RISCOS DST

 Existe sim o risco de contrair DSTs e outras doenças através do sexo lésbico. Felizmente, o governo e alguns grupos já realizam estudos, debates, oficinas e distribuem materiais sobre Saúde Lésbica. Estes materiais e serviços ainda são pouco conhecidos pela comunidade lésbica, tanto pela pouca divulgação como pelo desinteresse (ou vergonha, quem sabe) por parte das homossexuais em buscar informação sobre o assunto.

Abaixo, vamos a falar das DSTs mais comuns e depois, de como se prevenir.

Candidíase

Provocada por um fungo, a candidíase é uma infecção bem chatinha, que promove ardor e coceira na região vaginal, secreção espessa de cor branca e às vezes dor e irritação ao urinar. É transmitida pelo contato sexual direto, pelo uso de acessórios e até mesmo pelo compartilhamento de toalhas e calcinhas. Muitas vezes, a candidíase só se manifesta quando estamos com o sistema imunológico enfraquecido, seja por stress, uso prolongado de antibióticos, depressão, etc, ou seja, muitas vezes temos o fungo no organismo e não sabemos. Apesar de incômoda, é facilmente tratável com pomadas e medicação oral, sendo que esta medicação também deve ser tomada pela parceira, para evitar ocorra novamente o contágio.Você adquiriu num sexo casual? O conselho: ligue para a garota e avise. É chato, mas como não dá pra saber na verdade quem passou pra quem, não adianta, tem que avisar pra evitar que ela passe para outras.

Tricomoníase

Com sintomas e formas de transmissão parecidos com a candidíase, provoca também muita dor durante a masturbação ou penetração. O parasita – trichomona vaginalis – pode ficar anos quietinho, sem se manifestar, e o tratamento também é a base de medicação oral e pomadas vaginais.

Vaginoses

Muito comum entre lésbicas – dados de um estudo da Universidade de Washington mostram que 25% das lésbicas pesquisadas apresentaram vaginose – ela é normalmente mal tratada, pois é confundida com candidíase pelas garotas, que se auto-medicam. Os sintomas são corrimento, coceira na área genital e odor desagradável (cheiro de peixe), principalmente após a relação sexual. As vaginoses são infecções na vagina, e na presença de qualquer um destes sintomas, vá ao ginecologista e nada de se auto-medicar – as vaginoses são facilmente tratáveis desde que usados os medicamentos corretos.

Infecções Urinárias

Normalmente ocorrem depois de uma longa noite de sexo. A principal causa do contágio são bactérias encontradas no ânus que contaminam o canal da uretra, o que provoca vontade de urinar constante, com dor e ardor. Ou seja: sexo anal feito sem o devido cuidado, tanto com acessórios quanto com os dedos. Existem outras formas de contrair a doença, mas esta é a principal. O tratamento é feito pela administração de antibióticos por via oral.

Hepatites B e C

Consideradas hoje um dos mais graves problemas de saúde pública do mundo, as hepatites são inflamações do fígado causadas por intoxicações ou por vírus. Dentre as mais comuns e perigosas, estão as hepatites virais B e C, que quando contraídas podem tomar dois caminhos: virar uma doença crônica ou levar à cirrose e ao câncer do fígado.

A hepatite B tem como principal forma de transmissão as relações sexuais, e a hepatite C se transmite principalmente pelo sangue, inclusive o menstrual. Os principais sintomas da hepatite B são perda de apetite, náusea, vômito, urina de cor marrom escuro, pele e olhos amarelados, dor logo abaixo das costelas do lado direito (principalmente quando pressionadas), fezes de cor pálida, intestino mais solto do que o normal, febre e mal-estar geral, podendo ocorrer também urticária e dores nas juntas. Já a hepatite C é muitas vezes assintomática ou apresenta sintomas muito inespecíficos, como letargia e dores no corpo, o que pode retardar o diagnóstico.

Existe vacina para a Hepatite B, que pode ser tomada em qualquer posto de saúde. Com somente 3 doses você fica tranqüila com relação a esta variedade de hepatite – mas não pode descuidar das outras…

Sífilis e Gonorréia

Sim, lésbicas também podem contrair estas doenças através das relações sexuais. São doenças bem sérias se não tratadas a tempo, podendo levar a outros problemas sérios de saúde.

A sífilis apresenta dois sintomas principais: o aparecimento de gânglios (ínguas), principalmente na virilha, e logo após, o surgimento de feridas arredondadas vermelhas que não ardem nem coçam – cancro duro – e que desaparecem do nada. Pode surgir também febre, corrimento amarelado, mal-estar e manchas vermelhas pelo corpo. Os sintomas da doença podem demorar meses para aparecer. O tratamento é feito com penicilina e os sintomas demoram aproximadamente 1 semana para desaparecer, mas as bactérias demoram uns 6 meses para serem eliminadas do organismo…

A gonorréia é uma doença complicada de ser percebida pela paciente, já que aproximadamente 50% das mulheres não apresentam os sintomas, que são corrimento vaginal, alterações intestinais e dor no canal vaginal. O tratamento é rápido e eficaz, com antibióticos.

A transmissão, tanto da sífilis como da gonorréia, ocorre via secreções e sangue, inclusive menstrual.

HPV ou Condiloma

Provocada pelo vírus Papiloma, o HPV está associado ao aparecimento de alguns tipos de colo de útero. Infelizmente, ainda não tem cura – o tratamento é sintomático, para eliminação das verrugas (cristas de galo) que aparecem na região do ânus e da vagina e que são características da doença – o que também evita a transmissão do vírus. A principal forma de transmissão é pela penetração, seja com os dedos ou com acessórios.

Herpes Genital

A herpes é provocada por um vírus e sua via de transmissão não é exclusivamente sexual. Porém, ela se manifesta principalmente nas regiões das mucosas da boca e das regiões genitais, pelo aparecimento de pequenas bolhas que se rompem e se transformam em feridinhas bem doloridas. É o líquido contido nas bolhas a principal via de transmissão do vírus, e, uma vez contaminada, a pessoa fica com o vírus no organismo para sempre, em estado de latência. A qualquer sinal de desequilíbrio físico ou mental, a herpes pode se manifestar novamente. O tratamento é somente para eliminar as bolhas, com o uso de pomadas, injeções e comprimidos.

E a AIDS?

Existe uma grande discussão sobre a transmissão do vírus HIV em relações homossexuais femininas.Existe sim a possibilidade de contágio, tanto através do sexo oral como do compartilhamento de acessórios. Mas existem no mundo poucos casos oficialmente comprovados de transmissão de HIV entre lésbicas. Estas transmissões ocorreram principalmente através da realização de sexo oral em parceira menstruada. Normalmente existe dificuldade no registro e comprovação dos casos, pois dependem das informações dadas pelas portadoras do vírus e muitas podem esconder sua homossexualidade e não explicitar as suas relações. Logo, proteção sempre!

Como se proteger
1 – Começando pelo óbvio: mãos, unhas e áreas genitais sempre limpas.
2 – Ao usar acessórios (dildos, vibradores, etc) use SEMPRE camisinha, e troque-a quando for utilizar o acessório na sua parceira.
3 – No sexo anal, se possível, use dedeiras (você as encontra em farmácias e em lojas de material médico). Nunca, nunca penetre a vagina de sua companheira com os dedos ou com os brinquedinhos sem lavá-los e trocar a camisinha. “Ah, mas o negócio está muito bom e não dá pra parar no meio pra fazer isso.” Use sua criatividade, você tem 2 mãos.
4 – No sexo oral, a recomendação é: use filme plástico (aqueles de cozinha, que você usa pra cobrir a comida), colocando-o sobre a vagina e o clitóris da sua parceira, e então faça o sexo oral. Você também pode usar uma camisinha cortada e aberta. Sim, é engraçado, quase tragicômico, mas é a recomendação até descobrirem algo melhor.
5 – Triplique os cuidados ao transar menstruada.
6 – Evite usar toalhas e roupas íntimas de quem você não conhece direito. E caso você ou seu amor apresente algum problema de saúde, não usem nada uma da outra até o diagnóstico e a cura completa.
7 – Objetos como alicates de cutícula, aparelhos de barbear etc devem ser sempre esterilizados.

Lembre-se que qualquer problema DEVE ser tratado por um médico – que deve saber SIM de sua orientação sexual, pois isso fará toda diferença na hora do diagnóstico – e que a ida ao ginecologista e a realização do exame papanicolau 2 vezes por ano é obrigatória. Cuidar de você, assim como de sua parceira, é a melhor forma de garantir que o sexo seja sempre uma prática deliciosa e segura.

Fonte: Mix Brasil / Veículo: Agência de Notícias da AIDS

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