ERA UMA VEZ – PARTE 2

Depois do olhar… O toque. É possível resistir?

À noite entrei na sala, mas não estava animada para conversar. As meninas falavam sobre a viagem e eu ia dizer o que? Que minha namorada virtual exigiu que eu não fosse, mas que ela iria?

Quando estava me despedindo, uma de nossas amigas veio falar comigo. Vou chamá-la de “Ju”.

– Oi, Bia! Tudo bem?

– Oi, Ju! Estou mais ou menos, e você?

– Estou muito bem e animada com a viagem a Campos do Jordão. Você vai né?

– Infelizmente, não.

– Por que não? Você era uma das mais animadas pra ir!

– Surgiram uns problemas, e não vai dar.

– Quer conversar? Se preferir, podemos teclar no MSN.

– Ah! Não vale a pena, Ju. É tão complicado!

– Vou ser sincera, Bia. Falei com Amiga e ela me contou o que está acontecendo. Ela me disse o motivo de você não ir conosco. Vamos pro MSN, quero falar com você.

Aceitei ir com ela pro MSN e contei-lhe tudo.

– Sinto muito te dizer amiga, mas essa mulher está te enganando. Não sei dizer como e nem por que, mas é muito estranha essa atitude de ela não querer que você vá. Pense! Essa é a chance de vocês terem um final de semana romântico, de se conhecerem, de terem a certeza de que se amam mesmo… Se eu fosse você, eu iria. Já que ela vai estar lá, você vai descobrir o porquê de ela não querer que você vá.

– Mas eu já disse pra ela que eu não vou.

– E daí? Faça uma surpresa!

– Será que ainda tem vaga no hotel?

– Claro que tem! Vou falar com ”Pri”, é ela quem está organizando tudo, e vou pedir para que ela reserve pra você também. Posso fazer isso?

Pensei e resolvi.

– Pode. Eu vou!

– Muito bem amiga! Amanhã vamos nos conhecer, finalmente!

– É. Finalmente! Obrigada, Ju!

– De nada, querida! Boa noite! Até amanhã. Beijos.

– Beijos.

Eram 28 mulheres confirmadas para a viagem, incluindo eu. Todas iriam de carro. Eu fui sozinha, no meu carro.

Chegada ao hotel para o “check-in”, até 21 horas da sexta-feira. Cheguei às 19h40min. Fiz o check-in, e fui para o quarto guardar minha bagagem. Desci novamente e perguntei se as hóspedes de São Paulo haviam chegado. O recepcionista disse que eu era a primeira.

Fiquei no saguão, esperando ansiosamente a chegada de minhas amigas virtuais. Aos poucos, elas foram chegando…

Que delícia poder ver as pessoas com quem eu teclava há meses, algumas há mais de 1 ano. Eu estava emocionada!

– Você é a Bia?

– Sim! E você é…

– Juliana… Ju!

Nós nos abraçamos! Ju era linda, jovem, tinha 26 anos, loira, olhos verdes e um sorriso simpático.

– Que bom conhecer você, Bia!

– Muito bom te conhecer, Ju! Onde está sua esposa?

– Perdi. – Disse ela, gargalhando.

– Como assim?

– Ela foi pegar as malas e algumas meninas a abordaram na entrada do hotel. Espera aí, vou chamá-la.

– Você já viu Amiga?

– Ainda não, mas deve estar no meio das “doidas” lá fora. Espere, vou salvar minha esposa. – Disse ela, rindo e saindo.

Enquanto Ju tinha ido buscar sua esposa, cumprimentei outras amigas. Pouco depois, Ju voltou e me apresentou à sua esposa.

– Bia, Luana. Luana, Bia.

O que?! Linda?! Linda é a esposa de Ju?!

Linda e eu ficamos nos olhando, surpresas. Eu, porque não fazia ideia que Linda era casada, ainda mais com uma amiga tão querida como a Ju. E ela, porque pensou que eu não fosse a Campos do Jordão.

Respirei fundo, tentei disfarçar meu espanto e decepção, e com delicadeza, cumprimentei Linda.

– Como vai, Luana? É um prazer conhecê-la.

– O prazer é meu, Bia.

Não quis beijar, nem abraçar, nem tocar em Linda. Arranjei uma desculpa e saí para me reunir a outros grupos.

Eu me sentia perdida, como um peixe fora d’água. Eu precisava sair dali, precisava ficar sozinha, porque eu queria chorar, eu queria gritar, eu queria… Sumir!

Procurei por Amiga e ninguém a tinha visto. Todas combinaram de sair pela noite de Campos de Jordão. Eu não iria, eu seria uma péssima companhia. E também, como eu poderia ver Linda, o meu amor virtual, sendo abraçada e beijada por outra mulher? Não! Eu ia para o meu quarto. Chorar e… Dormir.

Após o jantar, todas estavam saindo.

– Ah, Bia! Vamos! Vai ser legal!

– Sei que vai, Ju, mas estou muito cansada, muito mesmo. Vou acabar estragando o passeio de vocês.

– Não vai estragar nada. Vem!

– Desculpe! Vamos deixar para amanhã. Prometo sair com vocês amanhã.

Todas se despediram de mim e saíram. Eu fui para o meu quarto. Assim que destranquei a porta, duas mãos me empurraram para dentro.

– O que você está fazendo aqui? Não te pedi para não vir?

– Saia do meu quarto, Linda!

– Você não respondeu minha pergunta. Por que você veio?

– Era por isso que você não queria que eu viesse, não é? Você é casada! Sua mentirosa.

– Eu te pedi tanto, Bia! Eu ia te contar, eu juro que ia.

– Saia daqui, Linda!

Ela me encostou contra a parede e ficou me olhando nos olhos. Nossa! Como ela era linda! Alta, um corpo atlético, cabelos curtos, castanhos, olhos negros, um olhar penetrante, envolvente, sedutor… Tentei empurrá-la, mas ela não saía, não me soltava.

– Ah, Bia! Não sabe como desejei ter você assim, na minha frente, me olhando, sentir o seu cheiro, tocar seus cabelos, beijar tua…

– Não! – Gritei. – Quero que saia. Agora.

– Vou sair, mas antes…

Ela me beijou. Ah, eu tremi! Não consegui resistir, e… Deixei. Como sonhei com esse momento! O toque dela em meu corpo, seu beijo… Eu senti minhas pernas bambas, pensei que fosse cair, mas ela me segurava. Suas mãos percorreram meu corpo, me fazendo gemer. Mas eu não podia…

– Solte-me, Linda! Por favor!

– Bia, eu quero você e você me quer!

– Não! Não podemos. A Ju…

Ela me soltou, virando-se de costas. Eu me recompus, tentando voltar à realidade.

– Linda, por que você mentiu pra mim?

– Eu nunca menti pra você.

– Como não?! Além de mentirosa, é cínica.

– Bia, você nunca me perguntou se eu era casada.

– E você nunca me disse que era.

– Temos muito que conversar. Eu sei como você se sente…

– Não sabe não. Não sabe mesmo!

– Bia, me escute, por favor. Pelo menos uma vez! Quero saber se você vai contar para a Ju…

– Não vou contar nada pra ela. Não por você, mas por ela. A Ju é uma mulher adorável, um encanto! Meu Deus! Como você pôde?

Linda aproximou-se de mim e ia me abraçar, mas fui em direção à porta e abri.

– Saia daqui, Linda. As meninas estão te esperando para sair… Sua esposa a espera.

– Tudo bem. Mas prometa que vai me deixar explicar tudo.

– Não há o que explicar. Não quero te ver nunca mais. Não quero que se aproxime de mim, não quero que me toque…

– Não quer que eu te toque, porque sabe que não poderá resistir. Bia, você me ama! E eu… Eu amo você! Acredite em mim, por favor!

– Sai. – Gritei.

Ela saiu, virou-se, me olhou nos olhos e disse:

– Eu vou te explicar como tudo aconteceu, e você vai me entender.

Fechei a porta na cara dela.

Droga! Ela tinha razão! Eu a amava! E agora era real! Sim, eu a amo e… A odeio!

Tomei banho, me vesti e deitei. Não conseguia parar de chorar, não conseguia dormir. Se pelo menos Amiga estivesse comigo, eu teria alguém para me consolar. Onde ela estava? Por que não chegou?

Depois de muito tempo, finalmente, consegui dormir.

CONTINUA…

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