. – Bia, eu fui ao seu quarto, mas acho que você estava dormindo.

– Foi? Não ouvi. Deveria estar dormindo mesmo.

Menti. Claro!

– Dormindo ou fazendo amor com Linda?

– O que?!

– Tudo bem, Bia. Eu vi quando ela subornou a camareira, pegou uma chave e entrou em seu quarto.

– Se viu, por que foi lá?

– Para atrapalhar vocês. Será que consegui? – Sorriu de novo.

– Você fez de propósito?!

Que cara de pau! Mas talvez tenha sido melhor, não me sinto bem em trair a Ju. Ela é muito legal.

Para a sorte de Amigo, as meninas apareceram e saímos. O bar era charmoso. Estilo colonial, com uma mesa de bilhar, um palco, um bar americano e várias mesas e cadeiras. Estava lotado. Uma mulher cantava.

Nos dividimos em 5 mesas. Eu, Amigo, Ju, Linda, Pri e outra amiga, ficamos juntas. Pedimos as bebidas e uma garçonete nos avisou que poderíamos fazer pedidos de músicas, que a cantora atenderia.

Eu não costumava beber, mas essa noite eu queria. Pedi uma caneca de vinho. Bebemos, dançamos, pedimos músicas… Eu estava me divertindo!

Fui ao banheiro e, quando estava saindo, Linda me abordou.

– Linda, por favor, aqui não.

– Calma! Só queria te dizer que você está linda!

– Obrigada.

– Quero um beijo, Bia.

– Não!

Ela sorriu e foi se aproximando de mim. Eu fui andando para trás, pedindo para que ela parasse. Entrei no banheiro de novo, e ela me encurralou em uma parede.

– Pare Linda! Não quero…

Ela me ignorou e me beijou. Como recusar um beijo tão… Tão… Gostoso! Envolvente! Dominador! Entreguei-me de novo. Linda sabia o que fazia comigo, sabia que me dominava, me enlouquecia. E eu sentia raiva de mim por isso.

Ela parou de me beijar e ficou me olhando. Eu estava meio tonta. O vinho… O beijo… As mãos dela em mim…

– Vou falar com a Ju. Vou terminar tudo.

– Se pretende fazer isso mesmo, então espere. Quando você não estiver mais com ela, nós…

– É tão difícil resistir, Bia! Eu te desejo tanto! Sonhei muito com o momento em que estaria com você, te beijando, te abraçando, te tocando!

– Eu também sonhei. Mas não pensei que você… Você é casada, Linda! Eu adoro a Ju! Por favor, não vamos mais fazer isso com ela. Quando você acertar sua situação, então, poderemos ficar juntas.

– Está bem. Mas ter você tão perto de mim é…

Ela me beijou mais uma vez. Linda tinha razão, era muito difícil resistir.

Voltei à mesa e me sentei.

– Bia, você está bem?

– Sim, Amigo. Estou.

– Bia, ela não veio?

Perguntou Ju.

– Quem?

– Sua namorada virtual. Ela não veio, não é?

Ai, meu Deus! Tenho que mentir.

– Não veio Ju.

– Não sei se é uma pena ou se foi melhor.

– É.

Uma mulher se aproximou da mesa.

– Boa noite! Gostaria de dançar comigo?

Ela se dirigia a mim e eu aceitei dançar com ela. Era uma mulher linda! Cabelos curtos, desalinhados, olhos castanhos claros, alta, atraente…

– Desde que você chegou, eu estava te olhando. Fiquei observando para saber se você estava acompanhada e percebi que não. Acho que estou com sorte.

Eu sorri com timidez.

– Meu nome é Tatiana, mas todo mundo me chama de Taty.

– Prazer. Meu nome é Bia.

Ela também era de São Paulo, advogada, 38 anos. Disse que ia para Campos do Jordão todo ano, no inverno.

Taty tem a mesma idade de Linda. O sorriso parecido, a postura elegante, o jeito gentil, educada. Ela realmente era muito atraente.

Dançamos várias músicas e em uma delas, Taty me beijou. Apesar de não ser o beijo perfeito de Linda, gostei e correspondi.

– Além de linda, você tem um beijo gostoso. Acho que estou correndo um grave risco.

– Que risco?

– O risco de me apaixonar por você.

– Hmmm. Diga-me uma coisa, Taty… Você é casada?

– Não.

– Tem namorada?

– Não.

– Enrolada?

Ela gargalhou.

– Também não. Sou livre como um pássaro. E você?

– Enrolada. Demais!

– O que posso fazer para “desenrolar” você?

– Acho que nada.

– Acho que posso tentar.

E me beijou de novo. Uma de suas mãos correu por minhas costas e senti um arrepio por todo o corpo. Nossa! Que delícia! Acho que eu estava carente e… Bêbada. Mas deixei acontecer. Eu podia! Eu merecia!

Entre conversas e beijos, fomos nos conhecendo e nos sintonizando. Dei uma olhada para a mesa, e vi Linda e Amigo me olhando com olhares que, bem… Acho que eles não estavam muito felizes. E daí? Eu sou solteira, sem compromisso, livre! Linda é casada e Amigo é homem!

Começou a tocar uma música mais animada e Taty me levou para a sua mesa.

– O que você está bebendo, Bia?

– Vinho.

Ela chamou a garçonete e pediu 2 canecas de vinho.

– Um brinde a você, bela mulher!

Encostamos nossas canecas e bebemos. Continuamos a conversar e nos beijar. Taty era uma graça! Charmosa! Uma mulher realmente interessante! Muito interessante.

– Bia, vem comigo, quero falar com você.

Era Linda. Taty se levantou.

– Boa noite.

Disse Taty, estendendo a mão. Mas Linda não a cumprimentou.

– Bia, venha comigo. Agora.

Taty me olhou, tentando entender quem era aquela mulher.

– Não, Linda. Estou bem aqui.

– Quero falar com você. Vem comigo.

Linda pegou em meu braço, me fazendo levantar.

– Pare com isso, Linda!

– Solte a moça, amiga.

– Não se meta! E não sou sua amiga.

– Você quer ir com ela, Bia?

– Não.

– Mas vai.

Linda apertava meu braço, me puxando.

– Linda, me solta, você está me machucando.

– Solte-a.

Disse Taty. Linda a empurrou.

– Não se meta nisso! Não é assunto seu.

Vi quando Taty ia bater em Linda e me meti entre as duas.

– Vai embora, Linda.

– Só quero conversar com você, Bia.

– Não temos nada para conversar. Saia daqui, Linda. Por favor!

Olhei para a mesa, preocupada que Ju visse isso, mas ela não estava na mesa.

– Você já contou a ela que é minha mulher?

Taty me olhou.

– Não sou tua mulher!

– É sim! Você me ama, me deseja e estaremos juntas em breve.

– Sai daqui, Linda.

Ela me olhou com tristeza. Não queria que isso tivesse acontecido, não tive a intenção de provocá-la. Sentei-me, chateada.

– Você está bem?

– Desculpe Taty.

– Quem é ela?

Contei-lhe sobre Linda.

– Bia… Você me usou para provocar ciúmes em Linda?

– Não! Juro que não! Foi você quem me beijou e eu…

– Tudo bem. O que quer fazer? Quer voltar à mesa com tuas amigas?

– Posso ficar aqui?

– Que tal outra caneca de vinho?

– Eu já me sinto bêbada, mas… Tá bom. Vou tomar outra.

– Não se preocupe, se eu perceber que você vai cair, eu te seguro.

Taty tinha um sorriso lindo! Era tão delicada! Fiquei o resto da noite com ela. Bebendo, conversando, dançando, beijando… Ela pediu uma porção de fritas e disse que eu precisava comer alguma coisa, porque eu tinha bebido muito.

– Bia, nós já vamos embora. Você vem conosco?

Perguntou Amigo. Olhei para Taty.

– Não. Ela vai ficar mais um pouco. Eu a levo ao hotel.

– Para qual hotel você pretende levá-la?

– Para qual ela quiser.

– Bia?

– Vou ficar aqui, Amigo.

– Tem certeza?

– Sim. Não se preocupe.

Contrariado, ele saiu. Vi quando todos foram embora.

Terminamos nossas canecas de vinho e as batatas. Levantei-me para ir embora, e quase caí. Como havia prometido, Taty me segurou.

– Opa! Você bebeu demais, garota!

– Ai! Minha cabeça roda…

Ela me colocou sentada na cadeira, e disse:

– Não saia daí. Vou pagar a conta e já volto pra te pegar.

Sair daqui? Impossível!

Depois de pagar a conta, Taty me levou até seu carro.

– Quer ir pra onde? – Perguntou.

– Para onde você quiser me levar.

– Hmmm! Não deveria ter dito isso.

Apesar de tonta, pude ver seu sorriso safado e… Lindo!

CONTINUA…

   

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